sexta-feira, 10 de março de 2017

Ainda Aguenta Ouvir Falar de Carnaval? Eu Prometo Que Essa é a Última, Tá Bom?


O Carnaval terminou semana passada, mas a dança das cadeiras entre carnavalescos, casais de mestres-salas e porta-bandeiras, coreógrafos, intérpretes e diretores de carnaval é imensa... quase uma grande suruba momesca.

O badalado Paulo Barros, que foi campeão pela Portela este ano, no dia seguinte pediu o boné e foi para a Vila Isabel (que deve ressurgir das cinzas em 2018 com uma “injeção” financeira). Já Alex de Souza, que estava na escola do bairro de Noel Rosa, foi para ali pertinho: vai defender as cores do Salgueiro, que há 15 anos estava com Renato Lage e sua esposa, Márcia Lávia. Os dois vão fazer uma viagem para um pouco mais longe: o destino será a tricolor Grande Rio, de Caxias, que nunca foi campeã no grupo especial. Um desafio e tanto.

Já a premiadíssima Rosa Magalhães, que não estava tendo a valorização que merecia por parte dos jurados na São Clemente, alçou um voo bem alto: estará na tradicionalíssima Portela. No grupo de acesso, o jovem e talentoso Jorge Silveira, depois de garantir o segundo lugar para a Unidos do Viradouro deixou o lugar para outro talento: Edson Pereira, que fez um belo desfile na Unidos de Padre Miguel, que agora será comandada por outro jovem: João Vitor Araújo, que saiu da Rocinha.

Poucos ficaram em suas próprias escolas: Alexandre Louzada renovou com a Mocidade, Unidos da Tijuca manteve sua comissão de carnaval; o disputadíssimo Leandro Vieira permaneceu na Mangueira, o quase veterano Cahê Rodrigues continuou na Imperatriz; Marcus Ferreira, na Império Serrano e Severo Luzardo, na Ilha. 

E olha que eu só falei dos carnavalescos, hein... mas a lista de outros profissionais é imensa. 

Essa semana, enquanto publicava um post no Facebook, dei uma zoada com o assunto, dizendo que o mais importante disso tudo era que a Tia Surica, uma espécie de monumento vivo de Madureira, permaneceria na Portela!

Tia Surica é um ícone tal qual a águia portelense. Não dá pra imaginar aquela veinha fofa e simpática na velha guarda de qualquer outra agremiação. Tal como nunca havia imaginado Dona Neuma e Dona Zica fora da Mangueira, assim como o saudoso puxador (ops, puxador não! INTÉRPRETE) Jamelão.

Hoje, infelizmente, esse troca-troca do carnaval se assemelhou ao que vemos nos times de futebol. Nunca imaginei o argentino Conca, ídolo do Fluminense, jogando no arquirrival Flamengo, por exemplo. Mas o amor à camisa ou à bandeira termina quando alguns milhares ou milhões de reais tilintam como o som das antigas máquinas registradoras em seus cérebros. 

Felizmente ainda temos alguns exemplos como os que já partiram desta, mas que até o último dia de vida defenderam as cores e o pavilhão (os já citados Jamelão e as pastoras Zica e Neuma) e os veteranos Monarco e Tia Surica (Portela), Tia Nilda (Mocidade), Chiquinho e Maria Helena (Imperatriz), Neguinho (que há 42 anos ecoa o bordão mais famoso do carnaval – “olha a Beija-Flor aí gente!”) e o casal nota 1000 Claudinho e Selminha Sorriso que juntos, se dedicam há mais de duas décadas pela bandeira da escola de Nilópolis.

Bem, prometo que semana que vem não toco mais nesse assunto. Mas ainda bem que temos essa galera oldschool. Então é isso. Já guardei meu glitter e meu tamborim! Feliz 2017!



2 comentários:

Laura Jane Neumann disse...

Você é demais Marcos! Não sei como consegue ficar tão atento aos detalhes e informações em tempo real e, além de tudo, compartilhar com o público. O jornalismo corre nas veias mesmo.
Sugiro que você comece a redigir e denunciar os devaneios dos políticos comparando o plano prometido nas campanhas e o que fazem e deixam de fazer após as eleições. Bjos
Laura Jane Neumann

Marcia Pereira disse...

Parabéns pela rapidez e pelo conteúdo das informações! Você é o cara!;