terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Aquela Mania Feia, Sabe?





É o tipo de coisa que acontece o tempo todo, mas que a gente vê acontecer às claras em época de ENEM: menosprezar profissões que, por algum motivo cósmico, muita gente acha que não são dignas, ou são ridículas, de gente sem estudo, só porque não têm certo... glamour? Acho que isso.

São sempre as mesmas piadinhas com atendente do Bob's, McDonald's, também com garçons, motorista de ônibus, atendente de shopping... Não só piadinhas, como também uma péssima atitude para com essas pessoas, por elas terem o emprego que têm, como se o fato de não terem feito Medicina, ou Administração, ou Arquitetura, as colocasse num patamar inferior dentro da sociedade, afinal, todo mundo sabe fazer seu próprio Mc Lanche Feliz, ou Milkshake crocante (aquele que é o de Ovomaltine do Bob's, mas que precisou mudar de nome, e que continua delicioso, ao contrário do McDonald's).

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Como é Difícil Ser Adolescente Hoje Em Dia...





Eu almoço todos os dias com dois colegas de trabalho que se transformaram em amigos de longa data. Já se vão 14 anos desde que nos conhecemos e, com esse tempo, desenvolvemos uma relação bem mais sólida do que se pode imaginar que pessoas que apenas trabalham poderiam ter. E, por termos idades próximas e sermos da mesma geração (algo raro na nossa empresa, que tem uma grande maioria de pessoas mais velhas), as afinidades são muitas.

Dias atrás, depois de fazermos uma gordice no almoço e irmos comer num rodízio de pizzas (sim, somos desses), entramos em uma conversa sobre as novas gerações e em como os adolescente de hoje em dia não conseguem dar valor às coisas que tem. Graças à tecnologia, com praticamente o mundo ao alcance de poucos cliques, essa geração não consegue valorizar verdadeiramente as ferramentas disponíveis, bem diferentes de nós, nascidos na década de 80. E, apenas durante o tempo de uma rápida viagem de metrô , conseguimos ser saudosistas e nos lembrar de várias atividades que marcaram toda uma geração e que, graças ao mundo moderno, caíram em desuso nos dias atuais.

Com serviços de música e vídeo por streaming ao alcance de apenas um clique, como valorizar o trabalho que já se teve um dia para apreciar uma canção ou assistir a um filme? Lembramos bem de como era ficar de prontidão, com o dedo no REC do radio gravador, esperando por aquela música específicas que queríamos gravar na fita cassete. E, de brinde, ainda ganhávamos, na maioria das vezes, uma chamada da rádio no meio da canção, marcando aquele esforço hercúleo para gravar a dita cuja. E você pode estar se perguntando: rádio gravador? Pois é, meus caros, isso já existiu e era um verdadeiro símbolo de status. Assim como o walkman, que tocava fitas cassete e que, muito tempo depois, foi substituído pelo discman, um reprodutor portátil de CDs que, em sua época, era o ápice da modernidade.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Serena





Ele a observava de longe. Saia curta, blusa branca, tinha um quê de tenista, "muito longe de ser uma Serena", pensava. Mas não conseguia parar de olhar. "Será que ela vai me notar?". Tentou ficar olhando fixamente durante um bom tempo, quem sabe a moça fosse sensitiva o bastante para percebê-lo de longe, mas ela estava mais preocupada com a conversa com as amigas.

Ela se despediu, foi embora, e ele pensou em segui-la mais uma vez, mas de repente percebeu que a vida de stalker não era pra ele. Voltaria mais um dia para casa e se aliviaria sozinho pensando na moça que sequer sabia de sua existência, sem perceber que na mesa ao lado uma jovem deixava o livro de lado para o observar e pensar o quanto aquele rapaz tímido era interessante.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Eu Também Tenho Um Canal no Youtube






Meu negócio é escrever. Se tem uma atividade à qual me dedico com gosto na web, é blogar. Como tenho feito há mais de dois anos, aqui no Barba Feita, e há muito mais tempo em outros blogs. Mas agora também posso dizer que sou vlogueiro. Há três meses, completados no último dia 25/01, comecei a pôr a carinha no sol, logo ali no Youtube. O nome do canal: Memória Teledramatúrgica.

