terça-feira, 17 de outubro de 2017

A Verdade Libertadora





Paulo estava tão ansioso quanto no primeiro encontro com Samantha. Mais, até! Andava de um lado para o outro na sala do apartamento, passando as mãos nos cabelos, olhando para as janelas dos apartamentos vizinhos da sacada da sala, roendo as unhas, respirando de forma acelerada. Torcia para que ainda desse tempo, para que Samantha não tivesse desistido.

Samantha se identificou para o porteiro, que já a conhecia. O homem careca deu um sorriso e apertou o botão para que ela entrasse. Atravessou o pátio cimentado, virando à esquerda em direção ao segundo bloco. Apertou as mãos nos bolsos do sobretudo preto, encolhendo os ombros quando atingida por uma brisa. Usou a cópia da chave para abrir a porta, e assim que o fez, respirou fundo e subiu.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Brotheragem e Sigilão





Sempre achei engraçada a expressão não-gay-hetero-fora-do-meio "no sigilo", mais popularmente conhecida como "sigilão". Porque sim, naquela época em que eu não sabia ou fingia não saber o que era, do que gostava, como me sentia, eu era do tipo discreto e fora do meio. E ali, no interior do Rio de Janeiro, vivendo na minha Smallville particular, o sigilo era fundamental. Pensem bem. Estou falando do início dos anos 2000, quando ainda não existiam os APPs de pegação e o bate-papo do UOL ainda era a principal fonte para se conhecer pessoas pela internet.

O tempo passou, a humanidade evoluiu mas as coisas continuam iguais. Eu assumi a minha própria hipocrisia e tenho tentado levar uma vida descomplicada, mas a realidade é que o sigilão continua aí à nossa volta, agora com a companhia de outra expressão que se popularizou nos últimos tempos, a "brotheragem". Nos perfis do Grindr e do Hornet, onde troncos e costas se oferecem para sexo rápido e sem compromisso, sempre no sigilo. E, claro, no bate-papo UOL, que ainda existe (eu juro, fiz um teste para escrever esse texto) e as salas estão lotadas de homens comprometidos que buscam alivio de suas necessidades sexuais, sempre no sigilo e escondidos de suas vidas e suas mulheres.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Urbana Legio Omnia Vincit - A Legião Urbana Vence Tudo




E lá se foram 21 anos da morte de Renato Russo, completados esta última semana.  Se estivesse vivo, seria quase um sessentão.  É estranho, mas de vez em quando fico me perguntando como estariam as pessoas que morreram cedo demais no nosso mundo atual.  Como agiriam Jim Morrisson, Jimmy Hendrix e Janis Joplin, mortos aos 27 anos num corpo de 75?  Será que Kurt Cobain continuaria destruindo guitarras e nossos tímpanos com 50 anos?  John Lennon, quase octagenário, estaria ainda promovendo a paz num mundo entre o ditador Kim Jong-Um e Donald Trump? E Michael Jackson, aos 60, ainda seria um vovô com o espírito de Peter Pan na sua Terra do Nunca?

É tão estranho / Os bons morrem jovens /  Assim parece ser / Quando me lembro de você...”  Esse é o trecho da canção Love in the Afternoon, composta por Renato Russo, presente no disco O Descobrimento do Brasil, da Legião Urbana.  Isso foi em 1993, três anos antes de sua morte.  Quando gravou esse sexto álbum de estúdio, Renato, que tinha iniciado um tratamento para se livrar da dependência química, certamente já sabia que estava doente.  Naquela época, ter o vírus da AIDS era a mesma coisa do que assinar a sentença de morte, que vinha antecipada.  Cazuza, outro talento que morreu devido às complicações da doença já tinha dito que havia visto “a cara da morte e ela estava viva”.  E nessa onda perdemos tantos e tantos talentos...

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Outubro e os Astros




Sabe essas coisas de astral? Signo, ascendente, Lua, Marte, Vênus... Então, eu acredito muito. Não que isso determine a sua personalidade, mas que direcione tendências. Talvez esse interesse tenha surgido quando acompanhava Cavaleiros do Zodíaco. Passei a entender um cadinho de constelações, signos e mitologia grega por causa do desenho. Acredite ou não na força dos astros, eu tenho convicção de que existem momentos no astral em que as coisas ficam mais ou menos propícias a algo.

Por exemplo, o tal inferno astral 30 dias antes do aniversário. Há estudiosos que dizem que isso não existe na literatura astrológica e que teria mais a ver com estarmos com a bateria fraca de boas energias, pois nosso último aniversário (quando recebemos felicitações, beijos, abraços, carinhos que nos abastecem a alma de boas vibrações) já foi há 11 meses. Volta e meia tenho o tal inferno astral fora de época, que chamo carinhosamente de Micareta Astral. Há pouco passei por um desses momentos. Quando menos se espera, ele acaba, sem grades sequelas.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A Verdade de Paulo





Paulo se pegou olhando pela janela. Era segunda-feira, dez da manhã, ele simplesmente não devia estar olhando para a paisagem. Seu escritório ficava no centro da cidade, num dos prédios mais altos. Claro, não tinha dinheiro pra bancar uma sala daquele tamanho num prédio caro como aquele, mas resolveu seguir os conselhos da mãe e cobrar um favor aqui, outro ali, e pronto, conseguiu a sala praticamente de graça. Da janela de seu escritório ele tinha vista para o parque central, viaduto, prefeitura, Sesc da cidade, e condomínios que, apesar de serem caros, precisavam muito de uma reforma, ou pelo menos, uma melhorada na fachada. 

