segunda-feira, 6 de março de 2017

Cheese Bacon


Era domingo de carnaval. Depois de uma série de blocos e muita folia pelo Rio de Janeiro desde a quinta-feita, ele começava a se cansar. Aproveitou o dia para chegar mais cedo em casa (porque sim, 22h de um domingo de carnaval no Rio de Janeiro é muito cedo), tomou um banho relaxante e estava jogado no sofá assistindo televisão quando percebeu que seu celular recebera algumas chamadas de vídeo enquanto estava no banheiro. Viu a origem das chamadas e, enquanto pensava no que poderia ter acontecido e preparava-se para retornar, recebeu uma nova chamada.

O outro, morador de Curitiba, passava o carnaval em Florianópolis com o seu grupo habitual de amigos e agregados. Haviam se "conhecido" no Ano Novo e, desde então, não se desgrudaram mais. A antipatia, que reinara à primeira vista, dera lugar a um carinho imenso de ambas as partes. E, mesmo que não estivessem juntos fisicamente, as afinidades eram muitas e faziam com que o desejo de um encontro breve se tornasse logo realidade.

Meio bêbado e com uma carinha linda, o curitibano nem esperou que ele desse boa noite para iniciar a conversa:

- Tô com fome. Quero um cheese bacon.

Rindo, o outro estava encantado com aquela ligação. Porque se algo era fato, era quão diferentes eles poderiam ser. Livre e desprendido, o carioca provocava, debochava e seduzia. O curitibano, mais na dele e recatado, se assustava com as histórias e se perguntava do porque insistir naquelas conversas constantes que, a cada dia, se aprofundavam mais, mostrando um ao outro que, às vezes, os opostos podem realmente se atrair.

- Cheese bacon, meu lindo? A farra foi boa, hein?

- Bebi um pouco demais na festa, os meninos me deixaram em casa e foram comprar cheese bacon pra mim, tô com fome.

- E tá ligando pra me contar da sua festa boa e que tá com fome?

- Não, chato! É porque você é lindo!

- Hummm... tô vendo que bebeu mesmo. E nessas horas a gente se revela e vai deixar ainda mais claro que está apaixonado. - debochou o carioca.

- Mas eu tô mesmo. - respondeu o curitibano, fazendo uma carinha feliz e mandando um beijo na câmera.

- Olha que eu acredito!

- E então faz o quê? Tô com fome, quero cheese bacon!

Ele riu e entabulou uma conversa sobre o carnaval. Sobre o que andava fazendo, como andava a folia. E fez perguntas sobre como era passar o reinado de Momo em Floripa. O curitibano respondia, enquanto ele reparava que daquela forma mais solta, liberado do jeito sisudo por causa do álcool, ele era ainda mais bonito que o habitual. E a cada frase sobre qualquer assunto, o curitibano fazia questão de lembrar:

- Tô com fome, meu lindo, quero cheese bacon.

Quando enfim ele viu pela tela do celular os amigos do outro chegando com o lanche, despediram-se apressados. O outro queria comer, mas também o escondia daquele grupo, quase como que ser pego naquele estado e falando com o carioca fosse um ato irresponsável e indevido. Mas ele apenas riu, mandou um grande beijo e ouviu o outro dizer antes de desligar:

- Te adoro. O cheese bacon chegou. Beijo enorme!

Olhando pra tela negra do celular apagado, com um sorriso bobo no rosto, ele então se deu conta que já era quase meia noite. E agora estava salivando, morrendo de fome. Desejando apenas uma coisa: saborear um delicioso cheese bacon...



Um comentário:

Seguindo fitas disse...

Sensacional! Que tal uma pizza com bacon?