sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Tchau, Querido!





Que anozinho terrível esse, hein...

Dois mil e dezesseis já começou mal quando, logo nos primeiros dias, fomos surpreendidos com a morte de David Bowie, dois dias depois do lançamento do lindo álbum Blackstar. Perdemos um astro e talvez o artista mais completo do século. Durante o ano também perdemos Elke Maravilha, Cauby Peixoto, Leonard Cohen, Prince, Ferreira Gullar, Naná Vasconcelos, Carlos Alberto Torres, Shimon Peres, George Martin, Hector Babenco, Umberto Eco, Muhammad Ali, Fidel Castro, Gene Wilder, Carrie Fischer, George Michael e vivenciamos bizarros acidentes como a tragédia do vôo com o time da Chapecoense, a morte de Domingos Montagner, o protagonista da novela Velho Chico, afogado justamente no rio São Francisco, que dava nome à novela.

Dois mil e dezesseis foi um ano de intolerância, violência e descaso. O mundo se chocou com o atentado na boate gay em Orlando, que matou 50 pessoas e feriu outras 50; ficou estupefato com o estupro coletivo a uma menor de idade em uma favela do Rio de Janeiro; foi surpreendido com a agressão que a ex-modelo Luiza Brunet sofreu do ex-marido; chorou com as histórias de grávidas que foram infectadas com o zika vírus e que tiveram seus bebês com microcefalia e não acreditou quando a ciclovia Tim Maia desabou após três meses da inauguração, matando duas pessoas.

Dois mil e dezesseis foi o ano da crise e da instabilidade. Bateção de panelas. Coxinhas x Petralhas. Buzinaço em Brasília e na maioria das capitais. Reviravoltas mirabolantes na política dignas de um filme de Coppola. De manhã, uma coisa. À noite, outra. Teve desfile de patos amarelos em São Paulo pela Fiesp, teve quebra-quebra. Dilma caiu: “Pela minha família, pelos meus filhos, pela volta da Nazaré Tedesco, pelo cafezinho servido em xícaras e não em copos descartáveis, pelo Toddynho de dois litros, pela exibição do último episódio da caverna do Dragão, eu digo sim!”. Temer, o Pequeno, assume. Onze milhões de brasileiros desempregados. O cinismo e a arrogância de Cunha exalava poder. De uma hora pra outra, o mundo caiu para ele, assim como o ex-governador do RJ que xingava servidores públicos de vagabundos. De uma hora pra outra, sobrou para ele e até para a ex-primeira-dama. Palavras e pessoas surgem e “causam”: Lava-jato. Delcídio. Moro. Teori Zavaski. Cármen Lucia. STF. PEC do teto dos gastos. Odebrecht. Uber x táxis. Ocupação nas escolas e universidades. O xilique de Garotinho na ambulância.

Dois mil e dezesseis trouxe humilhação para os servidores públicos do governo do Estado. Salários atrasados, miséria parcelada tal qual carnês da Casa Bahia. Quer pagar quanto, senhor governador? Contavam com ovo na cloaca da galinha com os royalties do petróleo. Cadê o plano B? Não tem plano B.

Dois mil e dezesseis foi tão trágico que nem Gloria Pires quis opinar. Por relembrar esse episódio, finalmente Leonardo DiCaprio levou o merecido Oscar pela brilhante atuação em O Regresso (mas quase que Gloria Pires errou o palpite).

Dois mil e dezesseis foi surpreendente. Bob Dylan ganhou o Nobel de Literatura, mas não foi receber o prêmio. O filme Aquarius, com Sônia Braga deslumbrante, não foi indicado para o Oscar pois fazia uma dura crítica ao governo. Os casamentos-perfeitos de Angelina Jolie e Brad Pitt e Fátima Bernardes e William Bonner foram desfeitos. O rompimento dos britânicos com a União Europeia abalou o mundo. Mesmo favorita, Hillary Clinton perdeu as eleições presidenciais americanas para Donald Trump. Paulo Miklos deixou os Titãs.

