domingo, 30 de abril de 2017

Os Vazios Continuam, Mesmo Preenchidos





Era um sábado como outro qualquer...

Era um sábado cinzento, que nada prometia. Talvez uma sessão de Netflix para deixá-lo um pouco mais colorido.

Era mais um sábado em matizes de cinza, ou, sem saber ainda, em 50 tons de cinza! 

Tudo estava gris. Neste sábado completavam-se duas semanas de choro pelos cantos, regados a músicas melodramáticas que hiperbolizavam a minha dor. Tentando entender a rejeição e o medo do outro de viver a dois.

Era um sábado de luto, de expurgo, de luta... Ainda tentando entender mais um fim. Mais um fracasso para o meu lattes.

sábado, 29 de abril de 2017

R.I.P. Jonathan Demme






Eu tinha outros temas sobre os quais queria escrever essa semana, mas a notícia da morte do cineasta Jonathan Demme me deixou bem triste, e o fato de não ver nada na minha timeline sobre o ocorrido, me deu vontade de fazer uma singela homenagem in memorian a esse diretor sensível e inteligente. Curioso como poucas coisas foram postadas sobre sua morte (em minhas redes sociais, absolutamente nada), em tempos em que todos querem comentar e emitir opinião sobre tudo.

Nascido em Nova Iorque, em 1944, Jonathan Demme morreu na última quarta-feira, 26 de abril, aos 73 anos, devido a complicações relacionadas a um câncer de esôfago, do qual sofria há algum tempo. Realizador de belas obras cinematográficas, Demme teve seu maior êxito e reconhecimento com o thriller de terror psicológico O Silêncio dos Inocentes, que lhe rendeu o Óscar de Melhor Diretor, em 1991, levando as cinco principais categorias da premiação daquele ano, fato inédito desde 1975. Mas, confesso, que até hoje não assisti ao filme que consagrou Anthony Hopkins como o maior serial killer lunático e psicótico do cinema que você respeita. Tinha pavor de Hannibal Lecter e, por muitos anos evitei assistir a filmes com o ator, a feição de Hopkins me causava calafrios seja em qual papel fosse. Ainda hoje sinto um pouco de medo, tudo graças a sua assombrosa atuação no filme de um diretor de aguçado talento.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

A Verdade Está Lá Fora - Parte 2





Na semana passada eu falei um pouco daquela brincadeira bacana das 9 verdades e 1 mentira e suas variações que bombaram no Facebook. Muitos acharam uma chata bobagem ou então uma superexposição do ego... Ah, sem mimimis, mas o que são as redes senão uma exposição do id, formado por nossos instintos e desejos inconscientes e buscando sempre o que produz o prazer?

Como disse na coluna anterior, é somente uma modinha... Mas que certamente tornou a rede social de Zuckerberg bem mais humana. Então, vamos à segunda e última parte da brincadeira!

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A Hora Certa de Acabar





Só essa semana consegui finalizar The Vampire Diaries. Sim, a série ainda existia, mesmo depois de tanto tempo que a febre dos vampiros passou!

A trama de Elena, Stefan e Damon foi muito boa, lá em seus três primeiros anos, mas caiu, assim como acaba acontecendo com toda série que trata do universo adolescente. Depois que acaba o colégio, como retratar faculdade e todo aquele micro universo que se torna muito maior...

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Baleia Azul E Outros Suicídios





Uma mistura macabra de jogo, experiência psicológica e crime saiu das profundezas da web e assustou a sociedade nas últimas semanas. O tal Baleia Azul, um game no qual a pessoa, maioria esmagadora de crianças e adolescentes, é desafiada a se suicidar no fim. Curiosamente, a eclosão dessa gincana maluca veio justamente na época de maior sucesso da badalada e controversa série 13 Reasons Why, que também fala em suicídio de uma jovem. Um assunto, que é um total tabu para a nossa (e muitas outras) culturas, mas que, infelizmente, é uma realidade cada vez mais presente e que necessita ser debatida.

Muito me entristece as dezenas de piadas que surgiram a respeito da Baleia Azul com a sua descoberta pela maior parte das pessoas. A grande maioria desmerecendo a gravidade do assunto. Falando em obesidade, em falta de vergonha na cara, em falta de castigo... Quando não enxergam que vivemos novos tempos; que a depressão é, sim, uma pandemia crescente e não uma frescura de quem quer chamar atenção; que muitos desses jovens e crianças têm o mundo acessível pelo seu celular, mas não conseguem sequer dialogar em casa.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Deixa As Pessoas Se Divertirem, Caramba!