O Memória Teledramatúrgica, como o próprio nome já diz, propõe-se a revisitar nossas memórias televisivas e homenagear os profissionais que tornam memoráveis as melhores produções feitas no Brasil, que são nossas novelas, minisséries, seriados e especiais. Do autor que a gente ama, passando pelas trilhas-sonoras que adoramos; dos grandes sucessos aos fracassos retumbantes; das homenagens aos atores que admiramos pelo vilão maléfico e inesquecível ou a heroína lacradora, tudo está lá no nosso canal. Somos dois noveleiros, apaixonados por dramaturgia, num bate-papo descontraído e informativo.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Santoro e a Aeronave





Quem me acompanha sabe que sou um medroso nato. Muitos medos, como o de anões, por exemplo, já consegui superar, às custas de muitas consultas na minha amada terapeuta. Mas viajar de avião ainda é um suplício para mim. Não tem jeito: aquele monstro de 150 toneladas, na minha cabeça, não tem como voar. E, volta e meia, os pesadelos voltam a me assombrar. Na coluna de hoje, vou recontar uma história que está no meu livro Troco a Bituca Por Duas Jujubas e que mostra o embrião de todo o pavor das alturas.   

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O Que Você Nunca Pensou em Fazer na Vida?





Não tem muito essa de geração X, Y ou Z; estamos ficando de saco cheio. A rotina é linda, mas só até a página 2. Todo mundo gosta de ter seu tempo para ver séries, ficar em casa fazendo vários nadas e procrastinando no app do Facebook no celular, eu sei. Mas tirando isso, não aguentamos uma rotina. 

Fazer todo dia a mesma coisa no trabalho, por exemplo, é broxante. É preciso ter o elemento novo, um desafio diferente. Uma emoçãozinha a mais. Assim o “de todo dia” se torna interessante. É basicamente como uma relação amorosa. A rotina pode acabar com tudo bem rapidamente. Mas quando se faz algo novo dentro dessa dinâmica de casal, muitas vezes, é a pimentinha que faz aquilo tudo durar. 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ex Bom é Ex...





Na semana passada, escrevi um texto em que mencionava a importância que o meu primeiro namorado teve na minha vida – era seu aniversário exatamente na última quarta-feira, 18/01. Como disse, fomos imaturos em muitas coisas, erramos muito. Passaram-se mais de 15 anos e hoje em dia nos damos muito bem – tivemos a oportunidade de conversar sobre questões que havíamos guardado um a respeito do outro. E temos uma relação cordial e até divertida. Ele me ensinou muitas coisas àquela época – acima de tudo, me mostrou que eu realmente queria e poderia ser feliz com alguém do mesmo sexo ao meu lado, mesmo que não fosse ele.

Pois bem, mandei o link do texto para o rapaz. Ele me respondeu dizendo que estava muito feliz de ter tido essa importância na minha vida. E que esse havia sido o melhor presente de aniversário que ele havia ganhado. Para mim, foi uma sensação curiosa: eu nunca havia experimentado ser amigo ou ter mais contato com qualquer ex meu antes; nos reaproximamos de certa forma recentemente, inclusive por questões de trabalho – olha como o mundo dá voltas... E tem sido uma experiência boa.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Ai, Meu Zeus, Eu Conheci a Tatianna!





Gente do céu, eu tô que nem a Roberta Miranda no Twitter:



Eu ia isperá até sair a foto oficial, mas resolvi adiantar o texto, porque os sentimentos por esse final de semana estão tão intensos que nem sei, então vamo conferir?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

La La Land e Uma Lição: Nem Sempre o Final Feliz é do Jeito Que Imaginamos





Antes de namorar, eu sempre adorei ir ao cinema sozinho. Escolhia o filme que queria ver e, se não tinha a companhia de nenhum amigo que quisesse conferir aquela história ou não tivesse disponibilidade no dia e hora que eu estava a fim, encarava de boa o programa sozinho. Se não gosto de ir para festas ou baladas sem ter nenhuma companhia, isso nunca aconteceu com cinema. Sentado na sala escura e acompanhando histórias diversas, eu era transportado para lugares imaginários e, para isso, nunca precisei de alguém do lado para curtir esse programa.