Dois mil e dezesseis foi um ano de séries maravilhosas que deram as caras nas telinhas: Justiça, na TV Globo, foi sem dúvida, a melhor coisa dos últimos tempos, com impecáveis atuações de Adriana Esteves, Débora Bloch e Jesuíta Barbosa. A série inglesa Black Mirror, a segunda temporada de How To Get Away With Murder e a oitentista Stranger Things mereceram destaque absoluto.

Dois mil e dezesseis trouxe a Olimpíada para o Rio. Todo mundo achou que daria merda, mas no final, foi uma festa. Afinal, carioca sabe e adora fazer uma festa.

Dois mil e dezesseis também trouxe novidades. Mannequin Challenge bombou. Os memes bombaram... “Marilene, não se mete”; “Eu sou Kátia”, “Diferentona”, “Gloria Maria na Jamaica”, “Power Point da Lava-jato”, “Higoneragay, nera?”... Livros sensacionais foram lançados como Jantar Secreto, do carioca Raphael Montes, e um documentário superbacana sobre o underground carioca (Time Will Burn); o Pokemon Go, um jogo de realidade aumentada virou febre; madre Teresa foi canonizada; a Mangueira foi campeã do carnaval carioca; o Coldplay coloriu o Maraca, o Black Sabbath se despediu numa Apoteose lotada, Twenty-One-Pilots fez a garotada saltitar; o Radiohead lançou disco novo; o Bob´s perdeu o milk shake de Ovomaltine para o McDonald´s.

Dois mil e dezesseis fez com que eu me aproximasse mais de meus amigos. Meu apê ficou pronto e ainda estão rolando os open houses conta a gotas pois não cabe todo mundo lá dentro. Mas foi, sem dúvida, um ano em que valorizei ainda mais as amizades que possuo. Reencontrei amigos que eu não via há décadas, abracei muito mais, fiz questão de estar junto, viajei com eles, dei e pedi colo. Conheci novos amigos que tenho a certeza de que levarei para sempre ao meu lado. Infelizmente, também me decepcionei muito com alguns, mas faz parte do jogo. Também perdi alguns, que foram morar em outra dimensão. Fernandinha e Matheus foram as mais sentidas. Duas crianças lindas, que lutaram bastante para viver, mas deixaram uma mensagem de perseverança e união muito grande. Hoje, são dois anjos.

Em dois mil e dezesseis finalmente consegui pegar o meu diploma do mestrado. É um simples papel, eu sei... Mas foi o resultado de um grande projeto que levou três anos para ficar pronto.

Em dois mil e dezesseis também consegui colocar em prática o que eu já desejava fazer há anos: lancei meu primeiro livro, o Troco a Bituca Por Duas Jujubas que, felizmente, teve uma ótima receptividade, e também me diverti à beça com apresentações pra lá de divertidas com o Soft & Mirabels.

Daqui a algumas horas, será o início de um novo ano. Dois mil e dezessete certamente chegará com a esperança de dias melhores. Antes de terminar minha última coluna do ano, eu queria muito agradecer aos leitores que todas as sextas aguardam e acompanham os textos. E fazer um pedido: façam uma listinha de pequenas ações que pretendem realizar no ano que vai começar. Escrevam dez num pedaço de papel e guardem em algum lugar. No fim de 2017 você vai pegar este mesmo papel e checar o que você realizou. Se não realizou, realinhe os planos, insira novos. É assim que fazemos a vida andar. Planeje-se, organize-se. Acredite que você pode fazer melhor e mudar o mundo, nem que seja um pouquinho só. Dê sua contribuição. 
 “Todos nós podemos ser um herói, mesmo que por um dia.”
Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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2 comentários:

Ana Paula Rocha disse...

Grande mestre das palavras. 2016 foi uma ano de dificuldades e de realizações, perdas e ganhos, como sempre em nossas vidas, o importante é que nunca deixemos de acreditar e lutar por um mundo melhor. O Novo Ano vem sempre com esperança de que possa ser diferente, vc tá certo, cada um de nós tem que fazer a sua parte, continuarei fazendo a minha.
Feliz Ano Novo!!!

Ana Paula Rocha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.