E aí, minha gente, tudo certo? Eu quase que esqueço de vir hoje, hein... As coisas andam tão corridas aqui na Ilha da Magia que, se vocês soubessem... Enfim, a coluna do dia é uma daquelas bem miojo mesmo: rápida, prática e fácil de ser entendida..

Surgiu nessa semana uma nova corrente no Feiçe, a corrente das nove verdades e uma mentira. Corrente esta que evoluiu para nove shows que a pessoa foi e um que não foi, nove séries que a pessoa ama e uma que ela não ama, e a melhor: nove boletos e um salário. 

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Mica, Minha Hóspede Felina





Quando me mudei em dezembro passado para o meu novo apartamento para morar sozinho, meu maior problema foi deixar os  meus gatos. Digo, sem nenhuma sombra de dúvida, que minha maior dor foi a separação dos bichinhos que aprendi a amar e, no caso de Dimitri e Juan Carlos, eu vi crescer. Apesar de saber que eles estão bem e sendo bem tratados como sempre e tendo a possibilidade de vê-los quando eu quero, não tenho mais o contato diário, a companhia e, até mesmo, os momentos de irritação que só eles conseguiam me proporcionar. 

Mas, a vida segue, né? E eu fui seguindo a minha, ocupado com a mudança, com o novo status, com os afazeres cotidianos que iam aparecendo. Quando a saudade apertava, era só visitá-los e vê-los para o sentimento minimizar e eu aguentar mais um tempinho sem o seu contato cotidiano. E eu pensei em adotar um filhote, é claro. Mas pesei o trabalho envolvido: meu apartamento é alugado e tem janelas imensas que ajudam e muito na circulação de ar e para aplacar o calor do Rio de Janeiro. Telar essas janelas seria problemático e caro, e eu deixei de pensar no assunto por um tempo.

domingo, 23 de abril de 2017

Vamos Falar Sobre Caridade?





Tem muita gente por aí que acha que, para fazer algo por alguém, tem que esperar ganhar na loteria. Eu sempre achei que caridade é um ato de amor que independe de ter dinheiro ou não. Sendo assim, o que mais vemos é gente pobre, sem nenhum tostão no bolso, ajudando umas às outras. O seja, pra começar basta querer; ser caridoso tem a ver com caráter e não com conta bancária.

Dito isso, vou citar aqui um exemplo de um amigo meu, cujo nome também é Sérgio, e abriga vários animais em sua casa. Em sua maioria, animais que estão velhos e doentes e que ninguém quer mais. Eis que ele emprega o dinheiro dele, seu tempo, muitas vezes pede doações sim e, talvez por ele pedir essas doações, vem sempre algum cretino achar que ele só vive reclamando da vida, que não faz nada pra mudar, que não devia estar perdendo tempo com esses animais, que ele está todo errado.

sábado, 22 de abril de 2017

Já Ouviu Falar na Castro Burger, a Primeira Hamburgueria LGBT de São Paulo?






A primeira notícia que tive sobre a Castro Burger foi através de uma postagem no perfil do Facebook de um cara que eu stalkeava. O rapaz estava revoltado e fazia uma crítica feroz à hamburgueria, que abria suas portas em dezembro de 2016, e era noticiada pelos veículos que a divulgava como a primeira hamburgueria LGBT da cidade de São Paulo. Num primeiro momento, achei a novidade interessante, mas no decorrer da leitura daquela postagem, que acusava a lanchonete de estar incentivando uma segregação, fiquei dividido, talvez o moço tivesse razão.

Mas aí, o canal Chá dos 5 fez uma matéria ótima, indo visitar a casa, apresentando o cardápio, os funcionários e entrevistando o proprietário, que esclareceu suas reais intenções com a abertura do lugar. Fiquei super empolgado e curioso para conhecer o local.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

A Verdade Está Lá Fora - Parte 1





De vez em quando, as redes sociais apresentam algo muito bacana. No Facebook, a modinha da vez foram as enquetes “9 verdades e 1 mentira” e suas devidas variações. Essa semana rolou uma enxurrada em todos os perfis da rede e a diversão foi tentar descobrir qual eram as informações falsas dentro das afirmativas. Lembrou aquele bom e velho caderno de perguntas que rodavam as salas de aula nos anos 1980. Entre tantas desgraças que permeiam as redes ultimamente, achei que a brincadeira deu uma arejada, tornando humanizada uma área que se tornou tão hermética.