O estagiário de Administração tirou a mente de Paulo de onde quer que ela estivesse, trazendo-a para o presente. Pediu para que assinasse alguns documentos e, enquanto datava os mesmos com vinte e dois de Julho, algo começou a formigar em sua mente. "É verdade...", pensou, "...nosso aniversário de namoro é hoje... caramba, oito anos juntos...". Terminou de datar e assinar, e assim que o estagiário saiu, voltou a olhar pela janela. Tinha se esquecido do aniversário de namoro? Será que era por isso que Samantha estava cabisbaixa naquela semana? Ele não havia dito nada a respeito, afinal, com tanta coisa acontecendo, a luta diária que o escritório enfrentava pra manter os clientes junto com a caça a novos clientes... Com o país enfrentando sua pior crise em mais de cem anos, tudo podia acontecer. O amanhã era incerto, o ontem era uma lembrança dolorosa e o presente tinha gosto de café velho. Desde 2015 que Paulo não sabia o que era ir a um jogo do Fluminense. A camiseta oficial estava parada lá no guarda-roupas. Ir ao Maracanã?! O que era isso? De comer? Não só ao Maracanã, mas em qualquer outro estádio. Paulo só conseguia assistir jogos pela televisão. Ir a um estádio ficava caro, e mesmo ele tendo uma vida confortável, preferia usar o dinheiro que sobrava para investir no próprio futuro. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Três Filmes Espanhóis Surpreendentes e Obrigatórios





Quando se fala em cinema, é natural pensarmos nas produções americanas, já que são elas que dominam o mercado mundial, atraindo multidões e ocupando as salas mundo afora. E, talvez exatamente por isso, muitas vezes deixamos de assistir obras de outros países que podem ser tão boas ou melhores que os filmes americanos. Os cinemas brasileiro, argentino e espanhol, por exemplo, possuem grandes obras que, tantas vezes, acabam não conhecidas do grande público.

Por isso, faço hoje uma coluna especial para recomendar alguns bons exemplos de filmes espanhóis, disponíveis na Netflix, e que servem para aguçar um pouco mais a nossa curiosidade sobre a obra cinematográfica da Espanha, que possui outros bons realizadores além de Pedro Almodóvar. 

Vamos conferir a minha listinha?

sábado, 7 de outubro de 2017

Troca-Troca: Isso Nunca Me Aconteceu Antes?





É difícil um homem admitir, mas provavelmente ele já brochou um dia. Assim como bolos solam, carros morrem e seleções perdem de 7 x 1, todo homem está suscetível a falhar na hora da ereção. Aliás, seria falhar a palavra correta? É tanta expectativa pela penetração que se esquece que sexo é muito além disso. Tanta virilidade, tanta masculinidade depositada em uma ou duas dezenas de centímetros, ao mesmo tempo bombardeados por estresses, cobranças de desempenho digno de filme pornô, ansiedade, instabilidade de humor... Aí não há cabeça que aguente e faça o corpo funcionar plenamente sempre. E a pipa nem precisa ser do vovô para não subir, como na marchinha do Sílvio Santos.

Poucos sabem, mas nas relações homossexuais masculinas é onde há menos satisfação com o próprio pênis e a própria ereção. Justamente porque há comparações com o desempenho do parceiro. Muitos acabam recorrendo aos comprimidinhos azuis como uma tábua de salvação e acabam tendo performances que não são naturais. Vale a pena? Ou melhor encarar com naturalidade o “isso nunca me aconteceu antes” e buscar se divertir de outra forma?

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O Ódio Virtual é a Nova Versão do Holocausto





Para quem ainda não sabia a minha idade, chegou a hora de desvendar.  Nasci em 1969.  E, para contextualizá-los, época da guerra do Vietnã em pleno andamento, e da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética.  O mundo via a corrida espacial com a chegada do americano Neil Armstrong pisando o solo lunar pela primeira vez, e a liberdade flower-power do lendário Woodstock, o maior festival de rock de todos os tempos. Por mais incrível que pareça, este ano também marcou o “nascimento” do que viria ser, décadas depois, a internet.  Em outubro, a primeira mensagem foi enviada por um sistema chamado Arpanet, um embrião da rede mundial de computadores. 

Caos, guerra, tecnologia e contracultura caminhavam juntos, embolados como um universo em expansão após o Big-Bang.  No Brasil, vivíamos o auge do período da ditadura militar com o General do Exército Emílio Médici na presidência.   Apesar da divulgação de que o país vivia um momento de “milagre” com o crescimento da economia e projetos de desenvolvimento com a construção da Transamazônica, a Usina Hidrelétrica de Itaipú e a Ponte Rio-Niterói, existia o lado obscuro da repressão, a tortura e o assassinato de civis que eram contrários ao sistema governamental ou que emitiam qualquer manifestação de opinião.  Eram os chamados “anos de chumbo”, com a completa mordaça nos meios de comunicação, artes e cultura em geral.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Hipócritas Desde 1500





Muito já se falou sobre a nudez na obra do artista Wagner Miranda, no MAM de São Paulo, e o seu contato com uma criança durante uma performance. A tradicional família brasileira atacou novamente e, com agressividade, já o taxou de pedófilo (se você procurar por “artista pedófilo” no Google, já aparecem notícias sobre o episódio) e nojento. Sequer sabem do que se trata pedofilia. Não é de se surpreender, já que há quem se ofenda com uma mulher amamentando uma criança ou com duas pessoas que se amam abraçadas só por serem do mesmo sexo.

O Brasil não está tendo mais vergonha de mostrar a sua face mais retrógrada, quadrada e chata. Enquanto debatemos isso aqui, recebo a mensagem de um amigo que está na Alemanha e foi para um complexo de piscinas e saunas naturistas com famílias, inclusive sua irmã grávida de sete meses, rodeado de crianças. Todos nus, interagindo e sem qualquer conotação sexual. No Brasil, o falso moralismo impera desde 1500, quando os portugueses aqui chegaram e consideraram selvagens os homens nus e pagãos que aqui habitavam. Antes tivesse sido como no poema de Oswald de Andrade:

“Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português”

terça-feira, 3 de outubro de 2017

A Verdade de Samantha






Samantha estava sentada no banco da praça do centro da cidade. O dia estava lindo, poucas nuvens, céu azul, pequenos insetos voadores pra lá e pra cá em busca de alimento, pessoas indo e vindo, apressadas, outras, despreocupadas. Era seu dia de folga e, ao invés de perdê-lo dentro de casa, dormindo (o que seria mais do que compreensível depois de um plantão pesado de vinte e quatro horas), ela resolveu descansar por algumas poucas horas e ir em busca de vitamina D, ar fresco e o que quer que a tirasse de dentro do quarto. Tudo bem que ela poderia fazer isso no segundo dia de folga, ou até no último dia de folga, mas resolveu ir de uma vez, pois sempre que protelava, acabava desistindo.