Mas veio o namoro, o casamento, os programas em conjunto e eu fui deixando esse hábito de lado. Eu tinha companhia que também gostava de cinema e foi uma coisa que fizemos muito no início do relacionamento. Mas o tempo passa, a rotina se instala e, muitas vezes, eu acabei abrindo mão de ver determinado filme que eu queria porque ele não estaria disponível. Não que ele exigisse me acompanhar no cinema, porque esse não era o caso. Eu é que me habituei a fazer o programa em conjunto e deixei de lado a minha própria individualidade nessa questão, sem nem perceber que estava fazendo isso.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Primeiramente, a Empatia





Normalmente, para a escrita de artigos acadêmicos, eu parto do princípio de duas hipóteses/fatos, para gerar meu conteúdo de forma coerente. Ainda que essas premissas não apareçam em meu texto, eu preciso escrevê-las, tirar da cabeça, para encarar e deixar que meus dedos façam o restante do trabalho.

Resolvi usar a fórmula para o Barba Feita também. 

Fato 1: A magia do saber imaginar.

Quando a vida se tornar amarga demais para ser encarada, pare um minuto, respire e feche os olhos. Imagine uma nova história, novos desfechos e novas possibilidades. Imagine o mundo real podendo atingir outros patamares sem, necessariamente, terminar em uma grande falha todas as vezes. 

Fato 2: O legado que inspira.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Talvez Uma Epifania





Como se começa a amar alguém?

Amores da vida que duram três meses, começam com muita pegação e sexo de tirar o fôlego. Nada contra esse amor miojo, são super válidos e tenho até amigos que já o viveram a contento. Mas não consigo classificar essa fugacidade como amor. Só gostaria que as pessoas usassem as palavras certas, ou melhor, sentissem do jeito certo. Tesão, paixão, amor, epifania, cada um é um. Há que se tomar cuidado ao classificar o que se sente, para não tornar-se terrivelmente leviano.

Sinto-me em rota de colisão com esse sentimento e não consigo nomeá-lo de outra forma. Talvez minha definição de amor seja piegas e pueril, mas não encontro outro jeito de definí-lo. É um sentimento manso, que no meu caso começou em uma sessão de cinema entre amigos, há três anos, quando nos vimos pela primeira vez. E no meio de tanta gente (estávamos num grupo de oito pessoas), como na canção de Marisa Monte, Não Vá Embora, ele me encontrou. Veio até mim, e falamos sobre a literatura de Caio Fernando Abreu. Primeiro tiro. Como não amar quem ama Caio F.?

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Quando Saí do Cinema Com Vontade de Cantar





Alguns filmes parecem tão frágeis quanto aquelas caixinhas de música que vem com uma bailarina rodando. Ou tão delicados como globos de vidro com neve dentro. La La Land poderia se encaixar perfeitamente nesta característica. Ele é pungente.

Quando disse isso, um amigo retrucou: “mas pungente pode ser um sinônimo para algo torturante, dilacerante”. Sim, e é. O filme é tão intenso que nos corta como uma navalha. É um misto de sensações muito fortes: dor, sorriso, tristeza, saudade, felicidade... Não existe a possibilidade de sairmos da sala de projeção da mesma forma como entramos. 

