terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Dica de Leitura: Ex-Heróis





RESOLVI VIR HOJE, GENTE! Como eu disse na semana passada, não sabia se vinha ou não pra um texto final, e como não gosto de pontas soltas, resolvi fechar indicando uma das minhas séries literárias favoritas: a série Ex-Heróis

Até o momento, são quatro livros, mas Peter Clines, autor da série, garantiu que haverá o quinto livro, então estamos aí, na torcida, na esperança, pra que Ex-Isle (ainda sem tradução no Brasil) saia logo. Vamos lá, sobre o que é essa série? 

São quatro livros, como eu já disse, com os nomes: Ex-Heróis, Ex-Patriotas, Ex-Comunhão e Ex-Purgatório. É uma história pós-apocalíptica que mistura zumbis e super-heróis, de um jeito totalmente novo. A trama se passa em Los Angeles, que tem a população toda transformada em zumbi, ou ex-humanos (daí o 'Ex' no início de cada livro, porque eles não chamam os mortos-vivos de zumbis, nomeados assim devido ao vírus que foi chamado de ex), e agora os ex's caminham a esmo, batendo seus maxilares, em busca de carne viva.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Carnaval, Mamilos e Fantasias




Eu adoro o carnaval. Se não dou muita ideia pra Páscoa, Natal ou outras datas comemorativas, eu realmente anseio pelo o reinado de Momo. As pessoas são mais felizes no carnaval, mais livres e menos preconceituosas e conservadoras. É no carnaval que a gente deixa o nosso eu aflorar de verdade e vai ser feliz atrás do bloco, do trio ou desfilando na escola de samba.

Por ter tido uma formação religiosa rígida, eu só fui me jogar na folia depois de adulto. Em minha cidade do interior eu via as pessoas saindo para curtir o carnaval (ou qualquer festa, diga-se de passagem) e morria um pouquinho por dentro por ser diferente deles e não poder ir também. Eis um mal de obrigar crianças e jovens a seguir uma religião sem dar-lhes o poder da escolha: um mundo de frustrações que vão se acumulando pelo caminho. 

domingo, 26 de fevereiro de 2017

"Bom Dia! Eu te amo!" (Oi?)





Há algum tempo conheci um cara, tudo estava fluindo da melhor maneira possível: conversas sem fim, risos, zoações, apelidos, cinema, vinho, beijos... Tudo caminhando para uma possível relação, até que uma bela noite quando eu dei um “tchau” e “boa noite”, meu WhatsApp recebeu uma mensagem que me surpreendeu: 
“Boa noite, meu gato! Te Amo!”
Fiquei ali por alguns instantes, somente olhando para a tela do celular. Sinceramente não sabia o que fazer e como agir. Resolvi fazer a Kátia Cega e fingi que não tinha visto, deliguei o wi-fi e fui dormir.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Sereia





Fred era o macho-alfa da turma. Olhos azuis, cabelos negros, boca carnuda, todo marombado. Garanhão, pegava todas e não se apegava a nenhuma. No auge de seus 27 anos, com um escritório próprio de advocacia recém aberto, cada vez mais clientes na agenda e a grana entrando solta, ele queria mais era curtir a vida com todas as mulheres que pudesse ter (e ele podia ter muitas), badalar nas praias mais bombadas do mundo, encher a cara com os amigos e zoar muito. E, talvez lá pelos 40 ele, começasse a se preocupar em arranjar uma mulher decente pra casar e formar uma família, que lhe desse o status necessário que todo grande advogado necessita.

Fred ria na cara das garotas que diziam que um dia ele encontraria uma mulher que o faria rastejar e sofrer feito um cachorro sarnento, cada vez que dispensava uma, depois de algumas semanas de pegação. Ele tinha toda a segurança do mundo de que não havia mulher na terra que o fizesse perder a cabeça ou que resistisse ao seu poder de sedução, nunca havia sido rejeitado por nenhuma e isso lhe dava uma tremenda autoconfiança.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Olha o Carnaval Aí, Gente!