Tinha feito uma caminhada curta ao som de uma das muitas playlists fitness do Spotify, inspirando e expirando, sentindo o vento bagunçar os cabelos castanho-claros que iam até os ombros, e a luz do sol entrar por sua pele branca. Parou na banca de jornais da praça, comprou uma revistinha de palavras cruzadas e uma caneta, sentou-se e começou a exercitar a mente. Dado momento, ela começou a observar o lugar onde estava. Os insetos, o sol, o vento, o céu, as nuvens, os insetos, as pessoas. Seu olhar seguiu um casal de mulheres. Uma negra de cabelo afro, na casa dos trinta, com roupa de corrida, alta e esguia. A outra, ruiva, mais baixa e também vestida com roupa de corrida. As duas se olhavam com tanto carinho e afeto, os sorrisos iluminando os rostos uma da outra. Sem perceber, Samantha também estava sorrindo. Havia tanto amor ali, mas tanto, que transbordava e atingia as pessoas ao redor. Ao perceber que estava sorrindo, ela riu do fato e voltou para sua revista, mas não conseguiu se concentrar.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Os Esqueletos no Armário





Quem nunca guardou um segredo, uma informação só sua, seu maior orgulho ou maior medo? Querendo ou não, todos temos os nossos segredos. Eles podem ser inconfessáveis, cheios de culpa ou não, ou pequenas besteiras, mas que fazemos questão de manter apenas para nós mesmos.

Durante um pouco mais de duas décadas eu escondia até de mim mesmo que gostava de homens. O meu segredo mais bem guardado e oculto, até de mim mesmo. Principalmente porque não aceitava isso, não queria ser diferente de ninguém. Era o meu esqueleto do armário, aquele segredo que me assombrava, que me fazia ter pesadelos de aceitação. Confess, confess!, gritava a minha consciência dentro da minha cabeça tal qual a Septa fazia para Cersey em Game of Thrones. E tudo que eu pensava era Shame! Shame!.

sábado, 30 de setembro de 2017

Troca-Troca: A Bissexualidade e Suas Questões





Bissexuais: eles estão entre nós, sim. E talvez mais incompreendidos do que os gays. Há quem diga que todos nascemos bissexuais e acabamos indo por preferências baseadas em vivências ao longo da vida; há também os que digam que o mundo um dia será de bissexuais; há quem ache que é somente uma transição da heterossexualidade para a homossexualidade. A nossa velha necessidade de rotular e colocar a humanidade em caixinhas nos faz ter muitas ideias sobre os bissexuais, mesmo não nos considerando um deles.

Fato é: o maravilhoso mundo da bissexualidade poderia ser para muitos, mas é para poucos. Porém, o que te torna bissexual? Uma pessoa que se considera hetero beijar uma pessoa do mesmo sexo? Um gay transar com uma mulher ou uma lésbica com um homem? Estamos todos nós deixando de aproveitar muito mais possibilidades no sexo e no afeto, ou realmente são poucos os que vão gostar de pinto e ppk

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

E Assim Fui Sendo Criança Para Sempre




Essa semana estava ensacando os doces de Cosme e Damião que todos os anos a minha avó distribui e fiquei divagando enquanto separava as balas, mariolas, geleias e bombons entre cada saquinho.  Por um momento, relembrei minha infância como se fossem projetados fotogramas envelhecidos, riscados e amarelados na minha mente, sujos pela memória e pela crueldade do tempo.

Quando criança, sempre morei em subúrbios e no dia de Cosme e Damião era muito comum o corre-corre das crianças atrás de doces.  A maratona começava cedo: eu e meus dois irmãos mais novos colocávamos as mochilas nas costas e íamos os três, de mãos dadas, atrás dos saquinhos.  Naquela época, praticamente todos os vizinhos faziam a distribuição.  Alguns eram mais caprichados, outros nem tanto.  Tinham uns que previamente entregavam uns cartões, que eram a senha para o passe-livre... Era quase uma área vip à glicose.  Os que davam doce “com cartão” quase sempre vinham acompanhados de brinquedos bacanas.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Desculpa Por Ter Sido Um Babaca





Sempre quando a gente se imagina em uma história, somos os heróis. Os mocinhos incompreendidos. Em nenhum minuto sequer nos colocamos como os vilões da trama. Os filho da puta. Somos os mocinhos, sempre... Mas, se for parar para analisar friamente, certeza que você vai conseguir listar duas ou três vezes que foi vilão na vida de alguém. Ninguém é o mocinho o tempo todo. É impossível...

Algum tempo atrás eu me vi do lado oposto. Eu me vi sendo um completo babaca. E o pior? Eu tinha consciência disso. Sabia que estava fazendo alguém que eu gostava sofrer. Estava confuso e achava que aos 18 anos não era possível encontrar o amor da minha vida... Ninguém encontra o amor da sua vida aos 18 anos, não é mesmo?...

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Sobre Ser Macho





Estava eu caminhando no centro do Rio, próximo à Estação Carioca, chegando ao escritório da minha empresa pela manhã, quando fui abordado por um rapaz. Passado o sobressalto de ver que não era nenhuma ação criminosa (tristemente, temos vivido tempos em que não há hora nem local para a violência, e essa área da cidade já é um local de muito assalto), parei para ouvir o que ele tinha a dizer. Estava todo cheio de dedos:
- E aí, cara. Poxa, queria te fazer uma pergunta. Não me leva a mal, mas é que eu tô procurando uma mochila tipo essa sua há algum tempo. Onde você comprou?
Após revelar que havia sido na Renner, para o espanto dele, ele prosseguiu:
- Pois é, ela é grande e social, dá para ir trabalhar e levar as coisas da academia. Mas não estava encontrando. Mulher é que costuma se falar mais para essas coisas, a gente acaba não sabendo.
Os motivos que ele elencou para querer uma mochila como a minha (na verdade, é uma bolsa de couro sintético bem trambolhuda, mas elegante) foram exatamente os que me levaram a comprá-la. Mas os motivos que o fizeram ter tanta vergonha em me abordar (e ainda justificar o ato como algo “feminino”) foi o mesmo que rege tantos dos comportamentos humanos há séculos, no nosso país e mundo afora: essa tal “macheza”.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Não Há Nada Errado Em Querer Ficar Nos Bastidores





Eu tenho vários traumas. "Nossa, Glauco, só você, né? Pobrezinho...". Eu sei que é isso que alguns de vocês pensaram, sem nem me deixar continuar. Mas sim, eu tenho vários traumas, e apesar de ter superado muitos deles, alguns permaneceram e vez ou outra eu me vejo entrando em pânico. 