Eu era um cara que sempre achou um saco assistir musicais. Sempre era torturante demais. “Mesmo com a beleza de Madonna, evite Evita, eu sempre dizia. O badalado Chicago, mesmo com a estonteante dupla formada por Catherine Zeta-Jones e Renée Zellweger também não conseguiu me animar. E eu também tinha aqueles traumas infantis que me faziam ter ojeriza a qualquer coisa cantada. Tinha pavor de Gene Kelly. Nunca achei que alguém pudesse ser feliz cantando na chuva pois sempre detestei molhar os pés. Tinha antipatia pela Julie Andrews em A Noviça Rebelde, e por aí vai. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A Carne de Gaivota de Raphael Montes




“Um sujeito estava andando pela rua quando se deparou com um restaurante que vendia carne de gaivota. Pediu a carne, comeu, foi para casa e se matou. Por quê?”
Tudo começou com esse enigma. Quer dizer, o início na verdade mesmo ocorre lá em 2010, quando Dante, Miguel e Hilda vieram para o Rio de Janeiro procurar uma nova morada para eles. Tirando Hilda, mãe de Dante, que não se mudaria para a Cidade Maravilhosa, permanecendo em Pingo D’água, cidade do interior do Paraná. Em seu lugar, mais dois amigos do filho fecharam o grupo que ocupariam a morada escolhida. Uma vez vivendo em Copacabana e matriculados em suas respectivas faculdades, os amigos Dante, Leitão, Hugo e Miguel iniciavam o que parecia ser o início do resto da vida de cada um… E era mesmo.

Quatro anos depois, formados e em busca do que tanto queriam, dinheiro e reconhecimento profissional, a realidade nada favorável do país começa a se revelar uma grande ameaça aos planos traçados na época da mudança. E é com essas pitadas de realismo atual que Raphael Montes vai nos apresentando seus novos personagens, que são tão comuns que você chega a pensar duas vezes em iniciar um papo com um estranho em uma fila de banco. Afinal, nunca se sabe os esqueletos no armário que esse “desconhecido” pode ter. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Sobre 18 de Janeiro





Essa quarta-feira completa exatamente um ano que operei de uma apendicite. Tudo bem, acho que vocês não aguentam mais eu falando nesse assunto aqui, como se fosse um big deal e tal. Mas realmente foi um momento bastante peculiar da minha vida. É duro você estar sozinho em um hospital e achar que tem uma virose e, de repente, ser avisado de que terá que operar no mesmo dia, caso contrário pode morrer. Pode não, vai morrer. Tudo isso num dia em que a sua prima está sendo enterrada, depois de também ter ido parar em um hospital com uma emergência.

Lembro-me que tudo o que eu queria era que me operassem logo e abreviassem aquela agonia. A dor ia aumentando e eu tinha muitas tremedeiras, embora eu já estivesse sendo medicado. A outra opção seria bater as botas; então que tal abrir minha barriga o mais rápido possível? Minha lembrança era de encarar tudo com bom humor... Menos de três meses antes, havia feito oura cirurgia com anestesia geral, no nariz. Essa sim, por opção – eu poderia viver o resto da vida com o septo nasal desviado; mesmo com menos qualidade de vida, não morreria disso. Não me arrependo, inclusive indico para quem em dúvidas. Mas foi uma opção. A apendicite, não.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Um Amor Chamado Paula Lima





E aí, minha gente! Como é que ceis tão? Eu tô ótimo, apaixonado por Porto Alegre, por Tatianna, de RuPaul's Drag Race, mas isso é história que conto semana que vem! No texto de hoje eu vou falar sobre essa mulher talentosa que se chama Paula Lima. Conhecem? Não? Então tasca o dedo no play pra curtir esse som deliciosíssimo!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A Chuva e a Árvore Sobre o Barranco Além do Porão





Eu morei durante quase toda a minha vida na casa dos meus pais, no interior do Rio. A cidade, que eu chamo carinhosamente hoje de Smallville, sempre foi um pouco a minha prisão, o lugar de onde eu queria sair para me libertar e poder ser verdadeiramente eu. Eu sonhava com o dia em que desbravaria o mundo, que conheceria lugares e pessoas diferentes daqueles da minha rotina. E, se hoje eu tenho um pouquinho de dificuldade em aceitar a cidade, as pessoas, isso não é culpa deles, e sim minha, que criei uma certa barreira com “voltar para casa”. 

