terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Sobre a Barba e Sobre Dar um Tempo





Tirei toda a barba. Sim. No começo eu me detestei? Não vou dizer que não, mas aos poucos já estou me acostumando ao meu velho eu, da época da igreja, que não podia ter barba se eu quisesse ter algum tipo de função lá. Ao me ver no espelho foram vários flashbacks tenebrosos que foram tão rápido como vieram. E lá estava, meu novo velho eu, de volta, enquanto o outro, barbudo, "rebelde", desgrenhado, iniciava seu descanso, seu momento. 

O que me fez achar uma ótima ideia pra mim. Sinto que preciso dar um tempo disso tudo. Internet. Redes Sociais. Celular. Tudo isso tem me consumido, esse princípio de obsessão com saber o que me disseram no Twitter, ou comentar um episódio enquanto assisto, ou ver GIFs da Gretchen o tempo todo (impressionante como dá pra usar os GIFs dela pra TUDO, não é mesmo? Eu gosto muito), e likes aleatórios no Instagram, e histórias no "Snapgram", todo mundo cheio de glitter nos bloquinhos (inclusive amei que agora chamam de bloquinhos, acho tão legal, inclusive porque dá umas piadas bem óbvias sobre bloquinhos de escrever), vídeos da Jout Jout, Porta dos Fundos, Louie Ponto, e por aí vai. Excesso de informação (útil e inútil), portais de notícias, orquestras tocando temas de jogos, de filmes, discussões diversas, pode ou não pode usar turbante, Rita Lobo, foi golpe, não foi golpe, tal coisa raiz versus tal coisa Nutella, Irineu, você não sabe nem eu, esperar ou não o Carnaval chegar pra ser vadia, enfim. 

Eu cheguei num ponto que não estou conseguindo filtrar as informações absorvidas, elas simplesmente entram, se acumulam, e no final de tudo eu acabo achando tudo um saco, só que quando eu percebo isso, já são quatro da manhã e eu não fiz o que deveria ter feito, e preciso dormir pra acordar cedo, tomar café e sair pra entregar currículos. Eu tirei a barba porque eu preciso de um emprego, e talvez, talvez, talvez, chegar sem barba ajude em alguma coisa, mas eu não consigo calcular a probabilidade disso. A mudança pra cá foi e tem sido ótima, a cada dia descubro algo novo sobre mim, e fico orgulhoso demais por isso, mas porra... É como se o peso de toda essa mudança tivesse caído sobre meus ombros só agora, e eu precisasse parar, respirar e dizer: 
"Ok, pessoal, vamos organizar aqui direitinho? Isso mesmo, você aí de camisa xadrez. É, você mesmo, leve essa caixa daqui. Mocinha de rabo de cavalo, me ajuda aqui a limpar essa vidraça, não dá pra ver nada. Tá na hora de desempacotar tudo o que eu trouxe, e eu não vou fazer isso sozinho."
É provável que eu dê um tempo daqui também (alô, Patricia Janiques!). Patricia é uma querida, queria ser amigo dela, me sinto mal em sempre pedir pra ela me cobrir, porque só falei com ela sobre isso, mas ela é uma pessoa maravilhosa, escreve tão bem. Enfim, voltando. Meus textos têm sido, pra mim, estranhos e nada parecidos comigo. Eu sempre tendo a me comparar com os outros, porque é algo que minha mãe sempre fez comigo, então eu acabo fazendo isso também, e acho que meus textos, em comparação com os dos meus colegas, não estão no mesmo patamar, pelo menos não nesse momento. Sabem? 

Meu namoro tá ótimo, e apesar do desemprego, eu estou conseguindo levar a vida, meu pai tá bem, cada dia mais viciado no WhatsApp, então é algo que não vai dar pra deixar de lado, afinal, ele comprou o celular pra falar comigo, o que eu acho maravilhoso, assim monitoro daqui a vida dele, finanças, etc, mas algo dentro de mim tem pedido por esse tempo, por esse descanso mental. Meu consciente e meu subconsciente têm pedido pra que eu vá dormir, pelo menos, antes das duas da manhã, pra que eu não acorde me sentindo um bosta. Urge a necessidade de reagrupar os pensamentos, aliviar a pressão, bolar uma estratégia, voltar à minha forma de pensar: um plano B para o plano A, um plano C para o plano B, e assim por diante. Com esse tanto de informação dançando Zumba na minha cabeça o tempo todo, eu não tenho conseguido fazer nada a não ser vegetar olhando pra tela do Spotify enquanto escuto Mozart, Bach, ou alguma trilha sonora instrumental/cantada, e só acordo quando alguma delas de fato tem  uma melodia marcante que me faz lembrar de determinado momento da minha infância, em especial os que minha mãe estão presentes, e aí eu começo a chorar com as mãos no rosto, pra não acordar ninguém, ou quando meu corpo começa a formigar, e eu percebo que é tarde demais, literalmente, e eu preciso dormir, porque os currículos não vão se entregar sozinhos. 

Talvez eu volte semana que vem, talvez não, ainda não sei. E não, não estou fazendo isso pra que alguém venha dizer "Não, Glauco, não faz isso, vamos sentir saudade dos seus textos!", mas é porque eu já estou tão acostumado a me abrir aqui, que se tornou natural. Está na hora de eu ter um tempo pra mim. Esse é o meu momento, e eu preciso usá-lo pra retomar o controle sobre a minha vida, que eu perdi já faz um tempo. Tá na hora de dizer: "Ok, ok, it's my time now.", e olhar pra mim, pra minha saúde física, que todo dia me mostra que eu preciso ir a um(a) especialista diferente, pra minha aparência, porque eu tô igual aquele emoji de lua do WhatsApp, sabem? Aquele que é a cara do Aécio Neves? Ou será que é o Aécio a cara do emoji? Fica aí a reflexão.

Enfim, vamos parar por aqui, porque já são 22h e eu pretendo dormir cedo hoje (ou talvez eu assista mais um episódio de DareDevil, ando muito envolvido, agora que passou o buzz.). Pode ser que nos vejamos na semana que vem, pode ser que não, então vou dar um tchau aqui, que é pra não deixar nada definido, certo?

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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