Tudo começou, adivinhem só, naquela instituição religiosa. Com o tanto de responsabilidade que me foi dada, tipo cantar, tocar, reger, organizar, coordenar, etc, eu acabei ganhando certa evidência. Não que eu tivesse pedido, por mim só tocar, cantar e reger tava bom demais, mas enfim. Junto com essa evidência veio uma exposição horrível. Meu nome era citado. Dedos eram apontados pra mim, em público. O público me tinha sob sua mira constantemente por causa disso. Ser bom no que eu fazia me custou muita coisa, inclusive desgaste psicológico. Eu era bom, muito bom, mas muita gente se incomodava com aquilo, e quanto mais incomodados, mais exposto eu era. 

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Sobre Instagram, Likes e (Muita) Futilidade





Preciso começar esse texto com uma confissão. Eu sou um adepto das redes sociais. Tenho Facebook, Instagram, Twitter (que uso bem pouco) e sou inscrito em uma porção de outras que nem uso mais. Minha vida está eternizada em postagens diversas e fotos aleatórias de comida (adoro fotografar o que como), momentos de lazer ou de ócio, além de viagens e ocasiões que eu julgo especiais. Alguns amigos até mesmo me consideram exibicionista demais, postando minha cara a todo o momento em fotos desnecessárias. E sim, eu acho realmente que posso ser um tanto quanto assim.

Falar disso e não me lembrar do espetacular episódio Nosedive, da terceira temporada de Black Mirror, é impossível. No episódio, acompanhamos a personagem Lacie Pound, brilhantemente defendida por Bryce Dallas Howard. Em um mundo em que as pessoas são avaliadas por sua popularidade nas redes sociais, Lacie cai em desgraça quando, por uma série de acontecimentos diversos, ela vê sua pontuação caindo durante o episódio, fazendo de tudo para continuar relevante em uma sociedade em que o que conta é a aparência, não a realidade. Um soco no estômago, daqueles que apenas Black Mirror sabe dar em você.

sábado, 23 de setembro de 2017

Troca-Troca: Gays Machistas, Eles Estão Entre Nós?





machismo: substantivo masculino. 
1. qualidade, ação ou modos de macho; macheza. 
2. exagerado sendo de orgulho masculino; virilidade agressiva.

Descrito como no dicionário, o machismo pode nem parecer tão nocivo. Mas, vivendo em uma sociedade machista como a nossa, é fato que o "senso de orgulho masculino", aliado a uma "virilidade agressiva" causam mais mal do que bem à sociedade como um todo.  

Mas, falando em machismo, pensamos imediatamente em homens hetero, principalmente com um estilo meio ogro de ser. Ledo engano. Existem machistas de todos os tipos, incluindo mulheres e até mesmo gays. E o nosso Troca-Troca de hoje surgiu de uma conversa banal de um de nossos colunistas com outras duas amigas que afirmaram que, generalizando, os gays são machistas. Será?

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Aceitar e Respeitar: A Melhor Terapia





Essa semana fui surpreendido (surpreendido talvez não seja a palavra ideal... Talvez seja estarrecido) com a triste notícia da tal decisão judicial, em caráter liminar, permitindo com que os profissionais de psicologia possam oferecer tratamentos contra a homossexualidade, que desde 1999 estavam proibidos nos consultórios através de uma resolução do Conselho Federal da classe. Vale ressaltar que o conselho (que vai recorrer da decisão) se baseou no movimento da OMS (Organização Mundial da Saúde), que deixou de considerar a homossexualidade como doença em 1990.

Evidentemente, a decisão causou uma revolta nas redes sociais, pois é inaceitável esse retrocesso despropositado. Não sou psicólogo, mas sempre gostei muito de bater papo com profissionais da área e esse tema sempre esteve presente na maioria das conversas. A tal “cura gay” (um termo inventado pela imprensa imediatista) nada mais é o que alguns profissionais (já cassados) estavam publicizando a possíveis clientes. Má-fé, eu diria, com toques neonazistas. 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O Fim do Mundo é Logo Ali...





Já sobrevivi alguns finais de mundo. Sei lá, acho que desde 1999 escuto o papo que o mundo vai acabar. Particularmente falando, o meu só acabou quando minha avó faleceu. Acho que quando perdi meu pai também foi um final de mundo, mas tinha dois anos e não lembro direito como era a vida antes, só tenho registro mental do pós. Depois do final... Mas quando o mundo acaba a gente sobrevive. 

Mas, de todas as vezes em que chegou aos meus ouvidos que o fim estava próximo, pela primeira vez começo a acreditar que isso irá acontecer. É tragédia por todos os lados. Furacão, terremoto, ameaça de guerra... Doenças que há muito já estavam extintas retornando e... A aparente "cura" para quem não está doente. Não como outros humanos desejariam que estivéssemos. 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Não é Uma Questão de Cura




Pessoal, vamos parar com essa coisa de “não existe cura para quem não está doente”. Não é esse o discurso que precisamos nesse momento. Aos olhos de quem acha que somos doentes, é como um bêbado que fala que está ótimo e pega a chave do carro para dirigir. Não estaríamos nós em sã consciência para falarmos sobre o nosso suposto estado patológico. Não adianta.

Doeu muito fundo a liminar que libera a tal “cura gay”, com o pretexto de que seria censura não permitir que uma pessoa queira apoio e tratamento para não ser o que ela não quer ser. Retrocesso, ultraje, covardia. Avançamos muito nos últimos anos, embora ainda sejamos muito hostilizados e agredidos e até mortos (não custa lembrar que o Brasil é o país que mais mata LBGTs no mundo, mesmo diante daqueles em que homossexualidade é considerada crime). O golpe foi duro e precisamos fazer barulho, sim. Temos o Conselho Federal de Psicologia ao nosso lado e eles mesmos não ficarão quietos enquanto isso não se resolver. Não é uma guerra perdida, apenas uma batalha.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Tempo, Tempo, Tempo, Tempo





Barra Mansa, 20 de Abril de 2006.
Colégio Luiz Gonzaga de Mattos, Santa Rosa
Turma 30002 - Sala 06
09:07h

Há dez anos, a professora Patrícia, de Química, pediu pra que escrevêssemos uma carta com o que desejávamos para o nosso futuro, e o que esperávamos que fosse acontecer. O combinado era que ela jamais abriria as cartas, e que só nos entregaria dez anos depois.

