domingo, 19 de março de 2017

Paulo





Não tinha vergonha de dançar, gostava de dançar e, quando dançava, o mundo podia acabar à sua volta que nada mais interessava. As cores, as luzes, o som, se uniam ao seu corpo que se tornavam um só. Um ser que sorria sempre, sorria pra dentro como dizia a si mesmo, porque só sorrindo pra dentro podia-se sorrir pra fora. E ele sorria, e sorria muito, para gente que ele nunca vira na vida. Se divertia com a alegria das pessoas em volta, dos amigos que apareciam e o cumprimentavam, ali ele era sempre o rei do salão.

Aquele dia não era diferente dos demais, Paulo só queria dançar a vida inteira. Sabia que, se quisesse, poderia ter tudo que desejasse. Era como se a música o dominasse naquele momento. Ao seu redor viu um casal se beijando, depois outro e depois outro e mais outro. Nesse instante, sentiu uma mão em volta de seu corpo. Ele só queria dançar e o rapaz dançava junto com ele. Um rapaz alto de sorriso maroto e barba por fazer.. Seus olhos fitavam os olhos negros do outro e não demorou muito para que a boca deles se encontrassem e um estranho calor invadisse seu corpo.

O rapaz de sorriso maroto tinha um olhar inquisidor. Paulo o observava de cima a baixo. Seus olhos percorriam os pés (gostava de pés), as panturrilhas, coxas, glúteos, peitoral com alguns pelos, ombros largos, braços compridos e mãos grandes (também gostava de mãos). “Uma delícia”, dizia para si mesmo. Sentou-se ao seu lado.

- Vejamos, me diga, eu sou quem procura?
- Sinceramente eu gostaria que fosse.

O rapaz sorriu.

- E se eu fosse um telepata seria mais interessante que nos comunicássemos assim.
- Porque? Seria mais seguro?
- Sim.

Ambos sorriram.

Os joguinhos entre os dois iam se acentuando. Paulo continuava estudando o moço à sua frente, um rapaz jovem com um olhar curioso sobre tudo. Não era apenas um corpo. Despertava vontade de conhecer mais e Paulo sabia o que seu corpo suado provocava e podia perceber apenas no olhar do outro que havia bondade em seu coração e um par de asas em suas costas.

- E agora, qual o próximo passo?
- Não sei.
- Gosto de saber onde estou me metendo.
- Mas deixemos isso agora. Sei que ao longo de sua vida acumulou muitas dúvidas e nenhuma resposta, entretanto, posso garantir que todas as suas perguntas terão uma solução, espere apenas o momento certo.
- E o que fazemos ate lá?
- Podemos fazer muitas coisas.

Não foi preciso dizer mais nada. Paulo segurava a cabeça do rapaz e puxara em sua direção. O beijo era forte e quente. Eles se seguravam como se o mundo fosse acabar naquele instante. Aquelas mãos percorriam aqueles corpos vorazmente. Havia dentro deles uma força animal, a verdadeira força da natureza.

Esta é a história de Paulo. Mas poderia ser a sua.

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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