Na semana passada, logo depois do Ano Novo, fui visitar meus pais. Eu estava devendo a visita, que posterguei o quanto pude, mas a saudade apertou, queria carinho de pai, mãe e sobrinhos e acabei me deixando voltar para a terrinha, para um fim de semana de descanso, que é o que eu mais faço por lá. 

O calor insuportável no Rio, os dias de folga pós-reveillon, a praia, a cerveja (em excesso), as comidas que não me eram habituais, o retorno ao trabalho. E assim, em plena sexta-feira, dia para o qual tinha comprado a passagem para a viagem (de 2 horinhas, mas uma viagem), eu não estava me sentindo muito bem. Um enjôo, um mal estar e eu cogitei seriamente remarcar. Mas na hora do almoço tomei um remédio para o fígado e acabei embarcando para a casa dos meus pais.

domingo, 15 de janeiro de 2017

A Solid Chance of an Incomming Harm





É muito difícil se expor
É muito difícil perceber que se ama alguém
E deixar ela ciente
através de palavras e atitudes

Conversar profundamente sobre isso, com três pessoas
E deixar implícito para todo resto
E se as pessoas te perguntarem se você esta apaixonada
Você não ter outra resposta além de “é, estou apaixonada”

É muito difícil deixar seu ponto fraco brilhando
Divulgar seu calcanhar de Aquiles
Fazer uma plantação de esperanças no seu coração
Sabendo que um dia alguém pode te olhar
E desdizer tudo o que havia te dito
Há uma semana atrás
E que você sentirá dores físicas
E vergonha
E que essa pessoa provavelmente
Não será você

sábado, 14 de janeiro de 2017

O Que é Música Boa?





Oi, gente, olha eu aqui outra vez depois de um pequeno recesso. E sobre o que escrever no primeiro texto do ano? Deparei-me com esse dilema nas duas últimas semanas. Sempre gosto de fazer um balanço do ano velho em meu primeiro texto do ano novo para o Barba Feita, mas  já estamos praticamente na metade de janeiro, e eu não tenho muito mais a acrescentar, além de tudo que já foi dito sobre 2016, que foi um ano difícil e etc. O meu também foi, não mais que 2015, mas foi, e chega de ficar remoendo o que passou.

Então, pensei que começar o ano discorrendo sobre música, seria um ótimo assunto para abrir minha coluna nesse 2017. Mas, infelizmente, não vou falar de música boa. Mas, o que é música boa, afinal? Importante que fique claro que não sou nenhum especialista no assunto, apenas um mero apreciador de música de qualidade.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Controle de Solo Para Major Tom





Nesta semana, comemoramos a Bowie-Week. Se o astro David Bowie estivesse vivo, completaria 70 anos. E sua morte vai sempre estar correlacionada à comemoração, já que dois dias depois do aniversário, ele partiu para seu planeta de origem.

Sempre achei que Bowie era um ET que planejou sua vida no nosso planeta azul. Inclusive, ele mesmo fez o papel título no cinema do alien que se torna bilionário ao vender seus conhecimentos tecnológicos em um conglomerado de empresas no filme O Homem Que Caiu na Terra, de 1976, e que voltou aos cinemas com cópia restaurada.

Na minha humilde opinião, artisticamente David Bowie foi a figura mais relevante do século XX. Sem ele, o rock e vertentes como o glam, o rap, o funk e o eletrônico não seriam os mesmos. Bandas como o The Cure, Echo and the Bunnymen, Bauhaus, Velvet Underground, Kraftwerk, Iggy Pop, Strokes, Nirvana, Radiohead, Arcade Fire, além de artistas pop como Lady Gaga e Madonna talvez não existissem, ou seriam completamente sem graça.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Quando Me Apaixonei Por Fernanda Torres





Lembro bem do exato momento em que a simpatia que possuía por Fernanda atriz, virou um sentimento de admiração. Foi, ironicamente, no fim do primeiro capítulo de FIM - seu livro de estreia lançado pela Companhia das Letras - que senti certa conexão com o seu olhar pelo outro.