Ano passado rolou um encontro com os alunos para que recebessem e lessem suas respectivas cartas. Eu não fui porque tinha acabado de conseguir um emprego aqui em Florianópolis, e depois de muitos contratempos, minha carta chegou semana passada. O conteúdo? BEM... Eu posso dizer que fiquei um tanto quanto chocado.

Pra começar, eu tinha 19 anos, uma letra horrível (não que tenha melhorado muito) e, aparentemente, eu tinha feito muita merda e magoado um bocado de gente, mas também tinha ajudado outras pessoas, tudo porque a carta começava dizendo que eu tinha feito muita merda naquele ano, que tinha magoado algumas pessoas e ajudado outras, então... E também tive muitas batalhas travadas comigo mesmo, bem Maria do Bairro, bem dramático. Pelo menos eu me diverti muito, então nem tudo foi um completo desastre.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O Inevitável Trem e Uma Reflexão Sobre a Vida, os Amores e a Nossa Finitude





Eu adoro teatro. Lembro de, quando bem mais novo e ainda morando no interior, do tanto que esse mundo me fascinava. Não era comum que peças fossem encenadas na minha cidade e, quando isso acontecia, normalmente era pelo esforço individual de algumas pessoas da região que apreciavam a experiência. E eu, todas as vezes, prestigiava as poucas peças que chegavam até nós. 

Mas o tempo passou, eu sai de Smallville e desbravei a vida na cidade grande. Lembro que quando me mudei para o Rio, eu fazia questão de pelo menos uma vez ao mês ir ao teatro e conferir o que estava em cartaz. Entretanto, com a rotina e os afazeres, fui deixando esse hábito um pouco de lado até que, atualmente, eu vou muito esporadicamente ao teatro, o que considero um lapso que preciso contornar.

Assim, depois de um longo inverno longe das plateias, fui assistir na última terça-feira ao espetáculo O Inevitável Trem, estrelado por Carla Nagel e Giuseppe Oristanio, atualmente em cartaz no Teatro Cândido Mendes, em Ipanema. E, confesso que fui sem expectativas. Eu não sabia muito sobre a peça, apenas que se tratava de um  último jantar entre um casal que repassava sua história depois de uma separação. E foi assim que me permiti mergulhar em uma verdadeira reflexão sobre relações, amores, vida e até mesmo sobre a nossa finitude.

sábado, 16 de setembro de 2017

Troca-Troca: E Você, Manda Nudes?





Informação aleatória, mas necessária: o texto mais lido de toda a história do Barba Feita é do nosso colunista das terças-feiras, o Glauco Damasceno. E sobre o que é esse texto? Sim, sobre elas, as nudes. Publicado em abril de 2016, Manda Nudes!, o texto do Glauco, está sempre sendo lido, compartilhado e aparecendo na nossa lista de mais lidos. Ponto pra ele que, sagaz e meio que sem querer, descobriu como agradar aos leitores e atrair visitantes.

Por isso, pensando no nosso tema da semana, falamos delas, as nudes. Afinal, que atire a primeira pedra quem nunca recebeu ou enviou algum tipo de foto mais íntima, trabalhada ou não. Mas fica a dúvida: por que as nudes atraem tanto a nossa atenção? Por que aquilo que se esconde embaixo de nossas roupas desperta tanta curiosidade? Pau é pau, peito é peito, pepeka é pepeka, não é mesmo? Ou será que não?

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Hoje é Dia de Rock, Bebê!




Nunca me esqueci desta data: 12 de janeiro de 1985, 7h da manhã. Levei uma surra bíblica da minha mãe quando voltei pra casa, com o sol na cara. Havia saído de casa na tarde do dia anterior dizendo que faria um trabalho do colégio (em plenas férias). Na verdade, tinha fugido, com a ajuda de uma amiga mais velha rumo à Barra da Tijuca para o primeiro dia de shows do Rock in Rio. Eu tinha acabado de fazer 15 anos. Idolatrava o Queen e curtia demais o Iron Maiden. Naquele dia, as duas bandas tocariam no festival, com o Whitesnake de quebra para quase 300 mil pessoas. Para abrir o espetáculo, Ney Matogrosso, Erasmo Carlos, Baby (que ainda era Consuelo) e Pepeu Gomes fariam as honras da casa.

Numa época onde ainda não existia celular, era impossível se comunicar. Sabia que levaria uma surra da minha mãe por ter inventado essa história esdrúxula, mas era uma oportunidade única de assistir s duas bandas que mais curtia naquele momento. Freddie Mercury era para mim uma espécie de Deus dos palcos. Tinha assistido algumas performances através de uns programas na tevê e o disco A night at the Opera, que eu ouvia sem parar na velha vitrola. O Iron tinha uma fama de satânico, ajudado pelas sinistras capas dos LPs, com o monstro-mascote Eddie. Lembro que uma vez comprei um pôster imenso em madeira na rodoviária de Caxias e coloquei na parede da minha cama. Meus pais detestavam aquilo.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Quinze Dias, de Vitor Martins





Crescer sendo gordo é horrível. Não por culpa da criança que é gorda, mas por conta dos outros. Os coleguinhas do colégio, por exemplo, acham normal esquecer que você possui um nome e criam os mais diversos apelidos (todos ligados ao formato do seu corpo, é bom lembrar). E tudo isso para te chamarem da maneira "mais engraçada/constrangedora" na frente de estranhos. Pessoas que não sabem se você se importa ou não de ser chamado de maneira tão... Ridícula pelo amiguinho..

Mas o que é ruim sempre pode piorar. Ainda mais se o gordo em questão não souber fazer piadas ou ser o engraçadinho da turma. Já é gordo e, ainda por cima, sem "graça"? Aí já é sacanagem com os outros e com o pobre gordo, que será, novamente, o sacaneado pela sala inteira por não ser "humorista". 

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O Menino-Autor, a Bienal e Cinco Anos



Nessa quinta-feira, 14 de setembro, completam cinco anos de um dos dias mais importantes da minha vida: o lançamento do meu livro Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades. Foi a primeira vez que os meus textos, escritos ao longo de dois anos e guardados por outros oito, foram reunidos e tornados públicos de uma só vez. O primeiro livro é um marco na vida de qualquer autor; para uns, pode ser filho único. Para mim, não foi. E espero lançar outros ainda.

