segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Status de Relacionamento





Durante quase seis anos eu fui uma pessoa casada. Não no sentido tradicional, com assinatura de papel e testemunhas comprovando o casamento; mas casado dividindo a vida, as contas, o espaço, alegrias e frustrações. Uma vida a dois, com direito a três gatos e, pelo tempo em que tudo durou, uma felicidade serena e acolhedora.

Mas as pessoas e a situação mudam e, depois de uma série de conversas, um pouco de drama e pequenos acertos, a mágica se fez. O status, aquela informaçãozinha irrelevante no nosso perfil do Facebook, mudou: eu estou solteiro. E isso, ao mesmo tempo em que é um pouco assustador, é também maravilhoso.

Primeiro de tudo, se alguém estiver se perguntando, eu estou bem. Mesmo. O que sinto nesse fim de relação é alívio. Uma sensação de paz, dever cumprido e maturidade. Porque tenho certeza que fiz a minha parte, fui honesto e, acima de tudo, leal. Por isso, com o término, apesar daquela tristeza pelo fim da relação que se modifica, veio também um frescor e uma gama de possibilidades. O Leandro solteiro desse finzinho de 2016 é bastante diferente daquele que trocou de status de relacionamento no início de 2011. E isso é uma coisa surpreendentemente boa.

O que acho interessante nesse momento é a reação das pessoas. Quando conto que estou me separando, a pessoa primeiro processa a informação, faz uma cara assustada e, logo em seguida, acha que estou brincando. Me parece que ninguém está muito preparado para se dar conta que as relações podem ser finitas e, quando percebem que um casal próximo e que consideravam estável se separa, é inevitável se colocar no lugar e pensar sobre a própria relação, talvez trazendo à mente as próprias inseguranças e/ou verdades não verbalizadas. Mas, é claro, estou apenas conjecturando.

Outro fato interessante que observo é que a maioria das pessoas não gosta de estar solteiro. Parece que a Disney foi bem sucedida em talhar nosso comportamento, fazendo-nos acreditar que alguém só será feliz se encontrar seu príncipe ou princesa encantados. O que eu, particularmente, nunca entendi muito bem. Porque sim, acho que estar em uma relação é maravilhoso (e eu tive algumas boas relações em minha vida, com pessoas que, cada uma à sua maneira, me fizeram muito bem naqueles momentos), mas nunca achei que ser/estar solteiro fosse um problema. Se tem uma coisa nessa vida de que eu gosto bastante, é da minha companhia.

Durante todo o tempo que o meu casamento durou, eu só pensava que, se um dia ela terminasse, eu não encararia novamente algo do tipo. Porque apesar de parecer um grande mar de rosas, viver junto é um verdadeiro teste de autoconhecimento e paciência; é aprender a abrir mão e a ceder em prol do outro; é rever seus conceitos a cada dia pelo bem comum da vida a dois. E sim, pode estar soando meio precoce, afinal, eu estou solteiro há apenas três semanas, mas eu não considero me casar novamente, pelo menos no sentido de morar junto e dividir espaço. A experiência, como eu já disse, é maravilhosa. Mas quando ela termina, putz, que trabalheira dá pra separar a vida, os bens, reerguer-se e seguir adiante, preocupado em como manter uma amizade e, acima de tudo, o relacionamento com aqueles que, pra mim, são os amores da minha vida: os três gatos que, durante todo esse tempo, foram verdadeiros filhos para mim.

Assim, no fim das contas, o que aprendi e levo dessa experiência de mais de cinco anos é que, por mais maravilhosa que seja uma relação, não devemos permitir que um status de relacionamento nos defina e acomode. Nossa individualidade deve ser preservada, assim como a autoestima e o amor próprio. Afinal, não importa se solteiro, namorando ou casado, uma coisa é certa: no fim de tudo, você poderá contar apenas com você mesmo para viver a sua vida e seguir o seu caminho. 

E, é sério, quando a gente se ama, não importa para onde estamos indo; a viagem é sempre mais tranquila e sem sobressaltos.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

Yago Veloso disse...

Me identifiquei muito com o texto. Sensacional.