terça-feira, 21 de março de 2017

Conflito de Gerações





Ei, você. Isso mesmo, você, que tem como frase preferida “no meu tempo era melhor” (e outras variações). Sente aqui, vamos ter uma conversinha.

Primeiro de tudo, gostaria de saber: por que você acha isso? O que o(a) faz crer que em seu tempo era tão melhor assim? Aliás, o que você considera como “seu tempo”? Achei que você ainda estivesse vivo(a)...

Ah, as coisas funcionavam melhor? É mesmo? A família era mais valorizada? Nossa, incrível! As crianças obedeciam mais? Uau! Deveria ser o máximo mesmo. Mas, me esclareça uma coisa: esse tempo aí que você está falando por acaso envolve um tal regime militar? É aquela época em que as mulheres ficavam em casa, pois poucas trabalhavam fora? Engraçado, eu não acharia esse “tempo” tão divertido assim. Porém, vamos explorar seu ponto de vista.

Você considera bom um tempo em que as liberdades eram tolhidas em nome da “ordem”, em que a organização esteve atrelada à repressão. Uma época em que mulheres não tinham voz e cujo único destino era o lar e a educação dos filhos. Tudo bem, eu entendo que mudanças nem sempre são fáceis de digerir, mas a marcha segue, amigo(a). Eu aceito que você ache que a juventude que você viveu foi melhor que a dos jovens de agora; é um direito seu ter essa opinião. No entanto, negar os avanços que a sociedade teve ao longo dos anos ou desprezar algo só porque não foi inventado pela sua geração é pensar pequeno demais, não acha?

O que o(a) assusta tanto nos tempos atuais? A liberdade que conquistamos de ter nossa voz ouvida e poder livremente expressar nossos pontos de vista? As facilidades das tecnologias? As mulheres não serem mais propriedades masculinas? Você acha que as coisas estão andando rápido demais?

Olha, acho que vale entrarmos num acordo aqui: cada época tem suas “dores e delícias”. Então, vou ser justa com você e apontar um problema atual: o uso excessivo da tecnologia pode nos afastar das pessoas, criando dificuldades de relacionamento e um exagerado desejo de ser notado(a), de ter (ou aparentar ter) uma vida perfeita. Mas não é por isso que devemos banir a tecnologia do mundo, precisamos apenas aprender a tirar o melhor dela.

Por isso, não desprezemos o novo, combinado? Assim como não fecharemos os olhos para o que houver de errado, seja em que tempo for. Podemos fazer isso?

Acordo feito, deixo uma reflexão. Abraçar a novidade não significa menosprezar o que de bom teve no passado. Porém, como o próprio nome diz, já passou, e comportamentos e atitudes precisam ser atualizados se eles são prejudiciais. Mudar não é vergonha nenhuma. 

Quem tem os olhos voltados para o que já foi, fica preso num saudosismo que não é saudável e deixa de aproveitar o que de novo tem surgido. Ser novo não significa ser ruim, certo? Não se esqueça que o que você tanto valoriza já foi novidade um dia. Permita-se evoluir, caminhe para frente. Afinal, você ainda vive e esse ainda é o “seu tempo”. E tenha em mente um verso de Belchior: 
"...o passado é uma roupa que não nos serve mais."
Leandro Faria  
Carol Vidal tem 28 anos, é carioca e mora em Salvador há três anos. Jornalista, descobriu sua grande paixão pela Literatura, essa tão encantadora arte de contar histórias. Adora séries de TV, filmes, livros, HQs, música e chocolate, tendo como atual meta de vida tomar vergonha na cara e sentar para escrever todas as histórias que estão na sua cabeça.
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