Portanto, para as pessoas entenderem o porquê das afirmativas e não ficarem com a dúvida atiçando o cérebro, nesta coluna e da semana que vem, vou dando as explicações, tintim por tintim. Vamos lá:

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Morando Sozinho!?




Quando tinha por volta de uns doze anos já me imaginava morando sozinho. Não, não sozinho. Iria dividir algum apartamento com um amigo. Isso até aconteceu anos depois. O amigo se tornou uma amiga, mas minha mãe continuou perto de mim. Era um morar junto, acompanhado de mais uma pessoa que não era da minha família. Foi bom. É divertido um pouco.

Morar sozinho, admito que nunca havia passado pela minha cabeça. Mas é minha atual realidade. E minha ficha ainda não caiu, acreditam? Só agora, que me vejo escrevendo esse texto é que percebo o quanto de "adulto" se transformou a minha vida.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A Pergunta das Férias




Estou prestes a entrar de férias. Na verdade, segundo o RH da minha empresa, ausência programada. Junto com todos os períodos de férias, é comum a pergunta das pessoas: "e aí, vai pra onde?". Sim, viajar se tornou quase uma obrigatoriedade para o descanso.

Eu AMO viajar. É uma das poucas coisas na vida com a qual não esquento de gastar meu dinheiro guardado. Uma vez ouvi: chega de pensar em ser feliz mais tarde; seja agora. Às vezes, a gente passa a vida poupando dinheiro e não aproveita o que poderia ter feito com ele. Mas, muitas das vezes, ainda assim a pessoa pode não ter condições de viajar naquele momento. Ou mesmo vontade. Ou mesmo ter outros planos.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Conto Alheio de Autoria Não Identificada





Ih, menina, o fogão daqui do apartamento pegou fogo, acredita? E agora, como que eu vou fritar meus nuggets? Ai, quanto sofrimento, minha gente. Mas e aí, tudo certo?

Chegou até a mim um conto ma-ra-vi-lho-so, de uma arroba do Twitter, que quer que as pessoas vejam esse conto, porém, não quer se identificar. Aí eu, como sou uma pessoa muito legal, resolvi vir aqui pra divulgar o texto da pessoinha. Espero que apreciem tanto quanto eu apreciei!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Sexo e Intimidade





Falávamos no almoço, minha amiga e eu, sobre sexo. Não sobre o ato em si, mas de como algumas pessoas gostam do ato e outras o abstraem totalmente de suas vidas. Mais precisamente, ela falava sobre a interessante “curva de maturidade” que o sexo atingia em seus relacionamentos: depois de um ápice, ela perdia interesse no sexo com a pessoa. O comum, arroz com feijão, a faz perder a vontade. E isso não acontece com os anos, mas sim num curto período de meses. E com a perda de interesse no sexo, a inevitável perda de interesse na pessoa também acontece.

E eu fiquei pensando nas minhas experiências. Durante muito tempo eu achei que fosse viciado em sexo, que gostasse mais que o normal do ato. Hoje, bem mais maduro e com alguma bagagem e experiência, posso afirmar que estava é me relacionando com as pessoas erradas, com necessidades diferentes das minhas no que dizia respeito às relações sexuais. Pois o que pode satisfazer uma pessoa, pode apenas começar a provocar a outra.

domingo, 16 de abril de 2017

Aquele Pornô Nosso De Cada Dia





Fala a verdade, você gosta de assistir um filme pornô de vez em quando, não gosta? Não estou aqui para te recriminar, longe disso. Recentemente, vi uma reportagem que dizia não existir crise nessa indústria. O Grupo Globo, com seus canais eróticos, faturou R$ 180 milhões ano passado, por exemplo. Assim sendo, existe público sim e eu acredito que sempre existirá, ainda mais agora em que as pessoas estão sem tempo para nada e com pressa para tudo, inclusive para transar.

São muitas opções, gente! E existe dentro desse mesmo segmento, subdivisões. E eu achando que se dividiam apenas entre filmes gays e héteros. Que tolinho eu sou, mas basta acessar qualquer site que descobrimos que tem para todo mundo. E dentro desse todo mundo tem toda uma linha de fetiches variados que também vão desde produções amadoras até as mais elaboradas, como paródias de filmes de sucesso como Tarzan, Star Wars e por aí vai.

sábado, 15 de abril de 2017

Voltando ao Normal






A vida é uma montanha-russa, há momentos em que estamos no alto e outros, lá embaixo. É natural, normal, não se pode ficar o tempo todo por cima, muito menos por baixo. É como diz um ditado que gosto muito: Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe. A vida é assim, meio bipolar. Porém, quando estamos por baixo, por mais que saibamos que a má fase vai passar, é inevitável a angústia, a tristeza, o desânimo, a sensação de fracasso, impotência, as incertezas, a insegurança e o medo. Eu passei por todos esses estágios nos últimos meses.

Meu inferno astral começou há exatos oito meses, quando escrevi um texto intitulado Pés Cansados, Coração Leve. Nele eu descrevia, inspirado em uma música da Sandy, o início de uma fase que, eu sentia, não seria tão boa, mas fazia-se necessária. E realmente não foi nada boa, foi um tempo de silêncio, reflexão e reclusão compulsórios. Mas a coisa se agravou mesmo nos últimos dois meses, foi quando entrei naquela fase de separar o joio do trigo, sabe?

sexta-feira, 14 de abril de 2017

A Crueldade do Grande Irmão





Podem me crucificar. Eu sempre gostei de assistir BBB e sofro bullying por isso. As pessoas só faltam me bater quando assumo que assisto. Às vezes, tenho até receio de dizer isso em algumas rodinhas de amigos para não causar a discórdia. Para mim, o ano até começava, de fato, quando Bial anunciava o vencedor da edição, tamanha era minha devoção. Mas o que antigamente era uma diversão, está se transformando em ojeriza. Não faço mais a menor questão em saber quem ganha o prêmio. 

O principal interesse neste reality show sempre foi minha curiosidade em observar a reação e a transformação das pessoas. Ali, naquele confinamento cheio de câmeras e holofotes, os participantes, paulatinamente iam eliminando uns aos outros por causa da corrida por 1,5 milhão de reais. Sempre enxergava como uma estrutura de jogo mesmo, onde o mais esperto e/ou o mais querido pelo público ganhava a bolada. Dali, figuras como Grazi Massafera, Jean Willys, Juliana Alves e Sabrina Sato despontaram (e, sinceramente, quase não consigo mais fazer uma associação deles com o programa). Havia ali administração de conflitos, trabalho em equipe e isolamento que facilmente poderíamos comparar com a nossa realidade, mesmo sem estarmos dentro da tela. Atualmente, não consigo nem me lembrar de quem ganhou a edição passada. Assim como Andy Warhol previu, eles tem os seus 15 minutos de fama... Ou, vá lá, uns seis meses, no máximo. 

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Mais Que Apenas 13 Razões





Que o Netflix vem mostrando seu brilhantismo em todas as suas produções, não entra mais em discussão. Todos sabem. Eles criaram a fórmula do sucesso e estão no auge de sua glória. O benefício é nosso, é do espectador. E no último dia do mês de março foi a vez da série 13 Reasons Why ser lançada. Inédita e de uma vez, foi engolida por muita gente. 

13 episódios de pouco mais de uma hora. Um dia de maratona? Dois, talvez? Muitos não conseguiam parar de ver. A série é muito boa. É muito bem escrita e muito bem produzida. Ela começa meio lenta e acelera. É difícil não ficar curioso pro desfecho que só é revelado no fim. Mas, contrariando as expectativas, eu demorei uma semana para terminar. Não foi por falta de tempo. Não foi por desinteresse. 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Construção





Uma das coisas que mais me chamou a atenção quando conheci a civilização Inca na minha viagem ao Peru e à Bolívia em 2015 foram as enormes construções à base de pedra que eles faziam. Lembro-me de olhar aquelas estruturas monumentais, em encaixes perfeitos, de dar inveja nos mais elaborados quebra-cabeças, e imaginar que, para que aquilo tudo fosse feito, eram necessários incontáveis anos de lapidação e polimento das rochas. Às vezes uma vida inteira dedicada a construir algo que, provavelmente, o próprio operário não iria desfrutar. E eu me perguntava: por quê?

