quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Querem Acabar Com o Acaso





Sou o tipo de pessoa que adora encontrar algum amigo ou conhecido acidentalmente. Sei lá, me sinto como se estivesse em uma novela do Manoel Carlos e tocasse bossa nova ao fundo. Tudo bem que, dependendo da idade de quem estiver lendo esse texto, essa analogia não vai funcionar muito bem. Mas imagine que você está saindo de uma loja distraído e quando menos espera, encontra aquele amigo que não vê tem um bom tempo. Ou dá de cara com o seu crush de Facebook ou Instagram. Pois é, basicamente isso. Encontros que o acaso proporciona e que nos deixam com um sorriso no rosto. 

Só que esse tipo de encontro anda com os dias contados. Já tem um tempo que querem colocar alertas em nossos celulares de que estamos próximos de amigos ou conhecidos, que temos adicionados nas redes sociais. Facebook mesmo tem aquele que avisa quem está nas proximidades. Tirando pais, que devem vigiar os filhos, acho esse tipo de coisa bem sem nexo. Amo meus amigos, gosto (da maioria) das pessoas que tenho adicionada no meu Facebook, mas não significa que quero saber o que eles andam fazendo da vida ou que saibam os meus passos. 

Entenda, ter privacidade é o oposto de estar fazendo “algo de errado”, ou “querendo fazer escondido”. Privacidade é fazer o que quero sem a necessidade de espalhar ao mundo e ponto. Não entendo de onde vem esse fetiche do WhatsApp querer revelar a nossa localização. Ali, na aba de conversa, já existe um opção que podemos compartilhar, se a gente quiser, onde estamos. E não deveria ser assim? Será que não deveria ser opcional esse tipo de coisa? 

É preciso pensar até onde deve ir essa divulgação da nossa intimidade. Não somos e nem estamos em um reality show sobre nossas vidas. Não existe nada para ficar “Keeping Up With...”. Se já não bastasse o nosso ego, que acha que todos querem e precisam saber o que fazemos de nossa vida, o que assistimos, comemos e achamos dos últimos lançamentos da Netflix, vem o WhatsApp querer contar pra todo mundo os lugares que vamos. Gostaria de entender qual é a necessidade disso… Pois é, não tem!

Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
FacebookTwitter


Nenhum comentário: