quinta-feira, 6 de abril de 2017

A Moda da Sofrência





Não posso dizer que não conheço Simone e Simaria. Fico cantarolando Loka, loka, loka (no mesmo tom que elas cantam no clipe com a Anitta) em todos os lugares em que vou. Também acontece de no meio do meu dia sair por aí sussurrando o loka, loka, loka. É divertido. 

Medo Bobo, por exemplo, da Maiara e Maraísa (mas que sou apaixonado na voz de Jão), quem não cantarolou aqui e ali no bar com os amigos? Você até pode dizer que não, mas sabe a letra de cor.

É isso, queridos. A sofrência sempre esteve na moda (alô pagode dos anos 90) e o sertanejo vem cantando sobre isso cada vez mais. Certo eles. Certo nóis. O que difere desses dois polos de sofrência é que as mulheres estão sofrendo por cima, superando bem mais os acasos do relacionamento com seus parceiros. Não que isso não estivesse acontecendo antes, mas hoje é de um jeitinho diferente. 

O meu foco é a sofrência e não quem se sofre, ok?! Então, pensando nisso, é que quero refletir um pouco com você, meu leitor. Amor é um clichê que todo mundo diz estar de saco cheio, mas acaba se derretendo por histórias - em livros, séries ou mesmo no cinema - que contam sobre alguém que gosta de alguém. Esse sentimento, às vezes, é recíproco, mas na grande maioria das vezes, não é. E é aí que a verdadeira história começa e a gente fica ali vidrado. 

A música de sofrência conta a mesma coisa, só que do ponto de vista de quem já levou o belo pé na bunda. Já perceberam que quem trai, raramente, é o centro das atenções. Quer dizer, falam dele, mas não existe uma música cantada do ponto de vista dessa pessoa. Do infiel da situação… Isso é um caso a se pensar. 

Afinal, se tem tanta gente sofrendo por aí, quem são esses que fazem os outros sofrer? Pois é, eu não sei… 

Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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