É difícil para a gente compreender, em meio a um mundo tão imediatista e egoísta em que vivemos, o ato da herança. Os incas sabiam que poderiam não usufruir de nada daquilo, mas o que eles usufruíam havia sido fruto do trabalho de alguém gerações antes. E eles teriam, como missão, deixar o legado para as gerações futuras. Passavam dias apenas moldando pedras. Provavelmente, sem mais nenhuma outra ocupação (exceto as para se manter vivos, como arrumar comida e bebida, e as familiares). Suas vidas faziam sentido somente por construírem.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Matematicamente Falando





Ah, menina... E eu que fui inventar de brincar com Rafael, dizendo que meu apelido era Charizard (por causa do fogo no rabo), e ele acreditou e tá pegando no meu pé com isso? Só rindo, viu? Mas, e aí, minha gente, como é que vocês estão? Eu tô bem, muito bem.

No Ensino Fundamental eu tive esse professor... Carlinhos. Ele é mestre de Taekwondo (não sei se tá vivo ainda, mas vamos dizer que sim). Nossa, ele é uma figura tão bizarra, com uns bordões tão igualmente bizarros, incluindo "Quer moleza? Senta no pudim e rebola!", e tudo isso com um sotaque que até hoje eu não faço IDEIA do que seja. Ele foi o professor de Matemática mais nada a ver que eu já tive, todo mundo tinha pavor das aulas dele, mas ao mesmo tempo, conseguíamos apreciar alguns momentos. Poucos, pra falar a verdade. E a gente sempre ficava apavorado com os exercícios que ele passava, porque era tanto X, Y, número, sinal, e puxa daqui, tira dali, que olha... Deu dor de cabeça de novo, só de pensar nisso. 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Sobre Perdas e Aprendizado





Ando pensando nos meus queridos. Não aqueles que me rodeiam e que me fazem feliz, mas, especificamente, aqueles que já se foram. Meus avós, em especial. Sonhei esses dias com a minha avó paterna, falecida tem quase sete anos, e as lembranças dela tem me inundado. E, escrever é uma forma de lembrar e de eternizar, não é mesmo?

O que acho irônico é como a vida faz certas coisas. Tudo parece bem e, de repente, você é obrigado a confrontar situações para as quais não estava preparado e, sem ter muito o que pensar, apenas aceitar que aquilo aconteceu.

domingo, 9 de abril de 2017

Eu Fui Um dos Motivos





Quando o assunto é bullying, é assustador a quantidade de histórias de sofrimento que surgem, mas nenhuma de opressão. É como se ele nascesse do vento, como se o perseguidor não existisse. Pois bem. Tá com tempo? Vou contar uma história que até hoje, no meio da tarde, estava enterrada em algum canto da minha mente. Talvez você a tenha vivido comigo. Seu nome não aparecerá aqui, fique tranquilo. Talvez você tenha acompanhado de longe. Talvez você nem me conheça. Seja como for, falo de mim. Mas é inevitável... Falo de você também, seja você quem for. 

Quando o ensino médio chegou, eu era um nerd típico. No final da década de 90, ser nerd não era o que é hoje. Não era uma qualidade. Longe disso. Não tinha evento e mercado para nerds. Ser nerd era ser um bosta. Eu era o orgulho dos meus pais. Óculos de grau, cabelo partido no meio, sapato impecável. Eu era também um garoto trancafiado no armário, morrendo de medo do mundo, de ser descoberto, exposto e humilhado. Já havia acontecido antes, escola após escola, toda vez que minha sexualidade de alguma forma tocava a superfície. Não era por acaso que eu trocava de turma, de escola, a cada ano. Mas naquele momento, eu estava em um dos melhores colégios públicos do Brasil e eu não podia me dar ao luxo de simplesmente sair. Tinha que dar certo e eu não estava disposto a passar por todo o processo novamente. Então, depois de um ano ruim, de empurrões escada abaixo e indiretas maldosas, vieram as férias e resolvi mudar. Ia jogar o jogo.

sábado, 8 de abril de 2017

De Onde Eu Te Vejo





Como desatar nós quando na verdade são laços que nos unem? Ou então, como simplesmente recomeçar a vida? O leve e inteligente De Onde Eu Te Vejo passeia por essas perguntas, explorando o encanto da franqueza e o poder do afeto.