O que poucos sabem é que, na Bienal do Livro do Rio de 2009, eu já participei de uma coletânea de contos, junto a outros autores. Chamava-se Contos de Todos Nós, lançado pela Hama Editora, num projeto ambicioso de tentar demonstrar a possibilidade de o meio editorial ser mais ágil. A editora recebeu mais de 700 contos no primeiro fim de semana da Bienal, selecionou 20 ao longo da semana, diagramou, rodou e publicou o livro no segundo fim de semana.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Pais e Filhos, Filhos e Pais





Dia desses viralizou uma brincadeira feita pelos pais de Maysa, que se formou em Jornalismo, e foi surpreendida por eles, que levaram este cartaz:



HAHAHAHAHA! De novo, foi uma brincadeira, e eu dei bastante risada, mas fiquei pensando numa coisa: quantos pais não fazem isso de brincadeira? Teve uma novela da Globo que tinha o núcleo da mãe que nunca conseguiu ser bailarina, então projetou o sonho perdido na filha, o que foi um puta tormento pra criança, já que ela queria... bem, ser uma criança, mas a mãe a privava de muitas coisas por conta do sonho, e fazia da vida da menina um inferno.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O Lado Bom das Merdas




Eu ando meio Pollyanna. Não, nada de transição de gênero em que eu vá virar uma menina-moça, como no segundo livro da personagem icônica. Ok, piadinha infame. Mas sim, ando fazendo o Jogo do Contente, imortalizado na literatura pela criação da autora Eleanor H. Porter, no clássico de 1913.

Para quem não está familiarizado com a trama (o que é um absurdo, devo dizer), Pollyanna era uma menina de 11 anos que, após a morte de seu pai, um missionário pobre, se muda para a cidade para morar com uma tia rica e severa, que ela nunca conheceu. No novo lar, passa a ensinar às pessoas o Jogo do Contente, que havia aprendido com seu pai. O jogo consiste em procurar extrair algo de bom e positivo de tudo, mesmo nas coisas aparentemente mais desagradáveis.

sábado, 9 de setembro de 2017

Troca-Troca: Amor Livre





No feriadão da Independência, o Barba Feita veio falar de liberdade. Mas não é de qualquer liberdade. Nosso Troca-Troca desse fim de semana esquentou e resolveu tratar do amor livre. Amor, por si só, já é algo pelo qual todo mundo se interessa. E quando esse adjetivo tão simples e positivo se junta e traz a concepção de uma coisa completamente nova?

Modernidade? Safadeza? Caminho natural? Amor livre, para você, é sinônimo de poligamia? Poliamor? Ou putaria mesmo? Os meninos do Barba Feita parece que não vieram explicar, mas, diferentemente de Chacrinha (que veio para confundir), eles lançam luz sobre um assunto ainda meio tabu na nossa sociedade.

Será que amor livre é quase um pleonasmo, como nos diz o Paulo Henrique Brazão? Ou uma quase filosofia-de-vida, como ressaltou o Marcos Araújo?

Será que todos têm uma visão simpática dessa liberdade? Vamos ao nosso Troca-Troca!

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Xô, Agosto! Chega Aí, Setembro!




Tenho um ranço terrível pelo mês de agosto. No último dia do mês, ao dormir, os sonhos intranqüilos sempre me perseguem. Como todos os anos, tenho um pesadelo: ao acordar no dia seguinte, enquanto sonolento tomo o meu café, viro a página da folhinha de parede e me deparo com um dia 32. Sempre digo que agosto tem 365 dias. Depois que ele termina, o restante voa. No fim de setembro, as lojas mais apressadinhas já começam a se enfeitar para o Natal. Mas qual o motivo das pessoas sempre associarem este mês como azarento?

Se a gente olhar para a história, agosto sempre foi um mês cinzento. Os romanos morriam de medo, pois a constelação de Leão ficava mais visível e eles achavam que era a maldição de um dragão que cuspia fogo pelos céus. A Primeira Guerra Mundial, apesar de ter começado no finalzinho de julho, explodiu mesmo em agosto de 1914. Na Segunda Guerra, o fim se deu com o bombardeio atômico nas cidades de Hiroshima e Nagasaki nos dias 6 e 9, em 1945. Três mulheres que foram ícones em todo o mundo, morreram em agosto: Carmem Miranda, em 1955; Marilyn Monroe, em 1962; e a Princesa Diana, em 1997. Hitler se tornou o Chefe de Estado em agosto de 1934. O muro de Berlim começou a ser construído em agosto de 1961. No Brasil, três fatos terríveis para o país aconteceram também em agosto: Getúlio Vargas cometeu suicídio em resposta aos ataques de seus opositores em 1954, Jânio Quadros renunciou deixando o Brasil mergulhado em uma crise política em 1961, e Juscelino Kubitschek morreu em um acidente de carro em 1976. 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Recomeçar. Mil Vezes Recomeçar... De novo!





Recomeçar, de qualquer ponto de vista, é animador. E também assustador. Eu mesmo estou recomeçando de novo. Meu atual emprego acabou e voltei pra casa. Antes estava preso em um casulo de trabalho e que os principais assuntos do meu dia envolviam coisas que estavam diretamente ligadas ao... trabalho. Foi ótimo. Foi lindo. Mas acabou. E agora me pego meio que vazio, com espaço para minhas coisas. Só que não tenho mais certeza quais elas são.

Ficava, no meu tempo livre, listando coisas que faria assim que tivesse o tão famigerado e desejado tempo. A lista era interminável. Envolvia organizar meu quarto, minhas listas de vídeos que gravaria para o Youtube. Além, é claro, começar a malhar e, quem sabe, escrever um livro. 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Divina Diva




Segunda-feira à tarde, na reprise de Tieta no Canal Viva, Ninete chegou a Santana do Agreste cercada de mistérios e expectativas. Todos na pequena e fofoqueira cidade queriam saber da “despachante” da protagonista, recém-chegada de São Paulo. Classuda, um pouco exuberante e até meio esnobe, Ninete causa. E ainda vai causar mais nos próximos capítulos, exibidos originalmente em 1989 na TV Globo.

Ironicamente, Ninete é a personagem de Rogéria. Poucas horas após o seu desembarque na reprise da novela, quem lhe deu vida partiu dessa para outra. No intervalo da programação, coincidentemente um comercial que está no ar há semanas passava um trecho do Vídeo Show em que Rogéria aparecia bradando: “Felicidade!”.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Como Eu Tinha Me Esquecido Disso???





Ai, ai, gente... Alguém aí tem a mania de ficar viajando quando outra pessoa está falando? Dia desses eu tava ouvindo um amigo falar sobre um monte de coisa, e quando dei por mim, estava pensando num dos episódios de Ultimate Spider-Man, e tive que fazer um esforço gigantesco pra voltar pro assunto. Sorte que tenho umas palavras automáticas que me salvam de possíveis constrangimentos. E porque Rafael estava comigo, então ficou mais fácil.

Mas e aí, tudo legal? Comigo tá tudo legal também, e se com você não está tudo legal, não se preocupe, uma hora fica.

O texto de hoje ia ser sobre outra coisa totalmente diferente, mas como eu perdi o fio da meada nele, resolvi deixá-lo pra semana que vem, afinal, não quero vir trazendo qualquer coisa, certo? Certo.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Tijuca Mirim e Pico da Tijuca: Uma Aventura Moderada Para Trilheiros





Há três meses, uma amiga me disse que iria fazer a trilha da Pedra Bonita com outras duas amigas. E eu, sempre avesso a esse tipo de aventura, disse que iria também. A surpreendi, mas eu realmente queria fazer o passeio. Na verdade, estou numa fase de desconstrução, tentando viver outras experiências e tirando proveito de coisas novas e que eu normalmente não faria. A trilha pra Pedra Bonita foi maravilhosa e rendeu até um post aqui, em que eu descrevia e indicava o passeio.

E foi nesse dia que decidimos tornar as trilhas uma rotina mensal em nossas vidas, escolhendo um destino para ser desbravado a cada mês, com o mesmo grupo ou até mesmo com pessoas novas que quisessem se juntar a nós. Depois da Pedra Bonita, resolvemos fazer outra trilha fácil, a do Morro da Urca, que encaramos em julho (no dia seguinte ao meu aniversário e que eu fiz "virado" depois de uma noite de muitas comemorações e muito álcool - e foi ótimo mesmo assim!). E nosso último destino foi o Pico da Tijuca, que visitamos no último sábado.

sábado, 2 de setembro de 2017

Troca-Troca: Éramos Seis





É só isso. Não tem mais jeito. Acabou. Boa sorte. Parafraseando de forma meio piegas Vanessa da Matta e Ben Harper, a gente se despede, agradece e deseja os nossos melhores votos ao Esdras Bailone, companheiro de Barba Feita aos sábados desde a sua fundação, quase três anos atrás. Também piegas é o título do texto, a gente sabe. Mas não poderíamos perder a oportunidade de usar o trocadilho, porém com um alerta: éramos seis e não seremos mais.

Esdras não será substituído. Poderíamos aqui adotar um discurso de valorização do nosso colega, dizendo que ele é insubstituível. Na verdade, ele é ímpar e único, mas não é insubstituível. Outros dois colunistas originais do Barba Feita já nos deixaram e foram brilhantemente sucedidos (a gente puxa saco mesmo, tá?). Fato é que percebemos que, com um colunista cada dia, faltava um momento em que conseguíssemos amarrar o que cada um falava. Enxergar o Barba Feita como um time mesmo, e não como um bando de pensadores isolados.

Por esse motivo, nasce hoje a coluna Troca-Troca. Todo sábado, juntaremos os cinco colunistas remanescentes do Barba Feita para debater um tema livre, num literal cinco contra um (estamos adorando todos os trocadilhos que essa coluna permite!). Pode ser o assunto da semana ou uma ideia que nunca morre. O que importa é que, nessa coluna de nome sugestivo, você poderá acompanhar, brevemente, o que cada um pensa sobre um determinado tema. Sem o compromisso com a concordância ou a divergência, somente com a oportunidade de ouvir opiniões distintas e, ainda assim, todo mundo seguir civilizadamente amigo e de bem com o outro. Legal, né?

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O Bizarro Mundo de Santiago Nazarian





Desde molequinho, sempre gostei de literatura nacional, incentivado por uma professora que me presenteava com edições do Para Gostar de Ler, da Editora Ática. Aos dez anos, já devorava as obras de Paulo Mendes Campos, Cecília Meireles, Rubem Braga e Carlos Drummond de Andrade, algo bem incomum para um pré-adolescente. Machado de Assis, por exemplo, sempre foi um dos meus autores favoritos. Apesar de não ter entendido Dom Casmurro de imediato, este clássico acabou sendo meu livro de cabeceira por muito tempo. Por isso, os escritores brasileiros estão incessantemente presentes na minha lista dos dez mais de todos os tempos.

Recentemente, em uma entrevista que concedi a uma rádio para divulgar meu primeiro livro, citei alguns autores nacionais como base de minha inspiração e o entrevistador percebeu meu entusiasmo enquanto falava das obras deles. Nos últimos anos, tenho consumido inúmeros livros de escritores brasileiros e alguns deles têm me surpreendido bastante como os ótimos Raphael Montes, João Paulo Cuenca, Daniel Galera e Santiago Nazarian. Todos os quatro estão em plena produção atual e o último que me referi, o Santiago, acabou de lançar o ótimo romance Neve Negra, que saiu pela Companhia das Letras. O livro já está, inclusive, com os direitos vendidos para a RT Features, que produziu o sensacional e assustador A Bruxa nos cinemas.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

P!nk, o Grande Discurso do VMA 2017




Já tem uns anos que vejo o VMA mais como uma tradição do que algo realmente interessante. Vez ou outra existe uma performance que faz valer a pena o tempo de nossas vidas que gastamos ali, assistindo piadas sem graça e cantores que nem sabíamos que existiam.

No domingo, estava sem esperanças de algo me empolgar de verdade. Mas essa impressão foi deixada de lado após P!nk subir ao palco e mostrar porque é um ícone! O madley dos seus maiores sucessos foi de arrepiar! Mas não parou por aí. Em seu discurso de agradecimento ela citou uma conversa que teve com sua filha e isso me pegou de jeito!