A arte de escrever é engraçada em vários níveis diferentes. É possível se apossar da escrita e colocar em palavras tudo o que se deseja transmitir ao seu eventual leitor, mesmo que, muitas vezes, se use o recurso de palavras rebuscadas, só para mostrar seu refinamento cultural. Infelizmente, muitos escritores nacionais sofrem dessa síndrome. Mas é possível também se deixar levar e escrever. Só escrever. Usar palavras presentes em seu dia a dia. Dar voz aos personagens exatamente como fala sua vizinha, por exemplo. Alguns escritores transpõem o seu cotidiano para o que escrevem. Assim conseguem tocar os seus leitores e fazem com que não exista uma barreira entre quem produz e quem recebe. Tudo se torna basicamente uma conversa. É como se você estivesse em uma mesa de bar com um amigo e ali falassem, entre uma cerveja e outra, por horas a fio.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O Desafio de Samuel





A rotina era a mesma de toda segunda-feira pela manhã. Preguiçosa e arrastada. No meio daqueles rituais matinais (toma banho, toma café, escova dente, etc...), minha irmã me liga:
“Ele vai nascer hoje. A médica decidiu que é melhor.”
Ele é o Samuel, meu segundo sobrinho e também afilhado. A gravidez da minha irmã no geral foi tranquila, mas exigiu alguns cuidados maiores agora no final. O parto estava previsto par alguns dias mais à frente, mas a médica optou por adiantar para não desencadear os riscos que vinham evitando.

Quando entrei para o Barba Feita, minha primeira sobrinha, Manuela, já havia nascido. Lembro-me do exato momento que vi sua foto pela primeira vez (eu não pude acompanhar o nascimento de perto, estava no trabalho). Lembro-me quando a peguei no colo pela primeira vez e senti o seu cheiro: era exatamente o mesmo da mãe dela, que eu identifico desde que me conheço por gente. Lembro-me dos traços que a genética nos fez ter em comum e que o tempo fazia aflorar cada vez mais. Lembro-me de ter refletido verdadeiramente pela primeira vez a respeito da concepção de um novo ser: como era fantástico haver, de repente, mais uma pessoa com parte do meu DNA no mundo; mais uma pessoa com o sobrenome Brazão Sobral.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Disney, Moana e Uma Princesa Diferente





Êta, menina, que cansaço, viu? Esse negócio de fazer mudança é emocionante e, ao mesmo tempo, bastante cansativo, porque você vai pra lá, volta pra cá, vai pra lá, volta pra cá... Enfim, tudo bem, pessoal? Semana passada eu falei sobre The OA, ceis viram? Pois bem, e essa semana eu vim pra falar sobre Moana - Um Mar de Aventuras, porque ando cheio das dicas. Gente, que filme mais amorzinho!

Moana estreou no meu aniversário (parabéns pra mim), obrigado, Disney, e foi um baita presente. Eu tava tão ansioso, mas tão ansioso... Desde que saiu a trilha sonora, cantada e instrumental, no Spotify, eu não parei mais de ouvir as músicas, contagiando Rafael, e lá fomos nós pro cinema, assistir e cantar durante o filme todo (mas baixinho, que era pra não atrapalhar).

O filme conta a história de Moana (jura?!), uma garotinha que mora em uma ilha e é filha do chefe. O destino de Moana é governar a ilha, liderar seu povo e seguir a linhagem do pai. MAS... Moana tem uma atração extremamente forte pelo mar. O pai se distraiu e pimba, a garotinha tava indo pro mar, toda toda, e seu pai sempre a tirava de lá, com medo de que se afogasse, e sempre dizia a ela que seu lugar era na ilha, e não no mar. Porém, Moana não conseguia não corresponder ao chamado do mar.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

As Cartas da Cigana e as Perspectivas Para Um Novo Ciclo





Era véspera de Ano Novo. Eu estava com alguns amigos em uma festa na cobertura de um prédio, em plena Praça Mauá, no centro do Rio. A festa, de música brasileira, que eu já tanto gostei, estava chata. Era uma gente estranha, eu estava cansado e, para ajudar, eu bebia e o álcool não batia. E, algumas vezes, ficar alegrinho é necessário. Foi nesse cenário, enquanto eu falava com alguns amigos, que ela surgiu.