O certo mesmo seria eu detestar o carnaval. Quando criança, meus pais e tias sempre me fantasiavam com uma roupinha ridícula de havaiano, com aqueles horrendos colares multicoloridos e um saiote de gosto duvidoso. Íamos para o clube de Bonsucesso e ficávamos rodando em círculos pelo salão ao som de marchinhas. Volta e meia eu, tonto, parava de rodar e me entretinha com o emaranhado de serpentinas no chão e a chuva de confetes.

Eu queria mesmo era me fantasiar de “chupetinha”, como chamávamos os “bate-bola” (que eram a pré-história carnavalesca dos atuais Clóvis). Os bate-bolas eram umas figuras bem assustadoras, com umas roupas largas de cetim e uma longa capa feita de cacos de espelhos. Quanto mais colorido e mais espelhado, mais legal ficava. Mas minha mãe e minhas tias nunca deixavam... Entrava ano, saía ano e eu lá com aquela fantasia tenebrosa de havaiano.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Tem o Carnaval; e Tem a Outra Opção





Carnaval está aí, não tem jeito! Tem quem ame e já está curtindo todas as emoções em uma eterna pré-folia. E também tem quem não goste e prefira se isolar e fazer programas alternativos. Eu me encontro em um terceiro grupo, que trabalha (faça chuva ou sol) e não terá um “descanso” para me jogar nos blocos da vida. Ser parte desse terceiro grupo é interessante. Permite que se observe um pouco da disposição humana para “se jogar” um pouquinho. 

Normalmente, declaramos aos quatro ventos que não temos tempo. Não temos tempo para encontrar os amigos, colocar aquela série em dia, iniciar um novo curso ou ler um livro que está fazendo aniversário na mesinha de cabeceira. Não ter tempo é o mesmo que viver nos dias atuais. Tempo é um artigo de luxo que poucos possuem e muitos querem. Maaas, chegando uma época do ano em que o tempo para se jogar é quase cronometrado, todo mundo acaba dando um jeito de aproveitar nem que seja “só um pouquinho”.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Ao Meu (Não Tão) Querido Momo





Oi, Momo. Tudo bem? Nós não somos chegados muito um ao outro, eu sei. Não é de hoje, inclusive, essa nossa relação estremecida. Não gosto muito de blocos, não gosto de ter milhares de pessoas suadas à minha volta fritando no sol, não curto gente bêbada nem no individual (quanto mais em aglomeração), não ligo para marchinha (embora um dos romances que esteja escrevendo seja inspirado nisso) e, talvez por não vir de uma família católica, não via o Carnaval como um período de liberação extrema e quase que necessária após um longo período de 40 dias de penitências até a Páscoa.

Pra mim, Momo, é difícil entender toda essa magia que existe em torno do seu período. Ou pior: que já domina os fins de semana, às vezes, mais de um mês antes da folia chegar. Admito que olho para as fotos dos meus amigos em redes sociais já pulando Carnaval previamente, muitos secos para irem de bloco em bloco como abstêmios de uma droga, como se não houvesse amanhã, e penso: “caramba, e eu doido para esta num ar condicionado agora!”. Lembro-me de um meme que simulava uma manifestação popular e num cartaz havia escrito (em uma montagem clara): “Stop Early Christimas Decorating”. Eu logo imaginava algo como “Stop Previous Carnival Celebrating” quando via toda essa comoção antecipada.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Sobre a Barba e Sobre Dar um Tempo





Tirei toda a barba. Sim. No começo eu me detestei? Não vou dizer que não, mas aos poucos já estou me acostumando ao meu velho eu, da época da igreja, que não podia ter barba se eu quisesse ter algum tipo de função lá. Ao me ver no espelho foram vários flashbacks tenebrosos que foram tão rápido como vieram. E lá estava, meu novo velho eu, de volta, enquanto o outro, barbudo, "rebelde", desgrenhado, iniciava seu descanso, seu momento. 

