terça-feira, 28 de março de 2017

Vivemos Em Uma Bolha e Precisamos Sair Dela




Entendemos e vivenciamos o mundo através da nossa perspectiva. Todo e qualquer posicionamento que tomamos é, quase sempre, fruto do que acreditamos ser melhor para nós. Precisamos romper esse padrão.

Gostando ou não, estamos inseridos em uma sociedade, e o que fazemos (ou deixamos de fazer) pode ter influência na coletividade. Muitos problemas acontecem por conta da falta de percepção do outro ocupando o mesmo espaço que eu. E isso vai desde o exemplo mais simples – como sujar um espaço público – até questões mais complexas, quando decisões são tomadas para beneficiar um determinado grupo e ao mesmo tempo causam o sofrimento de outros.

Pausa para explicação. Se você, preconceituoso, quer usar o que acabei de dizer acima para justificar sua doentia perseguição às populações minoritárias em direito, como negros, mulheres e LGBT, pode parar por aí. Garantir dignidade a essas pessoas só causa o seu sofrimento justamente porque você não consegue enxergar além do seu umbigo. Seu(sua) amigo(a) homossexual casar, sua colega de trabalho ganhar o mesmo que você e a população negra ter o mesmo acesso aos bens e serviços não vai prejudicar em nada sua vida. 

Estamos entendidos? Então, prossigamos.

Aquela máxima que diz que “nenhum homem é uma ilha” é a mais pura verdade. E o processo de enxergar, entender e respeitar o espaço do outro é o primeiro passo para o desenvolvimento da empatia. 

Outro dia, durante uma aula, estávamos conversando sobre a importância da internet no nosso cotidiano, e o que mais foi falado é que a web tem se tornado ferramenta indispensável na educação e busca de informações. Nesse ínterim, foi colocado como se todo mundo tivesse o mesmo nível de acesso, independente de classe social ou local de moradia. Porém, esse dado não procede, uma vez que na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) divulgada pelo IBGE, 54,4% da população com 10 anos ou mais acessou a rede pelo menos uma vez no período de três meses. E é bom registrar que essa foi a primeira vez que o percentual ultrapassou os 50%.

Diante desse cenário, é possível perceber que tem muito mais gente do que se imagina que não vive nossa realidade conectada. Ou seja, não é porque você e todas as pessoas à sua volta navegam pela Internet, que o resto do país também o faz. Assim, volto à questão da empatia. Ser empático é também tentar conhecer a realidade do outro, é sair da bolha em que vivemos para perceber o quanto o mundo é diverso. Empatia é, portanto, o movimento de descoberta do outro.

Considerar que existe toda uma realidade além da que vivemos é um exercício diário e necessário. Esse é o único jeito de tornar a convivência em sociedade mais justa e igualitária. Vamos tentar?

Leandro Faria  
Carol Vidal tem 28 anos, é carioca e mora em Salvador há três anos. Jornalista, descobriu sua grande paixão pela Literatura, essa tão encantadora arte de contar histórias. Adora séries de TV, filmes, livros, HQs, música e chocolate, tendo como atual meta de vida tomar vergonha na cara e sentar para escrever todas as histórias que estão na sua cabeça.
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