terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Muitas Lições Num Filme Só





Dia desses, Rafael e eu vimos Trolls. Que amor de filme, gente! Todo musicalizado, com Anna Kendrick e Justin Timberlake nos papéis principais, porém, com um elenco de peso dublando os outros trolls (eu tô apaixonado pela versão de Hello (is it me you're looking for), com a Zooey Deschanel nesse filme, sério, até dei play aqui.

Pois bem, Trolls conta a história dos serezinhos mitológicos, muito brincalhões, coloridinhos, que usam seus cabelos pra fazer várias coisas legais, além de várias travessuras. E que cantam o tempo todo. Pra eles tudo é motivo de festa, comemoração, com luzes, glitter, fogos de artifício, e por aí vai. Na história também existem os bergens, criaturas feias, muito feias, que são extremamente infelizes, incapazes de fazerem algo para mudar isso. Os bergens, uma vez, descobriram a Árvore dos trolls, e uma vez que provaram um dos serezinhos, descobriram que a felicidade era possível, desde que se comesse um troll. Foi aí que o rei dos bergens criou o Trollcídio, um dia onde as criaturinhas coloridas eram caçadas e devoradas, causando nos terríveis infelizes a tão sonhada felicidade, ainda que passageira.

Cansados dessa perseguição, os trolls conseguiram fugir e, desde então, nunca mais viram um bergen em suas vidas, vivendo em paz com suas cantorias. Quando fizeram vinte anos sem serem caçados, a princesa dos trolls, Poppy (Anna Kendrick), realiza a maior, a melhor, e mais animada de todas as festas, pra comemorar, ignorando os avisos de Tronco (Justin Timberlake), dizendo para não fazerem tanto barulho, porque os bergens iriam encontrá-los. Tachado de pessimista, Tronco se recusa a ir à festa, já que tem certeza do que fala.

Dito e feito, a cozinheira dos bergens vê a festa de longe e vai até lá, capturando alguns dos trolls. Após insistir muito, Poppy consegue a companhia de Tronco para atravessar a floresta e ir resgatar os amigos capturados, sendo criticada por sua cantoria e bom humor o tempo todo, já que Tronco é mesmo bem carrancudo. MAS... ele tem um motivo pra ser assim.

Então, o que dá pra tirar de lição desse filme? Que a gente pode ser feliz sim, a gente deve ser feliz, a gente precisa ser feliz. Mas a gente não precisa contar pro mundo todo tudo o que tá acontecendo com a gente, né? Porque sempre, sempre, sempre, tem aquela pessoa infeliz, que não faz nada além de sentir pena de si mesma, e fica feito mosca varejeira em volta da gente, sugando nossa felicidade com a sua infelicidade. "Ai, mas nada dá certo, minha vida é toda errada, que inveja de você...", porque sim, existem as pessoas invejosas que vão sentir muita inveja de você, e toda essa inveja acaba te deixando pra baixo; e existem as pessoas invejosas que vão sentir muita inveja de você, e não vão descansar até que você seja tão infeliz quanto elas, afinal, se elas não conseguem sair do lugar pra fazer algo de bom por elas mesmas, por que raios e caralhos elas vão querer ver que você consegue fazer o que elas não conseguem? Elas vão caçar cada pedacinho de felicidade da sua vida e derramar toda a infelicidade delas em cima, pra não se sentirem sozinhas. "Nossa, que carro lindo, o meu tá todo ferrado, não consigo arrumar."; "Puxa, que roupa linda... tanto tempo que não compro uma roupa nova..."; e por aí vai.

E o que mais? Que nem todo mundo tá num bom dia, e por isso, não é legal ficar forçando uma felicidade em cima da pessoa. Às vezes, a pessoa só quer ficar na dela, sendo carrancuda, vivendo sua bad, como já falei aqui certa vez; ou talvez a pessoa se sinta bem vivendo em seu realismo, e nem por isso ela é infeliz, mas apenas realista. Demais. O que irrita, devo confessar, mas fazer o que, né não? Pois é. Ninguém sabe o que o outro passa em casa, na faculdade, ou com seus próprios demônios, e existem maneiras mais eficientes de ajudar, ao invés de ficar criticando, dizendo pra pessoa o quão pessimista ela é, como se o mundo fosse apenas arco-íris e fogos de artifício, quando, na verdade, não é bem assim. Às vezes, a melhor forma de ajudar é deixar a pessoa encarar o problema sozinha. E se for ajudar, de fato intervindo, tente ouvir mais e falar menos, afinal, quem quer ajudar tem que saber ouvir qual o problema, e não sair falando o tempo todo sobre o quão maravilhosa é a vida, e citando frases de biscoito da sorte.

Também tem o fato de que, no final, tudo se resolve, e que vão aparecer mil coisas pra tentar nos derrubar, principalmente nós mesmos, mas é sempre bom manter o equilíbrio entre realismo e arco-íris com fogos de artifício, sempre deixando a melhor parte da festa pra quem realmente importa: nós mesmos.

No mais, assistam o  filme, gente. Quem não assistiu, faça esse favor, é lindo demais, e tem a minhoquinha chamada Mr. Dinkles, que quase me matou de rir.

Até a próxima terça!

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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