domingo, 25 de dezembro de 2016

Preterido





Era assim que eu me sentia ao lado dele. Altamente preterido na vida de quem era minha prioridade. Achava realmente impressionante como sempre arrumava tempo pra TUDO, pra TODOS, menos pra mim... Sempre tinha tempo de ir à casa de amigos, bares, pra se dedicar às coisas que achava importante, mas quando era pra mim... Aí fudeu! Sempre estava ocupado. Ele simplesmente não se interessava por nada que viesse de mim, não se importava em saber como foi o meu dia, em me ouvir quando ligava para falar alguma coisa que aconteceu comigo. Algumas vezes, cheguei a achar que estava me ouvindo por falta de opção, e SEMPRE no meio da ligação tinha que fazer alguma coisa ou falar com alguém... Tenho quase certeza que era apenas uma desculpa pra desligar. Sempre procurei mostrar interesse por seus assuntos e atividades, até quando era alguma que, a princípio, não me interessava o mínimo, até quando me contava sobre seus amigos idiotas.

Eu sei que dei muita importância para coisas que talvez fossem indiferentes para ele, assim como sei o quão babaca fui pensando sempre no “nós” em primeiro lugar. Abri mão muito pela gente, para que nossa relação desse certo, mas nunca senti o mesmo retorno e, pior, ainda me questionava sobre as vezes em que ele não estava bem. Será que ele nunca notou? Poderia o egoísmo ser tão grande ao ponto dele não enxergar coisas que estavam na cara?

Até que um dia decidi tomar uma decisão: tratá-lo da mesma maneira que me tratava e me colocar em primeiro lugar. Não dava mais, infelizmente... CANSEI de cuidar e me preocupar e ainda ser tratado como “o chato”, de ouvir coisas que não merecia. Não me permiti mais perder minhas noites preocupado se iria chegar bem ou sóbrio. Ele saia, eu ligava o foda-se e tinha uma doce e suave noite de sono. Não gastava mais minha energia com ele.

Eu sentia falta do cara que conheci, dos carinhos, dos dengos... Nos últimos dias do nosso relacionamento, ele se limitava a cumprir o protocolo de namorado, simplesmente isso. Quando estava com os amigos então... PQP! Como me irritava! Acontecia uma verdadeira transformação! O pior é que passava a me tratar como um deles e, sinceramente, eu já tenho amigos demais. Eu queria a atenção dele! Queria me sentir especial pra ele sem precisar fazer um carão.

Algumas vezes, cheguei a pensar que ele só queria ter um namorado pra apresentar aos amigos, à família, para poder colocar fotos no Facebook. Nunca fez esforço algum para que eu me sentisse especial, porque, na real, eu não era especial para ele. Parecia que era apenas uma companhia para afastar a solidão de conviver consigo mesmo. Eu entendo, entendo de verdade que muitas das vezes cansamos da nossa própria companhia e acabamos depositando essa vontade de “ser dois” no outro. Mas aí o outro acaba sendo somente isso: uma companhia.

Até que veio o basta, o fim, o meu reencontro... Terminei! Sei que usei algumas palavras duras, mas eu não conseguia segurar tudo que estava no peito, tudo que eu já tinha falado inúmeras vezes, sem obter o mínimo retorno. Ficou muito difícil carregar o fardo que se tornou nossa relação.

Eu ainda o amo, e muito. Desde o fim, nunca falei que não o amava mais, nem quando tomei a atitude de terminar. Mas quero um homem; não um moleque. É duro, é difícil, mas é a vida.

E para ele deixo meu último conselho: Você precisa crescer, Peter Pan!

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Leandro Faria  
Júlio Ferraz, 33 anos, carioca, ator, escritor, cantor e uma pessoa quase normal nas horas vagas. Ama cartas, versos, melodia, sabores e sorrisos. Um sonhador apaixonado pela vida, que se recusa a ter dias tristes, monótonos, sem vida e opacos.
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