A equipe da festa, já no clima de Ano Novo, havia contratado uma cigana que, circulando entre as pessoas, se oferecia para "ler a nossa sorte". Segundo ela, era uma leitura superficial, em que devíamos tirar duas cartas de seu baralho, uma para o nosso karma em 2017, outra para o nosso dharma. E eu, que estava achando 2016 um dos piores anos da minha vida (sério, tenho problemas com anos pares), não pensei duas vezes quando ela me abordou. Afinal, pior que está não dá pra ficar.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Sobre Relacionamentos (Abertos) e Preconceitos





Há alguns dias, a youtuber Jout Jout postou um vídeo onde falava do término do seu namoro e assumia ter um relacionamento aberto. Até aí, ok. O que me chamou a atenção foi a quantidade de pessoas que criticavam essa forma de namoro, como se existisse uma forma CORRETA e uma ERRADA de um casal se relacionar.

Foi então que eu fiquei refletindo e relembrando de conversas que tive com algumas pessoas sobre esse tema. Já ouvi coisas como: "isso é pura safadeza", "isso é porque a pessoa só quer putaria", "eu prefiro nem saber", "eu prefiro ficar sozinho", "pra que namorar, então?" e por aí vai...

Eu não sei porque, mas ainda me assusto ao ver a dificuldade que as pessoas têm em respeitar configurações de relacionamentos que saem do que a sociedade impõe como adequado, ou seja, aquilo que existe naqueles antigos comerciais de margarina. Se já é difícil imaginar um casal com dois homens ou duas mulheres, imagina a dificuldade em aceitar sexo, namoros e casamentos com mais de duas pessoas. E por que a dificuldade em assumir que podemos sentir atração física por pessoas que não nossos companheiros? Mais uma vez, voltamos ao tabu que o sexo representa nas nossas vidas.

sábado, 7 de janeiro de 2017

A Verdade Existe?





Nessa semana comecei a terceira temporada da série The Affair, criada por Sarah Treem e Hagai Levi. Já acompanho esse caso há muito tempo e ainda me encanto com a dinâmica desafiadora desse projeto televisivo: The Affair questiona o conceito de Verdade, investigando a distância que existe entre intenção e gesto, e  o ruído na mensagem que desestabiliza o diálogo, de uma maneira que mentira, fantasia e realidade tornam-se apenas uma questão de ponto de vista.

Partindo dessa problemática da veracidade difusa, do fato questionável, me lembrei de um conto que escrevi e que fala justamente sobre tudo isso. Espero que gostem. Chama-se, apenas, Uma Verdade. Eis:

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Quase Todo Mundo é Feliz em Janeiro




Sempre tenho a impressão de que quase todo mundo é feliz em janeiro: as pessoas ainda estão com aquela sensação de esperança e que tudo será diferente e melhor do que no ano anterior.  Quase todo mundo é feliz... Quase.

É verão, bom sinal... Já é tempo de abrir o coração e sonhar” está em looping na minha cabeça.  São dez para as dez da manhã, com sensação térmica de 40 graus.  Os primeiros dias do ano são ensolarados.  Devido a minha fotofobia, cada vez fica mais difícil poder caminhar pela vida.  Céu azul sem nuvens, raios ultravioleta.  Penso em um texto bacana para escrever a primeira coluna do ano e nada surge.  Eis que, sob o sol escaldante, me deparo com a imagem que ilustra a coluna.  Paro, observo e me emociono com o quadro.  Ao redor, pessoas vem e vão, sem se importar com a cena.  Afinal, alguém se importa com a invisibilidade hoje em dia?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Amigo, Se Joga Em 2017





Cambada, é o seguinte: 2017 chegou! Então é hora de parar de colocar a culpa em um ano que já se foi e não pode fazer mais nada por você. O que pode ser feito é mostrar que é possível iniciar mais uma vez e fazer dar certo. Agora é o momento que a gente se joga e vê depois, lá no fim do ano, no que deu. 

