sábado, 4 de março de 2017

Ivete Sangalo: Um Ser Humano Fantástico


Existem duas vertentes pela qual se pode admirar um artista: gostando exclusivamente de sua arte e admirando-o apenas como pessoa. Quando as duas coisas convergem, temos um artista completo que amamos admirar. 

Parece meio louco gostar de um artista como pessoa, mas não curtir a sua arte; o contrário é mais comum, mas acontece. Como exemplo posso citar Amado Batista. Talvez, nunca vi ou li nenhuma entrevista dele, mas é um mero exemplo. Não aprecio suas músicas, o pouquíssimo que ouvi dele até hoje não me agradou em nada, no entanto ele pode ser alguém com ideias e conceitos interessantes sobre assuntos que me cativam.

Já os artistas que te fazem vibrar com seus trabalhos, mas por uma série de motivos torcemos o nariz para suas ideologias, comportamentos e/ou personalidades, é fácil citar aos montes. Para não me estender muito, citarei duas bem opostas. Anitta é uma cantora pop de hits dançantes irresistíveis, mas algo me diz que não é uma pessoa tão legal quanto parece. Regina Duarte é uma atriz que sempre admirei profundamente. Como não amar a eterna namoradinha do Brasil? Porém, seu posicionamento político me decepciona bastante, e de uns anos pra cá não consigo mais ser tão apaixonado quanto antes, mas ainda a reconheço como uma das grandes atrizes desse país.

Aqueles artistas que detestamos por completo é desnecessário citar aqui, pois não é o objetivo do texto. Mas admirar um artista cegamente é sempre um perigo. O mundo das celebridades é um engodo, apesar de todo o brilho, glamour e sofisticação que ele apresenta; artistas são humanos, e muitas vezes da pior qualidade. Claro que não deixaremos de gostar de determinado artista por um deslize ou outro cometido na vida pessoal ou até mesmo na profissional, mas existem casos e casos.

Vejamos o do sertanejo Victor Chaves, da dupla com o irmão Léo. Se tem um estilo musical que não faz a minha cabeça é o sertanejo, mas não sou bitolado e reconheço quando algo me toca independente de estilo. Victor e Léo era uma dessas exceções em minha playlist, sempre gostei da dupla. Além de serem lindos, tinham letras e melodias que me agradavam. Ao integrarem o júri do programa The Voice Kids, me conquistaram de vez. 

Então uma notícia escandalosa envolvendo o nome de Victor invadiu os noticiários da semana passada e ainda reverbera. O cantor é acusado de agredir a socos e chutes a esposa, grávida de oito meses. Li a nota, incrédulo. Não era possível, um artista como Victor, aparentemente sério, ponderado, sensato, amoroso, recentemente transformado em ídolo infantil, espancar uma mulher grávida de um filho seu, aos oito meses de gestação. Imaginei a cena, e tudo me pareceu pesado demais para ser protagonizado por alguém com cara de anjo como Victor. Por isso digo que é muito perigoso idolatrar cegamente um artista, quem vê cara e jeito não vê coração. Não estou dizendo que Victor é um monstro, mas desferir socos e chutes em uma MULHER GRÁVIDA DE OITO MESES, a não ser que ela estivesse tentando matá-lo, não há nada que justifique tal ato. Ainda não foi nada provado, o caso está sendo apurado e investigado, mas caso se confirme a agressão, pra mim é muito difícil continuar vendo o cantor com os mesmos olhos e ouvindo suas músicas.

Mas esta coluna quer mesmo é jogar confete em uma artista talentosa, linda e gente boa. Um ser humano fantástico, Ivete Sangalo não é uma farsa. Não pode ser, gente! Se um dia algo terrível sobre ela vir à tona vai ser duro pra mim, mas como parei de endeusar ídolos há tempos, estou sempre de sobreaviso.

