quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Presentes





Viver não é uma tarefa fácil. Se fosse, não se chamaria vida, mas, sim, “passatempo nível picolé”. A gente toma tanta porrada no dia-a-dia, assiste a tanta coisa cruel, vê a face mais vil do ser humano que, às vezes, esquece de reconhecer quando, por outro lado, pequenas coisas boas se fazem em nosso caminho. Muitas delas entrando sem alarde, mas chegando para ficar.

Recentemente, disse a alguns poucos amigos que conheci, desde o fim do ano passado principalmente, que se tornaram presentes em minha vida. Logo eu, que sempre fui conhecido por ser mais antissocial, por ter mais dificuldades em me relacionar em um novo grupo de pessoas. Fui recebido de braços abertos em um grupo através de dois amigos – e tudo começou por ser da mesma academia que um deles. Pessoas queridas, companheiros de Réveillon, de praia, de bloco, de aniversário e até de um papo despretensioso num sábado à noite com direito a bolo de chocolate.

Aliás, amizades que surgiram em locais inusitados também se tornaram algo recente na minha vida – definitivamente, nunca me imaginei muito sendo amigo de alguém na academia, por isso, pra mim, é inusitado, sim. No ano passado, viajei muitas vezes a trabalho para Brasília. Nessas idas e vindas, no aeroporto fiz dois amigos com quem falo até hoje, um de Belo Horizonte e o outro de Salvador. Um deles, converso com frequência quase que diária. E em Brasília mesmo conheci uma das pessoas mais queridas que a vida me apresentou recentemente, que acabou também cativando um monte de gente aqui pelo Rio quando veio à cidade.

No último domingo, voltando da praia com alguns desses amigos (os de lá de cima, os mesmos do bolo de chocolate no sábado à noite, não os do aeroporto), recebi um WhatsApp da minha mãe. Um não, vários. Era uma penca de fotos que ela havia encontrado na casa da minha tia e madrinha. Fotografias que eu nunca havia visto mais: estavam guardadas junto a lembranças que minha família provavelmente evitava. Eram fotos de uma época em que minha prima Mônica era viva. Ela faleceu em 1989, se não me engano com oito ou nove anos, em um acidente de carro. Falar de sua morte era algo muito dolorido e quase proibitivo para todos nós. E nessa dor ficaram enterradas muitas imagens de aniversários multicoloridos da década de 1980. Alguns, inclusive, em que era eu a soprar as velinhas.

Receber essas recordações, tão despretensiosamente, ao fim de um domingo, me trouxe tantas coisas boas... Um amigo que viu as fotos (aquele, de BH, que conheci no aeroporto) comentou comigo que meu cabelo era penteado no mesmo sentido desde que eu era bebê praticamente. Como não amar reencontrar parte da sua história?

Até o Barba Feita. Vejam vocês que o dono deste site/blog e colunista das segundas-ferias éo Leandro Faria, amigo que começou mais próximo do meu companheiro, Cristiano, e hoje em dia o moço é um dos meus maiores parceiros do dia-a-dia. Confidente e verdadeiro. E ainda me apresentou aos demais meninos que aqui escrevem, por quem muito nutro carinhos semelhantes.

A vida pode ser dura, mas tem suas recompensas. Às vezes, são tão pouco espalhafatosas que nem nós mesmos percebemos. Mas se fazem presentes sempre. Presentes em presença e presentes em dádivas. Seja numa foto, num aeroporto, num grupo de WhatsApp ou comendo um bolo de chocolate, temos a oportunidade de celebrar e lembrar que tudo vale a pena.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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