O que me fez achar uma ótima ideia pra mim. Sinto que preciso dar um tempo disso tudo. Internet. Redes Sociais. Celular. Tudo isso tem me consumido, esse princípio de obsessão com saber o que me disseram no Twitter, ou comentar um episódio enquanto assisto, ou ver GIFs da Gretchen o tempo todo (impressionante como dá pra usar os GIFs dela pra TUDO, não é mesmo? Eu gosto muito), e likes aleatórios no Instagram, e histórias no "Snapgram", todo mundo cheio de glitter nos bloquinhos (inclusive amei que agora chamam de bloquinhos, acho tão legal, inclusive porque dá umas piadas bem óbvias sobre bloquinhos de escrever), vídeos da Jout Jout, Porta dos Fundos, Louie Ponto, e por aí vai. Excesso de informação (útil e inútil), portais de notícias, orquestras tocando temas de jogos, de filmes, discussões diversas, pode ou não pode usar turbante, Rita Lobo, foi golpe, não foi golpe, tal coisa raiz versus tal coisa Nutella, Irineu, você não sabe nem eu, esperar ou não o Carnaval chegar pra ser vadia, enfim. 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Corno





Marco Antônio era corno. Sabia disso e não se importava. Adorava aquela vida e gostava do status que a condição lhe oferecia. Na verdade, nem ele entendia muito bem aquele prazer mórbido. Só sabia que gostava e pronto.

Quando conheceu Adelaide, todos diziam que ela não prestava. Mas ela era tão linda, tão simpática. Era óbvio que gostava dele. O seu carro importado e sua conta bancária eram apenas detalhes. Namoraram, noivaram e casaram num período de dois meses. Pra família era golpe. Pra ele, amor.

O grande golpe (ou a grande surpresa, ele gostava de pensar) aconteceu já durante a lua-de-mel. Encontraram-se com Alfredinho, grande amigo de infância de Marco Antônio, em Aspen. O entrosamento entre Alfredinho e Adelaide era visível. E Marco Antônio ficou muito feliz com isso. Então, no segundo dia, quando Marco Antônio preparava-se para esquiar, Adelaide alegou indisposição. Mas insistiu que o marido deveria aproveitar o dia. 

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Os Indicados ao Oscar de Melhor Filme e Uma Pequena Análise Sobre Cada Um Deles





O Oscar vem chegando e, como boa curiosa e apaixonada por cinema, fui fazer a maratona pra ver os filmes indicados e poder opinar sobre eles. E é a minha opinião que vocês irão encontrar abaixo, lembrando que opinião é direito e não veredicto.

Seguem então as minhas impressões sobre os nove concorrentes ao prêmio principal:

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Pelo Direito de Ser Você





A gente demora tanto tempo pra se aceitar do jeitinho que é, né? Quando criança nos apelidam de tudo. Me chamavam de orelhudo, narigudo, mas o que mais doía eram os xingamentos referentes a minha suposta homossexualidade. Suposta, porque quando se é criança não importa o que você seja, basta parecer, e eu parecia, muito. Então bicha, marica, veadinho, gayzinho, mulherzinha eram apelidos pejorativos recorrentes para mim.

Ser 'orelhudo' e 'narigudo' nunca me incomodou, nem criança, nem depois de adulto. As orelhas diminuíram ao redor da cabeça, que cresceu. O nariz grande impõe certa personalidade (Tony Ramos que o diga). Fazer qualquer tipo de cirurgia para reparar orelhas de abano e nariz de tucano, nunca me passou pela cabeça. Talvez, porque além de não me incomodar, os outros, cheios de "boas intenções" nunca me patrulharam com comentários do tipo: "Você iria ficar ótimo se desse uma diminuída no nariz" ou "Só um pequeno reparo e suas orelhas ficariam perfeitas", não, nunca me disseram algo do tipo. O que incomodava mesmo toda a gente que me conhecia era o "jeitinho delicado".

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Letras e Canções








Na semana passada divaguei um pouco sobre algumas canções que, muitas vezes, não conseguíamos compreender as mensagens. Afinal, o que poderia estar atrás daquelas canções pop, inofensivas e até com refrãos bublegum? No texto, citei algumas canções como Luka, da Suzanne Vega; Rape Me, do Nirvana, e Camila Camila, que narravam situações que iam desde o estupro até violência doméstica e abuso contra menores.

Muita gente me escreveu dizendo que nem tinha noção de como essas canções, escondidas sob uma melodia muitas vezes “fofinha”, retratavam assuntos tão pesados.

Aí, fui lembrando ao longo da semana, de outras músicas que todo mundo cantava mas não tinha noção do que estava sendo dito. A Legião Urbana era campeã neste quesito. Lembro-me bem de uma entrevista no Programa Livre, do Serginho Groissman, onde a Legião estava se apresentando. Em um momento, a platéia urrava para que eles tocassem o clássico Pais e Filhos e Renato Russo, que detestava tocá-la ao vivo, irritado deu um sermão daqueles no público adolescente, questionando se eles sabiam que essa música era sobre o suicídio de uma jovem. Era sempre muito estranho ver aquela galera com mãozinhas pra cima e dançando enquanto ele cantava “estátuas e cofres e paredes pintadas / ninguém sabe o que aconteceu / ela se jogou da janela do 5º andar / nada é fácil de entender... / Dorme agora / é só o vento lá fora...”

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Desisti do Facebook





Sim, isso até demorou para acontecer, mas finalmente tomei coragem e não me arrependo. Não deletei minha conta, ainda, mas tem um tempinho que não passo tanto tempo por lá quanto acontecia antigamente. Foi por acaso que isso acabou se desenhando, mais trabalho e, consequentemente, menos tempo destinado ao ato de procrastinar. Depois, quando dei uma espiada, vi alguns comentários que não me fizeram bem e decidi ficar um dia sem dar uma voltinha pela terra do “tio” Zuckerberg. Mas o que era para ser um só dia se tornou quatro e só percebi isso um bom tempo depois. 

Me colocar de fora do Facebook tem me ajudado bastante. Além de ter mais tempo para focar no que, de fato, é necessário fazer, não fico alimentando raiva por coisas que leio aqui e ali. Opinião todo mundo possui - esse espaço mesmo é um local em que posso dizer a minha sobre inúmeras coisas -, mas o que me deixa frustrado como ser humano é quando encontramos um despejo de raiva, rancor e ódio pelo outro. E essa rede social tem disso aos milhares. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Presentes





Viver não é uma tarefa fácil. Se fosse, não se chamaria vida, mas, sim, “passatempo nível picolé”. A gente toma tanta porrada no dia-a-dia, assiste a tanta coisa cruel, vê a face mais vil do ser humano que, às vezes, esquece de reconhecer quando, por outro lado, pequenas coisas boas se fazem em nosso caminho. Muitas delas entrando sem alarde, mas chegando para ficar.

Recentemente, disse a alguns poucos amigos que conheci, desde o fim do ano passado principalmente, que se tornaram presentes em minha vida. Logo eu, que sempre fui conhecido por ser mais antissocial, por ter mais dificuldades em me relacionar em um novo grupo de pessoas. Fui recebido de braços abertos em um grupo através de dois amigos – e tudo começou por ser da mesma academia que um deles. Pessoas queridas, companheiros de Réveillon, de praia, de bloco, de aniversário e até de um papo despretensioso num sábado à noite com direito a bolo de chocolate.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Eu Ganhei um Pedaço de Meteoro!





Gente, como é que ceis estão? Eita, esse começo me lembrou que eu tenho que retornar com a #VergonhaAlheia, a minha coluna lá no Pop de Botequim (nota do editor: tem mesmo!!!) ... ENFIM, tudo beleza?! Hoje eu vim contar algo muito bacana que me aconteceu semana passada: eu ganhei um pedaço de meteoro! É mole?! (tá, tá bem, não éééééé um pedaço de meteoro de verdade, mas não vamos quebrar o encanto, ok?!).