Mas o que quero destacar, hoje, é como esta mulher é incrível, aquele tipo de gente que se quer ser amigo, estar o tempo todo junto, ouvindo suas piadas, conselhos e assuntos amenos. Ivete é desse tipo, mesmo sendo uma rainha naquilo que se propõe a fazer e arrastando multidões como a artista completa que é, nunca a vi e nem tive notícia de algum momento em que ela encarnou a persona de rainha poderosa e inatingível com fãs ou profissionais com quem já trabalhou.

Veveta, como é carinhosamente chamada pelos amigos íntimos e os milhares de fãs que se sentem assim, é uma profissional competente, responsável e humilde. Veio de baixo, foi vendedora de marmitex e nunca perdeu o jeitão simples e despachado que a fez arrebanhar multidões de fãs e admiradores. Ivete Sangalo é exatamente aquele tipo de artista que se pode até não curtir o trabalho, mas basta uma entrevista para passar a vê-la com outros olhos. Milionária e deusa absoluta do carnaval baiano, Ivete é gente como a gente, e isso enlouquece qualquer fã de paixão. Eu sou bastante ponderado em minhas paixões, mas amo Veveta com todas as forças.

Ivete brilha o ano inteiro seja qual for o projeto em que esteja envolvida, mas no carnaval é sempre uma loucura. Este ano não foi diferente, mas arrisco dizer que ela brilhou mais do que nunca. Sem dúvida este foi o carnaval dela. Homenageada pela Grande Rio, Ivete Sangalo não se limitou a dar close de diva em cima de um carro alegórico. Desceu do pedestal reservado aos grandes homenageados pelas escolas e sambou no chão, arrasando e mais uma vez arrebatando corações na comissão de frente. Mas alguns dias antes, quando comandava um de seus trios elétricos em Salvador, Ivete foi notícia em diversos sites, ao ter uma atitude que mostrou o quanto ela é a rainha da porra toda.

Um vendedor ambulante de algodão doce e balões passava entre os foliões do trio de Ivete quando a própria chamou o vendedor, comprou todos os balões e doces e ainda convidou-o para subir no trio e ficar um tempo com ela. Depois pediu aos seus funcionários que somassem quanto daria tudo para pagar o trabalhador direitinho. Imagina a felicidade do moço!

O que Ivete fez com os balões e algodões doces? Distribuiu pra galera que a ovacionava lá embaixo, ensandecida de alegria com sua atitude.

Acompanhamos Ivete a tanto tempo, e ela sempre nos surpreende positivamente. Já a vimos explodir à frente da Banda Eva, como uma vocalista cheia de personalidade, no início acusada de querer ser a nova Daniela Mercury. Então acompanhamos sua saída da banda rumo à carreira solo e presenciamos um fenômeno de artista, superar sua (suposta) inspiração, enquanto víamos esta ficando cada vez mais apagada. Acompanhamos seus inúmeros namoros com celebridades e anônimos. Vimos ela casar e se separar. E torcemos para que realizasse o sonho de ser mãe, o que conseguiu após conhecer e se casar com o atual marido, com quem está feliz há anos. Presenciamos o nascimento de uma grande amizade com outra rainha, a dos baixinhos, o que fez surgir boatos de um suposto romance entre ambas, o qual Ivete tirou de letra. Também testemunhamos a musa do Axé fazer cena de ciúme em público, em pleno show seu, levando a galera ao delírio. Mais gente como a gente impossível. E nos enchemos de orgulho e emoção ao ouvi-la defendendo de coração aberto e sincero os direitos LGBT, a diversidade e vê-la responder, ao ser questionada sobre um filho homossexual, que o maior desejo é que seu filho seja feliz, que o amaria e acolheria da mesma forma, sendo hétero ou gay.

Faltam palavras para adjetivar Ivete Sangalo, ela é demais, e esse ‘demais’ e todos os outros adjetivos citados aqui e que a definem tão bem, resume-se a uma única palavra: autenticidade. Ivete é autêntica, diferente daquela outra cantora loira (desculpe, não resisti). E isso, meu bem, não se compra, nem se fabrica. Autenticidade ou você tem ou não tem. Veveta tem de sobra.


Nenhum comentário: