sábado, 31 de dezembro de 2016

Seja Intuitivo em 2017





2016 foi um furacão e amanhã começa mais um passeio pelo calendário. Nessa altura, muitas são as dicas, metas e mandingas pra que o novo ano seja apenas uma ressaca e não mais uma bebedeira descontrolada. Por isso, nessa onda “vamos melhorar”, darei o meu conselho para 2017: seja intuitivo.

Talvez por ser regido pelo signo de Peixes - o mais sensível do zodíaco -, sou uma pessoa que preza pela intuição. Se os astros não justificarem essa característica, aposto que o horóscopo xamânico ou o meu terapeuta (se eu tivesse um) apontariam com dados estatísticos e fortuna crítica o quanto uso meu faro e instinto. 

Na base de uma centelha invisível pouco racional, minha escrita também se insere nesse terreno ao deus-dará, sem nenhum mapa ou guia, onde vou descobrindo o texto à medida que escrevo. É um perigo. Obviamente, não se trata de uma luz profética ou um dom oracular, afinal, a intuição é usada quase sempre de maneira natural, sem alardes, como uma segunda voz na cabeça ou um anjinho ao lado esquerdo do ombro assoprando algo auspicioso e verdadeiro. São recadinhos inexplicáveis que nos assaltam de vez em quando. 

Talvez a genética tenha algo a dizer porque, na minha família, a intuição é uma prática. Quem joga na Mega Sena não elabora nenhum sistema lógico para acertar os números, quem planeja uma viagem à praia não consulta a meteorologia: tudo no feeling.

No fogão, por exemplo, nunca vi um parente com o livro de Receitas da Dona Benta nas mãos. Parece mais a Feijoada Completa, de Chico Buarque, na qual os ingredientes são acrescentados à medida que os convidados chegam:

“Joga o paio, carne seca,
Toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão.”

E olha que ninguém aqui é célebre chef da Le Cordon Bleu nem cursou um semestre em Firenze para entender os maneirismos da cozinha mediterrânea. A culinária da família é resultado de uma ciência própria, de uma bagagem sensível. E, como disse antes, assim é o meu texto: jogado à sorte das minhas sacadas & sensações, fugindo às regras matemáticas da razão.

Importante lembrar que apenas algumas ações permitem esse jogo e é preciso ter parcimônia para equilibrar pressentimento e juízo. 

Quando for hora de, que tal apostar no improvável e - perdoe o clichê - no que diz o coração? Esse texto saiu assim e a comida daqui de casa é sempre boa, então.... Arrisque-se intuitiva e apaixonadamente! 

Antenas ligadas em 2017, hein?

Bom Réveillon!

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Leandro Faria  
Maurício Rosa é poeta ocasional e brinca com as palavras pra produzir textura e emoção. Tem 24 anos e persegue uma dramaturgia para o desenredo desse mundo. Pisciano, destro, cinéfilo e eterno amante das mulheres da arte.
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Um comentário:

João Paulo Rosa Santos disse...

Ótimo texto!!!!

Que esse seja um ano de saborosas intuições para todos nós!