sábado, 24 de dezembro de 2016

Nossa Violência





Penso sobre o quanto estamos vulneráveis à violência. Pode notar que, sofrendo ou produzindo aspereza, os afetos se descontrolam o tempo todo, todo dia. 

Como se não bastasse o cotidiano e sua infinidade de situações tensas, a TV perdeu  o controle  dos decibéis  e  grita  crimes  além  da  conta.  Tentamos  então  os jornais  impressos,  mas  de  cada letra escorre  bile e veneno. E a  internet...  Bom, a internet oferece mais soco do que afago. 

Fechado o cerco lá fora, ainda precisamos lidar com a NOSSA violência. É fato que existe em nós uma propensão ao ódio e aos impulsos mais destemperados (afinal, somos  apenas  animais domesticados). Por  isso,  seja  ponderada  pela  lei,  seja  pela cultura do bom senso, nossa selvageria precisa de um escapamento. Há quem diga que o que vale mesmo é o autocontrole e a busca por uma postura zen. Outros dizem que uma atividade física como o boxe pode ajudar a liberar o stress (ou qualquer outra luta que nos faça desferir socos num joão-bobo e não no vizinho).

Eu opto pela arte. É um caminho. Quem duvida que diretores de cinema façam de cenas com alto teor de agressividade uma forma de expurgar a própria crueldade? O espectador também se realiza vendo, pois é a catarse possível. Norman Bates (de Psicose) sou eu; e Michael Myers (o serial killer de Halloween) também sou eu. 

Eu sou a própria Beatrix Kiddo, a noiva vingativa de Kill Bill.

Enfim,  de  algum  modo  saudável  precisamos  lidar  com  nossa  fúria  e  com  a loucura que nos rodeia. Afinal, somos altamente passíveis de atacar (ou ser atacados). Pense  em  alguma  estratégia porque  a cólera  pode  ter  resultados  imprevisíveis. Fiquemos atentos, pois uma impetuosidade de fera ainda mora em cada peito.

Orai e vigiai, diriam os cristãos. Amém. 

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Leandro Faria  
Maurício Rosa é poeta ocasional e brinca com as palavras pra produzir textura e emoção. Tem 24 anos e persegue uma dramaturgia para o desenredo desse mundo. Pisciano, destro, cinéfilo e eterno amante das mulheres da arte.
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