segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Reprojetando o Passando





Parece que uma onda de términos me rodeia. Estou solteiro desde novembro, mas, nesse meio tempo, tenho visto muitos relacionamentos chegando ao fim. Desgaste, rumos diferentes, a própria vida em si encarregando-se de fazer ajustes interpessoais e mostrando que não, nem sempre o que parecia líquido e certo tem que, necessariamente, permanecer assim

E, conversando com um amigo sobre aleatoriedades, chegamos ao tema fim e, especificamente, sobre como conseguimos nos especializar em reprojetar do passado, muitas vezes mascarando o que efetivamente aconteceu. Falávamos sobre a maximização dos sentimentos, de como as lembranças ficam envoltas em nuvens e nevoeiros e se confundem com o que realmente aconteceu.

Tenho experiência própria nessa área. Antes do meu último relacionamento, eu tive um namoro que, quando chegou ao fim, eu só conseguia me lembrar das coisas boas, daquilo que vivemos, dos bônus daquela relação. Tenho consciência, principalmente hoje, de que se chegamos a terminar é porque as coisas desandaram em determinado momento, a rotina tomou conta do relacionamento, deixamos de ser os dois apaixonados que éramos e passamos a ser novamente dois indivíduos. Mas, quem diz que me lembrava racionalmente desses problemas?

Como sou estranho, tento parar e separar as emoções. Muitas vezes, e agora falo do meu término mais recente, desde o fim do meu casamento me sinto um pouco como Dumbledore, olhando para sua penseira e separando as lembranças, trabalhando sobre elas. Sou atípico, tenho certeza disso. E, muitas vezes, escolho focar no que me é mais aprazível, mas sei que os contras também existiram. E o fim da relação é apenas a prova concreta disso.

Mas sou também prático e procuro encarar as coisas como elas são. O fim, pra mim, é o fim e ponto. Algumas pessoas não. Se prendem ao que já acabou de tal forma cegos, que se esquecem de porque aquilo terminou. Tudo bem, muitas vezes o relacionamento não acaba por sua própria vontade, mas pela do outro, mas, relacionamento é isso: se um não quer, dois não brigam. Mas, quando apenas um decide lutar pelo que já foi, a dor é inevitável. Claro, para quem não consegue fazer a Elsa e praticar o let it go.

Assim, ao ouvir alguém se lamentar e sofrer e querer de volta aquilo que já não tem conserto, quase sempre me pego pensando: pra quê? Será que essas lembranças de sentimentos que se insistem em ser revividos realmente existiram ou foram criadas/maximizadas por uma mente carente?

Vai saber, né? Afinal, nem eu sei. Só estou a pensar e a digitar. Eu e essa minha necessidade de racionalizar.

Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

Homem, Homossexual e Pai disse...

Leandro, saber terminar bem, poder cantar LET IT GO é realmente um exercicio de aprendizado... eu demorei muito para entender isso, ainda sofrom me comisero, penso no que podia ter sido feito (e não estou falando somente sobre fim de relacionamentos)
Gostei de sua definição para perceber quando um relacionamento acabou, quando dois passam a ser um novamente, um individuo... muito bom achei perfeito!