quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Amor & Sexo: Um Antídoto





Amor & Sexo é, para mim, o melhor programa da televisão brasileira atualmente (adoro também o Tá no Ar, mas não tenho conseguido acompanhar). Ok, vocês podem pensar que é meio óbvio para um autor cujo último livro lançado chama-se Perversão e debate, justamente, o sexo. Mas, na verdade, a atração se tornou mais do que preferida ou recomendada; é necessária. Um antídoto à boa parte da estupidez e do retrocesso que permeia a nossa sociedade e, consequentemente (ou seria parte da causa?), sua TV.

Anos após ano, o programa vem se aprimorando e se afirmando. Fernanda Lima (minha queridinha desde a época de MTV, quando a maioria tinha olhos para a Daniella Cicarelli) brilha de uma forma única à frente da atração. Ela é um espetáculo à parte: está livre, à vontade e segura. E ainda assina a redação final do programa. Tem ainda nos vocais a cantora Pabblo Vittar: nordestina, diva, provocativa e drag

Nessa temporada, Amor & Sexo voltou falando de feminismo. E provocou uma série de defesas e ataques nas redes sociais. Para mim, que não sou mulher e me considero um feminista, achei que eles acertaram no ponto. Muitos criticaram por mostrar um feminismo ainda aprisionador, focado no sexo e na obviedade. Eu acho que foi um passo. Um grande passo, mesmo que seja para dar um de cada vez. Numa sociedade em que foi cogitado para ministro do STF um jurista que dizia que a mulher deve subserviência ao homem e que tem Donald Trump como líder da maior nação do planeta, falar de feminismo no canal de maior audiência do Brasil já foi um golaço.

Nas lembranças do Facebook, recuperei uma de três anos atrás, em 31 de janeiro, a respeito do final da novela Amor à Vida. Foi no episódio derradeiro que, enfim, a Globo mostrou o seu primeiro beijo gay com afeto. Sem alardes, sem estereótipos. Simples, rápido e indolor para a audiência que, em boa parte, já torcia por Félix e seu “Carneirinho”. À época, coloquei que a sociedade começava a mudar. Curioso que, ao ler o post, vi o quanto parecemos retroceder em três anos. Como debates a respeito de direitos humanos se perderam e muitos viraram palanques para reacionários e extremistas. Como sinto que perdemos nesses últimos tempos.

Por esse motivo, explorar o feminismo em rede nacional, ainda que de forma embrionária ou mesmo superficial, é tão importante. Contar com expoentes de gerações diferentes, como Carol Konká e Elza Soares, é fundamental para o reconhecimento e identificação. A tal sororidade que tanto se fala.

Uma semana depois, o programa falou sobre erotismo e fetiches. Apresentou o erotismo como um molho para o banquete que seria o sexo. Mostrou práticas pouco conhecidas, ajudando a afastar estigmas e contando com os próprios participantes (inclusive a apresentadora) admitindo que eles mesmos têm limites para algumas coisas. E assim tem que ser, porque quando não há limites pessoais respeitados é que apresentamos a nossa face mais doente.

Teve casal em busca de ménage à trois – deixando claro que não importava se com homem e mulher –, o que culminou em um beijo do rapaz com outro rapaz e da moça com outra moça, sob os aplausos e comemoração dos convidados e da plateia. Se foi encenação, se eles realmente saíram dali e foram transar, pouco me importa. Mas mostrou uma liberdade que há muito não víamos na TV, ainda mais no canal mais julgado do Brasil. Falou-se de nudes e de perversão (olha que coisa!) – sem julgamentos, pelo contrário, com identificação e aceitação.

Infelizmente, ainda vivemos uma sociedade hipócrita, que prefere fingir que sexo não existe ou busca tratar como algo impuro e que, por isso, não pode ser discutido no interior do seu lar. Impressiona como o assunto ainda é tabu e causa estranheza quando falado em público. Senti isso com o meu livro. Quantas pessoas não comentam que jamais imaginariam isso de mim ou que ficaram ruborizadas. E olha que, mesmo assim, “credenciado” dessa forma, eu ainda me surpreendo com alguns debates que Amor & Sexo promove. Não pelo incômodo, mas pela coragem e pelo inusitado de como lidamos com muitos dos temas.

Que Amor & Sexo tenha vida longa e consiga explorar, ainda, muitos outros assuntos que até hoje se encontram na penumbra da ignorância em nosso país. E siga sendo esse oásis, mesmo que pequenino e limitado, em meio à hipocrisia e ao retrocesso. 

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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2 comentários:

Unknown disse...

HAHAHAHAAH meu Deus o tal do esquerdomacho feministo é uma raça q causa pena. O cara se sujeita a qualquer tipo de merda pra ser aceito por uma gordinha de cabelo azul. Esse programa nd mais é q um DCE soropositivo, só fala em cu´rola com cancro mole, e q homem q é homem tem q levar dedo no cu, só bisha lacradora e feminista teen q assiste, tanto é q perde pro A Praça é Nossa.

Carlos Cunha disse...

Sem dúvidas é o melhor programa da TV aberta brasileira.