Liliana é uma pessoa super bacana que trabalha com Rafael. Liliana é casada e, junto com seu marido, concebeu uma linda garotinha que vai fazer cinco anos,  ahn, não sei ao certo, mas sei que é esse ano. A garotinha é super, mas super inteligente, que fala inglês e português, e que eu ainda não conheci, apenas Rafael. Fã de conchas e coisas do gênero, ela guarda todas em uma bolsa especificamente para rochas.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A Leveza (e a Beleza) da Simplicidade nas Relações





Eu sou muito observador. Gosto do comportamento humano, de ver como as pessoas agem em determinadas situações, os caminhos que acabam tomando e os objetivos que as levam a lugares que, tantas vezes, elas sequer imaginavam chegar quando iniciaram um "trajeto". E, no que diz respeito aos envolvimentos amorosos, sempre fui um curioso pelo comportamento alheio, pelo que motiva alguém a gostar de outro alguém e a se predispor a viver uma vida conjunta.

Sempre me considerei uma pessoa prática. Nunca tive paciência pra joguinho e sou fácil de ser lido. Se gosto, gosto mesmo; se não gosto, ignoro e isso fica escrito na minha cara. Não costumo mentir e isso nem é uma virtude, é desatenção mesmo: esqueço as mentiras que conto e, depois, sempre me dou mal, porque me contradigo e acabo revelando o que não deveria ter sido dito ou foi contado com ~pequenas~ alterações.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Comédia Também é Arte





Os gêneros no campo do entretenimento são regularmente rotulados como melhores, piores, criativos, cópias, entre outros que poderiam me render a coluna inteira. E é claro que, tratando-se de rótulos, o que os acompanham são os prêmios e glórias. Por esse motivo não é nada comum esperarmos que uma comédia ganhe o Oscar de Melhor Filme. 

Isso pode se dar pelo simples fato da natureza humana se alimentar de drama. Nossa psique sofredora não vê beleza no sorriso se ele não vier como resultado de uma superação dolorosa. Seja porque a arte imita a vida, ou a vida imita a arte. A verdade é que a arte sofrida é lembrada, e a comédia esculhambada como boba ou sem valor. 

Vamos combinar que existem diversas facetas nessa equação. Particularmente, eu não sou apreciadora de comédias "pastelão" como dizem, tal qual American Pie e outros desse mesmo legado. Mas gosto de filmes despretensiosos. Comédias românticas que você sabe como vai terminar, porque o interessante é como vai chegar lá. E gosto de atores e atrizes que são intrinsecamente ligados à comédia e sacramentados como único possível talento. Diria que Cameron Diaz quebrou esse paradigma em Uma Prova de Amor (apesar de ser difícil você não se vidrar na genialidade da Abigail Breslin). Ou Kate Hudson em Good People e Le Divorce. Mas eu gosto delas (e de muitos outros) em comédias. 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

A Solidão, Esse Castigo





Duas da tarde de um sábado modorrento, muitas nuvens no céu, e uma chuva fina e persistente o deixava quase depressivo.

Na pequena quitinete de paredes muito claras, levantou-se da cama com os cabelos desgrenhados e o rosto inchado de tanto dormir. Jogou-se no sofá branco, respirou fundo, coçou a cabeça umas cinco vezes e resolveu lavar o rosto.