Talvez esse texto seja muito mais pessoal do que uma divagação geral. Assumo que preciso viver um pouco de novas aventuras. Ter histórias para contar e para viver. Isso pode até soar poético e até utópico, sei disso. Mas acima de tudo: necessário. Quem não se aventura, nem que seja um pouquinho, morre por dentro. Deixa de ser interessante, acaba virando apenas alguém banal… Que você pergunta as horas no ponto de ônibus ou como chegar em uma determinada rua, quando se sente perdido e sem acesso ao Google Maps. Não queira ser apenas essa pessoa! Não queira! 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Aquele Primeiro Texto do Ano





2017 tá aí. Chegou. Cheinho de esperanças pra tanta gente. Assim é todos os anos. Acho que nunca vi um ano começar com pessimismo. Realmente essa ideia de pegar o tempo e fatiar em anos, nos dando essa chance de reinício a cada 365 dias foi genial. Imagina estarmos vivendo o mês número 21.193 d.C? Ia até parecer Malhação, de tanto tempo no ar sem acabar...

Não sou de fazer resoluções de Ano Novo. Mas sempre reflito um pouco sobre aquilo que, sim, gostaria de aproveitar esse gás para fazer. Não costumo me cobrar depois e acho que vivemos de forma tão dinâmica e louca que seria impossível ignorar quantos tantos outros fatos surgem ao longo de 12 meses. Calcular na virada do ano aquilo que deve pautar os outros 365 dias seria ignorar quantas coisas mágicas podem acontecer; quantas realizações seremos capazes de conceber e concluir dentro desse tempo e que nem sequer havíamos aventado a possibilidade antes?

2016 foi um tubo de ensaio para tantas coisas. Serviu para saber muito algumas questões que quero mudar em minha vida. Outras que valeram a pena. Pessoas que conheci que quero ter bem perto; outras que já tinha em minha vida e que quero ainda mais próximas; e aquelas que, definitivamente, quero (gentilmente) bem longe. É chegada a hora, portanto, de pesar tudo isso. Como resolver isso? O que eu preciso para tornar isso possível? Nossa parcela de responsabilidade sobre 2017 é bem maior que a do calendário sobre nós.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

The OA: MISERICÓRDIA!!!




Gente, que série! Ah, oi, tudo bem, pessoal? Como foram de virada? Feliz Ano Novo, inclusive! Ah, eu fui muito bem, bebi, dancei, beijei, carreguei Rafael bêbado pela casa... ENFIM, foi tudo muito bom, tudo muito ótimo. Agora vamo falar do que interessa? Vamo falar de The OA, a nova série da Netflix

Quando saiu o trailer, com aquela mulher se jogando da ponte, assim, todo misterioso, com a cena gravada de um celular (em diagonal, bem real mesmo), eu fiquei tipo:

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Contradições





Um beijo longo, intenso, voraz. Faminto, podia-se dizer! As pessoas que circulavam em volta ficavam sem ar com a cena.  Que paixão! - era o que pensavam todos.

Interromperam o beijo e se olharam nos olhos. Felipe e seus olhos azuis profundos, enigmáticos. Com olhos negros hipnotizantes, Bruno.

Felipe lembrava-se do motivo de estarem juntos. 

domingo, 1 de janeiro de 2017

Pra Lembrar, Basta Esquecer





De tudo que dói em separações, nada é pior que o depois. Durante há choro, durante há raiva. Depois só resta a casa bagunçada pra arrumar.

Quando finalmente superamos uma perda, significa que teremos que, então, enfrentá-la de novo. Significa que, para esquecer, temos que lembrar.

Quando perdemos um ente querido e não mexemos em seus pertences.

Quando brigamos com um amigo, e esbarramos naquele cartão sarcástico que ganhamos no último aniversário.