Depois de alguma crise, repaginar o corte de cabelo, ser aprovado no vestibular ou mudar de apartamento podem ser tentativas válidas de renovação, mas existe lá no fundo aquela grande verdade que não se ajusta como relógio ao novo estado das coisas. É dessa verdade que o filme de Luiz Villaça trata. A separação de Ana (Denise Fraga) e Fábio (Domingos Montagner) faz remontar o passado do casal cuja promessa de futuro foi abalada pelas transformações da vida. Algo natural, corriqueiro e comum a todos, mas nada fácil. Que tal encarar tudo isso com humor?

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Todo Carnaval Tem Seu Fim? (ou Salve a Mocidade!)




Eu jurei que não tocaria mais em assuntos carnavalescos neste ano, mas assim como 1968 “foi um ano que não terminou”, o carnaval de 2017 está longe ainda de ter fim, pelo andar da carruagem (alegórica, claro). Neste momento, Joaosinho Trinta, Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues e Fernando Pinto devem estar chocados com tantos assuntos bombásticos. Nunca se viu, em toda a história dos confetes e serpentinas, um carnaval tão longo.

O Carnaval de 2017 foi estranho. Desde o início do ano não senti a cidade festiva. Sei lá, estava faltando alguma coisa. Talvez pela crise, o clima de insegurança, os protestos de funcionários públicos, a cidade quase sitiada, não sei. Havia uma certa nuvem negra pairando pelo ar. No corre-corre dos acontecimentos diários, quando nos demos conta, já era carnaval. E nem deu para criar aquela contagem regressiva. O próprio prefeito recém-empossado (que, bem da verdade, acha carnaval um saco) nem deu muita bola: sequer apareceu para a tradicional entrega simbólica da chave da cidade para a Corte de Momo.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

A Moda da Sofrência





Não posso dizer que não conheço Simone e Simaria. Fico cantarolando Loka, loka, loka (no mesmo tom que elas cantam no clipe com a Anitta) em todos os lugares em que vou. Também acontece de no meio do meu dia sair por aí sussurrando o loka, loka, loka. É divertido. 

Medo Bobo, por exemplo, da Maiara e Maraísa (mas que sou apaixonado na voz de Jão), quem não cantarolou aqui e ali no bar com os amigos? Você até pode dizer que não, mas sabe a letra de cor.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Confissões De Um Retardatário Digital




Vou fazer uma confissão que, espero, não faça me tornar um completo estranho para você: eu não tenho Netflix. Nem Spotify (já tive, acabei desinstalando após alguns meses nunca tendo usado). Tampouco Twitter ou Snapchat. Ah, também não uso Gmail (até tive que fazer um, para utilizar na minha conta Android – durante anos, eu usei um Windows Phone). E não tenho absolutamente nada da Apple...

Volta e meia sofro certo bullying por conta de uma das confissões feitas acima. “Como assim você não assiste tal série”? Ou “você não tem um iPhone porque não sabe que é muito superior aos outros”. Uma vez um amigo me falou: “Já ouviu aquela: ‘Era bonitinho, mas usa Hotmail’? É você!”. Ok, eu tenho um Hotmail, mas mal uso (usava para o MSN Messenger e depois pro login do Windows Phone). Meu e-mail desde sempre é do Yahoo! (e não sei se isso é exatamente algo que me inocente...).

terça-feira, 4 de abril de 2017

Não Sei Vocês, Mas Eu Tenho Medo, Viu?!





Voltei! Voltei! Voltei! Pronto, passou. E aí, tudo bem, gente? Que saudade que eu estava do Barba, de vocês, do bloqueio criativo... Tudo muito lindo. Antes de mais nada, quero agradecer à Carol Vidal, pelas belíssimas palavras postadas aqui todas as terças-feiras, em minha ausência. Você arrasa, gata, volte sempre que quiser, viu?! 

Agora sim, vamos lá. Pra quem tá achando que meu texto vai ser depressivo, por causa do título alá Regina Duarte, se enganou. É só que... bem, eu realmente tenho medo de como as coisas têm caminhado, sabe? Várias coisas me dão medo, mas três em especial me apavoram mais. De uns tempos pra cá eu tenho visto uma galera desesperada pra fazer parte de uma obra do Nicolas Sparks, ou John Green, ou whatever, num mundo totalmente romântico, onde, pra você ser feliz, precisa achar alguém que queira viver aventuras fantásticas, momentos clichês, com frases feitas, de total devoção a elas, como elas são a essas pessoas. O que, na maioria das vezes, não acontece. E quando não acontece, essas pessoas se desesperam, choram ao som de Anavitória, porque sua vida não é mais um episódio de Malhação e, com isso, as pessoas que optam por viverem na realidade, não prestam. O que? Ah, não me olhem, vocês sabem que é assim.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Luzes no Fim do Túnel





A vida, essa danadinha, pode não ser fácil. De uma hora pra outra, todas as suas certezas podem ser embaralhadas e a gente fica perdido, sem saber como seguir com os planos de outrora, sem sinal de GPS apontando para onde irmos, a luz do fim do túnel se apagando ou parecendo apenas um pontinho bruxuleante. E isso assusta, nos tira do eixo de um jeito que a gente podia nem mesmo achar possível. E enquanto você está ali paralisado, o que a vida faz? Ela continua, porque as suas dores e seus problemas são seus, unicamente seus.

O bom é que, apesar dos pesares, a gente não está só. Apesar de algumas vezes parecer que sim, que somos apenas nós por nós mesmos, e isso causar um aperto e um vazio no peito, existem pessoas que insistem em te provar que não, isso não é verdade. Que você pode ficar sozinho sim, mas só se você quiser.

domingo, 2 de abril de 2017

Silvestre




Começou a sair mais e a conhecer mais gente. A abraçar outros meninos e beijar outras bocas, mas a lembrança daquele primeiro beijo ele nunca esquecera. Guardara em seu coração e deixava vir um sorriso nos lábios quando pensava naquele momento. Seria sempre assim? Com um doce sorriso nos lábios? Quem sabe, mas o tempo, às vezes, também apaga muitas coisas. Tinha se concentrado em outras atividades, a vida adulta não era nada fácil. Agora morava só, perto do centro onde podia receber os amigos.

Ao sair de casa aquela manhã esbarrou com o vizinho ao lado de um moço bonito, com um sorriso maroto e barba por fazer. Mas com grandes olhos negros e penetrantes. Por um instante achou que o conhecesse de algum lugar, mas não conseguia recordar de onde seria. Os três pareciam ir para o mesmo lugar, contudo, na esquina, seguiram caminhos opostos e Silvestre se voltou para olhar mais uma vez para o rapaz, ainda tentando lembrar de onde o conhecia, eles caminhavam devagar até sumirem de seu alcance. 

sábado, 1 de abril de 2017

Sobre O Que Escrevi (Vivi e Senti) Nos Últimos Três Meses






Algumas pessoas fazem um balanço do que fizeram e viveram a cada três meses, afinal, é um quarto do ano que se foi embora, e parar para refletir e ponderar em como esse tempo foi aproveitado é algo interessante de se fazer. Nesse caso, como utilizo-me bastante de minhas vivências para produzir os textos de sábado publicados neste espaço, achei interessante pôr em prática algo que sempre quis fazer, mas nunca me dei ao trabalho, registrar por escrito um balanço do que aconteceu em minha vida no último trimestre, os primeiros meses de 2017. Para isso, me basearei exclusivamente nas postagens que fiz aqui. Se a experiência for interessante, repetirei a cada três meses. Assim, porei em prática meu tão desejado balanço trimestral, apoiado em meus escritos para o Barba Feita.

Dei-me férias daqui em 10 de dezembro de 2016. Deveria ter voltado no primeiro sábado de janeiro, dia 07, mas a falta de inspiração me fez adiar minha volta em uma semana (ainda bem que sempre posso contar com o prestativo Maurício Rosa, que cobriu minha ausência). Estava na tediosa Capão da Canoa, litoral do Rio Grande do Sul, onde moram meus pais. Era difícil encontrar algo de interessante sobre o que escrever naquele lugar. Retornei então, no sábado 14/01, com o texto O Que é Música Boa?.