Na pia do banheiro parou alguns segundos diante do espelho e contemplou sua imagem profundamente. Analisou os olhos, a boca, os dentes, o nariz, o cabelo, a pele, as marcas de expressão começando a aparecer. Sentiu um leve incômodo. Mas o que queria encontrar ali, diante de seu reflexo no espelho, eram respostas sobre quem ele havia se tornado, se aquela imagem o satisfazia em algum ponto, de alguma forma. Sorriu um riso desanimado de canto de boca, secou o rosto com a toalha verde-água de babado bordada com a frase "mamãe te ama" e voltou ao sofá branco. Ficou ali imóvel por alguns longos minutos pensativo à escutar o barulho incessante da chuva.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O Que Há Por Trás das Canções e Melodias





Quando eu era adolescente, comecei a aprender inglês com a revista Letras Traduzidas, da antiga Bizz, a bíblia do rock oitentista. Foi lá que eu descobri bandas incríveis como o The Cure, o Echo and the Bunnymen, Smiths e Siouxsie and the Banshees, o quarteto divino do rock britânico. Através das edições da revista, e ouvindo as canções na Fluminense FM, que ia aprendendo as entonações corretas e decifrando canções, que antes da publicação eram verdadeiros enigmas para mim. 

Lembro do antigo gravador e do cassete Basf 90 onde eu ia dando play e pause, anotando palavra por palavra para depois tentar compreender com um amigo que entendia inglês bem melhor do que eu e traduzirmos a letra. Obviamente, a versão saía uma cagada só, pois tínhamos 13 para 14 anos. A primeira música que entendemos e traduzimos sozinhos foi Love Vigilants, a dançante canção do New Order. Achávamos a música uma belezura só, mas quando nos demos conta que a letra narrava em primeira pessoa a história de um soldado que lutou na guerra e estava voltando para casa rever a mulher e o filho, a dualidade do tuntz tuntz tuntz com a tristeza da letra me deixou deprê e ainda me chocou ao saber, na última estrofe, que ele já estava morto.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Ninguém Vai Realizar o Seu Sonho Por Você






É, eu sei. Um pouco duro dizer isso, mas é a mais pura realidade. Todo mundo tem um sonho. De maior ou menor “grandiosidade”, mas possui algo que deseja ardentemente. Mudar para Los Angeles, casar com alguém famoso ou com aquele crush que você vive cruzando no caminho para o trabalho, pode ser seu sonho. E você pode realizá-lo, mas só você. 

A questão de sonhar algo, desejar muito alguma coisa, meio que faz com que a gente pense que isso nunca irá se concretizar. Sonho é um sonho, não significa que deva virar realidade, certo? Errado! Se é seu sonho, se é algo que você quer, ele deve se realizar. Tem que se realizar. Que graça existe passar horas e horas bolando planos para uma coisa que você não acredita de verdade que irá acontecer? Isso é que não tem a menor lógica. E, infelizmente, acaba sendo o que mais encontramos por aí. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Amor & Sexo: Um Antídoto





Amor & Sexo é, para mim, o melhor programa da televisão brasileira atualmente (adoro também o Tá no Ar, mas não tenho conseguido acompanhar). Ok, vocês podem pensar que é meio óbvio para um autor cujo último livro lançado chama-se Perversão e debate, justamente, o sexo. Mas, na verdade, a atração se tornou mais do que preferida ou recomendada; é necessária. Um antídoto à boa parte da estupidez e do retrocesso que permeia a nossa sociedade e, consequentemente (ou seria parte da causa?), sua TV.

Anos após ano, o programa vem se aprimorando e se afirmando. Fernanda Lima (minha queridinha desde a época de MTV, quando a maioria tinha olhos para a Daniella Cicarelli) brilha de uma forma única à frente da atração. Ela é um espetáculo à parte: está livre, à vontade e segura. E ainda assina a redação final do programa. Tem ainda nos vocais a cantora Pabblo Vittar: nordestina, diva, provocativa e drag

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Muitas Lições Num Filme Só





Dia desses, Rafael e eu vimos Trolls. Que amor de filme, gente! Todo musicalizado, com Anna Kendrick e Justin Timberlake nos papéis principais, porém, com um elenco de peso dublando os outros trolls (eu tô apaixonado pela versão de Hello (is it me you're looking for), com a Zooey Deschanel nesse filme, sério, até dei play aqui.