Willow, que tem só seis anos, disse para a mãe que é a menina mais feia que conhece! Como assim? Como uma menina de seis anos pode vir a ter um pensamento como esse? Crianças são crianças. Preocupação com beleza já nessa idade? E nesse grau de se classificar como a mais feia? Tudo bem. Devemos pensar que isso é só coisa de criança. Seis anos, vai esquecer em dois segundos e ir brincar.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

“Nunca Diga Nunca, Jamais!”





A primeira vez que ouvi essas quatro palavrinhas juntas foi em algum número musical quando eu era criança. Tentei puxar na memória se seria de um desenho, um programa, mas não adiantou; nem o Google ajudou. Mesmo sem saber a procedência, a mensagem ficou na memória e, volta e meia, faz sentido. Afinal, ser humano não é uma ciência exata e o que negávamos anos atrás pode ser a nossa nova realidade no futuro – mesmo que ainda não fira os nossos princípios.

Tantas coisas que para mim eram convicções hoje são dúvidas. E coisas que jamais pensaria experimentar eu vivencio intensamente. Talvez por preconceitos ou por conceitos mesmo. Desde as mais simples até patamares dos mais importantes. Um exemplo? Há poucas semanas, completei 10 anos na minha empresa, fazendo assessoria de imprensa. Quando optei pelo jornalismo, 15 anos atrás, imaginava que passaria a minha vida profissional dentro de uma redação. Tive quatro anos de experiência nesse sentido, o restante todo foi em assessoria. Logo eu, considerado pelos meus professores um dos alunos mais talentosos daquela geração de jornalistas; que já estagiava na área desde o segundo período da faculdade. Hoje sou grato a esse caminho ao qual a comunicação me apresentou.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Obrigado, Marvel! Obrigado, Netflix!





MINHA NOSSA, QUE SÉRIE MARAVILHOSA! (Não se preocupe, não vai ter spoilers aqui!)

Desde que foi anunciada a criação de Marvel's The Defenders, eu fiquei alucinado, mas como só tinha assistido Marvel's Jessica Jones, me rendi aos encantos de Marvel's Daredevil e Luke Cage (que preciso terminar, inclusive), e até assisti aquele erro que foi Iron Fist, mas só porque era a última série e, supostamente, era pra entregar a série pra The Defenders. Mas não entregou.

PORÉM...

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Friday Night Lights





É sexta-feira à noite enquanto escrevo essas linhas. O que é engraçado, pois se esse texto virar realmente a minha coluna da semana, ele vai ser lido apenas na segunda ou depois disso. Mas, divago. Da janela do meu quarto olho pro céu escuro e quase sem estrelas, mas consigo avistar a lua, linda, brilhando solitária no céu do Rio de Janeiro. À minha frente, um grande vão de arvores, rodeado de prédios. Aqui, deitado e solitário no meu quarto, apenas eu.

Apago as luzes, coloco músicas diversas a tocar aleatoriamente no Spotify e digito. Pensativo, solitário, me sentindo bem, apenas com as luzes de fora, do céu e as artificiais, a iluminar o ambiente.

sábado, 26 de agosto de 2017

A Última






Eu posso pensar em dezenas de clichês pra dizer que esse é meu texto de despedida. Mas não uma despedida definitiva. Essa é apenas minha última coluna de sábado, como colunista fixo. Pois é, chegou a minha hora de dar tchau, e tentarei ser o menos dramático possível. Tenho uma forte tendência em transformar despedidas em atos solenes. E embora colocar um ponto final em minha última coluna semanal no Barba Feita seja significativo, também não é pra tanto.

Vamos aos cálculos. Foram mais de dois anos. 34 meses. 142 semanas. E 133 textos escritos por mim. Acho que não é pouca coisa, e me sinto feliz e satisfeito por uma ideia despretensiosa saída da cabeça do Leandro Faria ter dado tantos frutos textuais.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Melhor Que a Encomenda





Dia desses, estava dentro de um Uber e no rádio estava tocando Help, com a Tina Turner. Já fazia um bocado de tempo que eu não ouvia essa canção. O motorista perguntou se o rádio me incomodava e eu respondi que muito pelo contrário, quando então, ele aumentou o volume. Minha memória voltou a 1984, quando estava iniciando os estudos do nível médio (antigo segundo grau) em um colégio diferente, em outro bairro. Tinha passado a infância inteira somente atravessando uma rua para chegar ao colégio e ter meus amigos por perto quando me vi distante de tudo e de todos, tendo que recomeçar. Lembro que essa música abria a minha fita cassete que eu ouvia no meu walkman no trajeto de ônibus até a escola. Sim, naquele tempo, gravávamos as músicas em fitas cassete Basf 90 encostando o gravador no alto-falante do aparelho de som e torcendo para a rádio não soltar nenhuma vinheta até a música terminar... 

Tina gravou Help para seu quinto álbum de estúdio, o aclamado Private Dancer e eu passei uns vinte anos achando que Help era dela mesmo e não uma versão de Help, dos Beatles, gravada em 1965. Aliás, neste mesmo disco, também tem Let's stay together, muito tocada nas rádios, mas que também era uma versão da canção de Al Green, e 1984, música que fechava o disco, que já tinha sido composta e gravada por David Bowie.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Anitta é Malandra!!!




Menos de um mês atras, eu quase escrevi um texto sobre Anitta e Pabllo Vittar. O assunto, é claro, seria o lançamento do clipe de Sua Cara. Acabou que por questões políticas do nosso país deixei de lado essa ideia, mas sabia (tinha total certeza) que Anitta seria tema de um futuro texto para esse espaço.

E vocês pensavam mesmo que ela não daria motivo pra isso? Há duas semanas saiu a notícia que viria um novo clipe em setembro. Logo depois, quando a assessoria da cantora confirmou o fato, nomes começaram a pipocar. Afinal, seria com Bieber, produtores dele e em inglês? Ou seria algo solo e em português? Pouco tempo depois tivemos a informação que o clipe seria gravado no Vidigal e teria parceria com Tropkillaz, que é responsável por músicas e vídeos de sucesso por aí! Mas eles não eram os únicos a ter um pedaço da rainha do pop brasileiro. Sim, a letra seria em português, gravado em uma favela e com partes em inglês!