quarta-feira, 1 de março de 2017

PH na Folia - A Coluna da Quarta de Cinzas





Chegamos à Quarta-Feira de Cinzas. Aquela que tantos odeiam e outros esperam ansiosos para saber se a sua escola de samba foi campeã. Eu já vi gente xingando o outro de “Quarta-Feira de Cinzas”, como se fosse uma ofensa. Mas é uma realidade e como diz o bordão, “todo carnaval tem seu fim”. Inclusive o do PH que, como disse aqui semana passada, não é tão fã da Folia de Momo.

Como foram tantas coisas desde sexta-feira, resolvi fazer uma coluna à moda antiga, dividida em notas. Vamos a elas:
  • A explicação
Devo fazer aqui um aparte logo de cara para falar da minha relação com o Carnaval. Sim, muitas coisas me irritam nessa época. Principalmente aqueles que legitimam atos extremos alegando que “é carnaval” e não assumem suas responsabilidades ou, pior, sua vontade própria em fazê-lo. Mas, como disse no meu texto da semana passada, gosto da ideia de sair com amigos para os blocos, de estar em grupo e de combinar fantasias. Eu me divirto muito, mesmo, com tudo isso. Além das escolas de samba, algo que sempre acompanhei.
  • Na Sapucaí
Falando sobre escolas, depois de ficar ausente da arquibancada nos últimos dois carnavais, pude retornar na sexta-feira (24/02) e assistir ao desfile da Série A, o grupo de acesso ao Especial. Foi o dia de reencontrar a minha escola do coração, a Unidos do Viradouro, com quem minha família tem uma longa história (meu avô participou da sua fundação na década de 1940). Sugiro a quem nunca foi: vá! É um espetáculo feito principalmente para os cariocas e o pessoal das comunidades, que trabalham um ano inteiro para fazer aquilo ali rodar. E ultimamente não devem muito às escolas do Grupo Especial. Esse ano ainda levei alguns amigos pela primeira vez à Avenida, sendo que para um deles era a realização de um sonho. Belo começo de Carnaval!
  • Nos blocos
Sim, encarei um roteiro de blocos com alguns amigos meus. E além de me divertir à beça com eles, ainda pude encontrar outros que não via tinha um tempo esbarrando por aí. Um me chamou a atenção em especial: o primeiro menino que se tornou meu amigo por sermos gays. Estudávamos na mesma escola, já nos falávamos pelo falecido mIRC e fomos nos conhecer pessoalmente indo para a também finada festa B.I.T.C.H., numa van que saía com o povo de Niterói direto para a Terra Encantada, na Barra. A partir dali ficamos grandes amigos. Éramos parecidos, muita gente acreditava que ele era meu parente. Minha irmã estudou com a prima dele numa dessas coincidências da vida, mas perdemos contato e cada um seguiu seu rumo; ele, inclusive, indo morar no Chile. Ouvi-lo me chamando no meio da multidão do TocoXona foi uma grata surpresa!
  • As fantasias
Teve dia de policial, dia de mágico, dia de nadador e também de egípcio. Essa graça que traz um pouco daquilo que as escolas exibem no macro da Sapucaí para o micro das ruas tem seu valor. E, para mim, o ponto alto disso tudo foi ver uma das minhas fantasias funcionar para uma criança: um menininho de uns quatro anos gritou ao longe quando me viu. “Olha o mágico!”. Com a ajuda do meu amigo Caruso e do meu companheiro Cristiano, pudemos fazer uma mágica de tirar o coelhinho (o próprio Cristiano) da cartola para ele. O garoto ficou tão maravilhado que valeu por todo o Carnaval. E ele ainda pediu para repetirmos, mas aí o cartel de ilusionismos possíveis estava esgotado...

Outra coisa que me chamou a atenção em relação nas fantasias alheias foi a quantidade de Mulheres-Maravilhas desfilando pelas ruas. Acho que foi uma das mais comuns, inclusive entre meus amigos e conhecidos. Mesmo que mundos tenham feito "de onda," creio que é um sinal dos tempos, de reconhecimento e empoderamento feminino, sim. Afinal, das grandes heroínas dos HQs, a Mulher-Maravilha é a única que não é simplesmente uma versão feminina de um herói masculino já consagrado. 
  • Um novo ódio
Descobri que odeio algo no Carnaval mais do que gente bêbada e pegajosa coletivamente: glitter. Mesmo que eu não passe essa purpurina maldita, ela gruda em mim, entra na minha casa, entra na minha vida e mexe com minha estrutura. Tem glitter na sala, no banheiro, no quarto, na cama, nos travesseiros, nos cachorros, nos gatos, na boca, no olho... Quem sabe no Natal eu não consiga de Papai Noel como presente me livrar de vez dos resquícios.
  • No mais...
Gostaria que na apuração de hoje à tarde a Portela se sagrasse campeã. Pela história, pelo tempo sem título, por ser a escola do coração dos meus pais. Mas acho que vai dar Salgueiro ou Mangueira. No acesso? Viradouro, claro! 

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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Um comentário:

Cleber Eldridge disse...

Pulei tanto carnaval que, sinceramente não sei se aguento outro ano ... e hoje então ... o ano finalmente começa!

http://desde-1991.blogspot.com.br/