Pois bem, Trolls conta a história dos serezinhos mitológicos, muito brincalhões, coloridinhos, que usam seus cabelos pra fazer várias coisas legais, além de várias travessuras. E que cantam o tempo todo. Pra eles tudo é motivo de festa, comemoração, com luzes, glitter, fogos de artifício, e por aí vai. Na história também existem os bergens, criaturas feias, muito feias, que são extremamente infelizes, incapazes de fazerem algo para mudar isso. Os bergens, uma vez, descobriram a Árvore dos trolls, e uma vez que provaram um dos serezinhos, descobriram que a felicidade era possível, desde que se comesse um troll. Foi aí que o rei dos bergens criou o Trollcídio, um dia onde as criaturinhas coloridas eram caçadas e devoradas, causando nos terríveis infelizes a tão sonhada felicidade, ainda que passageira.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Reprojetando o Passando





Parece que uma onda de términos me rodeia. Estou solteiro desde novembro, mas, nesse meio tempo, tenho visto muitos relacionamentos chegando ao fim. Desgaste, rumos diferentes, a própria vida em si encarregando-se de fazer ajustes interpessoais e mostrando que não, nem sempre o que parecia líquido e certo tem que, necessariamente, permanecer assim

E, conversando com um amigo sobre aleatoriedades, chegamos ao tema fim e, especificamente, sobre como conseguimos nos especializar em reprojetar do passado, muitas vezes mascarando o que efetivamente aconteceu. Falávamos sobre a maximização dos sentimentos, de como as lembranças ficam envoltas em nuvens e nevoeiros e se confundem com o que realmente aconteceu.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O Muro de Trump e o Tratado da Estupidez Humana





A abrangência da palavra "estupidez" não faz jus ao pequenismo de seu significado. De ignorância - no campo do conhecimento ao campo da grosseria - à agressão, a estupidez caminha serelepe destilando um mau resultado do produto final da humanidade. 

Os recentes feitos da estreia de Trump na presidência norte-americana são incrivelmente poéticos e desenhados para entender minha afirmação. Em tempos de informações acessíveis, o melhor mesmo é negar a possibilidade de qualquer discussão que demandem um pouco mais de humanidade. 

E falando de muro, talvez a construção mais simbólica já vista no mundo sobre dividir pessoas, repetir que isso seria mais eficaz do que simplesmente discutir sobre formas de minimizar a imigração ilegal propondo melhorias na vida das pessoas, é repetir o que a gente fala internamente toda noite: como somos idiotas! Pra um povo que já passou pelos crimes mais bárbaros ligados ao tráfico, que cava TÚNEIS para atravessar os países, vamos combinar: um muro é fichinha. Não vai impedir ninguém que realmente esteja disposto a se arriscar por uma chance de vida melhor. 

sábado, 4 de fevereiro de 2017

A Melhor Vingança





Estou às voltas com a produção de meu primeiro livro. Após duas tentativas frustradas de escrever histórias de amor, finalmente encontrei meu tema ideal e estou absorvido por ele: vingança. Vingança é um tema tão vasto e com infinitas possibilidades que, aliado a minha trajetória pessoal, renderá uma história envolvente, saborosa e catártica.

Mas não é exatamente do meu livro que quero discorrer, e sim sobre esse desejo, que nasce e cresce nos corações ressentidos, rancorosos e que também já sofreram demais. Sou desses. Eu tenho ressentimentos, guardo rancores, e sim, já sofri bastante. Carrego comigo profundas cicatrizes que ninguém vê. Cicatrizes invisíveis, na alma, as piores que se pode ter. Logo, esse desejo, quase incontrolável, me acompanha desde muito cedo, desencadeado pelo bullying homofóbico sofrido desde que me entendo por gente.

Os ataques sempre são covardes, os abutres sempre andam em bando, e sejam eles físicos ou verbais, você nunca será capaz de se defender sozinho. O que resta é correr pra se proteger, fingir que não é com você e sofrer sua humilhação em silêncio, sentindo crescer dentro de si o desejo de que todos morram.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A Humanidade Está Enlouquecendo





Cada vez mais tenho medo da humanidade. Aqui mesmo na coluna semanal do Barba Feita eu já tinha dito isso algumas vezes, sobre algumas atrocidades que venho testemunhando ao longo do tempo, principalmente através das redes sociais. O ódio, a intolerância e a perversidade tem sobressaído. Fomos sempre assim ou as redes somente tem revelado o tamanho da metástase que tem assombrado o mundo?

Hoje acordei chocado com os comentários que li de algumas pessoas que comemoravam a morte da D. Marisa, mulher do ex-presidente Lula. A ex-primeira dama, depois de sofrer um AVC hemorrágico, teve diagnosticada a morte cerebral. A justiça não a puniu pelas supostas acusações, mas a sociedade, sim. Isso é tão patético e grave quanto o caso do rapaz que supostamente roubou um celular e foi executado a tiros por moradores de Caxias após ter seus braços e pernas amarrados. As pessoas estão perdendo a noção da barbaridade. O rapaz morreu sem ser julgado pela lei. D. Marisa morreu sem ser julgada pela lei.

Semana passada eu peguei um taxi e fiquei chocado com o discurso do motorista que, obviamente, nunca deveria ter verbalizado aquelas coisas para mim. Não nos conhecíamos e, portanto, não havia ali nenhuma intimidade para tal. Eu calmamente ouvi, mas ao fim, não consegui ficar calado, pois naquele momento eu era um usuário e estava pagando pelo serviço; e portanto, deveria ser respeitado. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Querem Acabar Com o Acaso





Sou o tipo de pessoa que adora encontrar algum amigo ou conhecido acidentalmente. Sei lá, me sinto como se estivesse em uma novela do Manoel Carlos e tocasse bossa nova ao fundo. Tudo bem que, dependendo da idade de quem estiver lendo esse texto, essa analogia não vai funcionar muito bem. Mas imagine que você está saindo de uma loja distraído e quando menos espera, encontra aquele amigo que não vê tem um bom tempo. Ou dá de cara com o seu crush de Facebook ou Instagram. Pois é, basicamente isso. Encontros que o acaso proporciona e que nos deixam com um sorriso no rosto. 

Só que esse tipo de encontro anda com os dias contados. Já tem um tempo que querem colocar alertas em nossos celulares de que estamos próximos de amigos ou conhecidos, que temos adicionados nas redes sociais. Facebook mesmo tem aquele que avisa quem está nas proximidades. Tirando pais, que devem vigiar os filhos, acho esse tipo de coisa bem sem nexo. Amo meus amigos, gosto (da maioria) das pessoas que tenho adicionada no meu Facebook, mas não significa que quero saber o que eles andam fazendo da vida ou que saibam os meus passos. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O Ciclo Sem Fim





Ontem foi um dia muito intenso para mim. Poucas horas separaram o enterro de uma tia, irmã do meu pai, da celebração do aniversário da minha sobrinha querida. Os inícios dos últimos anos têm trazido esse misto de tristezas e motivos para se alegrar à minha família. E foi impossível não refletir sobre isso.

Poucos momentos na vida de uma pessoa se consegue reunir tanta gente quanto em sua festa de aniversário ou no seu enterro. Talvez se houver um casamento no meio do caminho ou um lançamento de um livro bombado (ainda chego lá...). Mas, no geral, são nas datas em que comemoramos o nascimento ou choramos a morte que somos mais lembrados.

O enterro da minha tia Lourdes não era o programa que eu gostaria de estar fazendo no meio de uma tarde de terça-feira. Ninguém gosta de enterro, nem o coveiro deve gostar. No máximo o dono da concessão do cemitério, que lucra de fato com isso. Foi uma tarde estranha, envolta por tantas lápides; estava surpreendentemente fresco em meio às árvores e sepulturas do Caju, com aquela imagem da favela tão próxima do local do último Pai Nosso e do último adeus àquela existência.