terça-feira, 18 de abril de 2017

Conto Alheio de Autoria Não Identificada





Ih, menina, o fogão daqui do apartamento pegou fogo, acredita? E agora, como que eu vou fritar meus nuggets? Ai, quanto sofrimento, minha gente. Mas e aí, tudo certo?

Chegou até a mim um conto ma-ra-vi-lho-so, de uma arroba do Twitter, que quer que as pessoas vejam esse conto, porém, não quer se identificar. Aí eu, como sou uma pessoa muito legal, resolvi vir aqui pra divulgar o texto da pessoinha. Espero que apreciem tanto quanto eu apreciei!


E no fim do dia me pego pensando na garota de All Star branco embarrado que conheci essa manhã. Chovia muito, o trânsito estava horrível, o dia começou triste e chato, sem esperanças. Mas foi na loja de CD’s que tudo mudou, foi lá que conheci Walquiria, 21 anos, cabelos negros curtos, olhos azuis profundos, demarcados por cílios e sobrancelhas escuras, blusa vermelha, jeans e All Star branco embarrado. Esbarrei nela na sessão de LP’s, eu estava procurando um álbum dos Beatles, o meu preferido que se perdeu na mudança e ela atrás de uma capa que lhe chamasse a atenção, era assim que ela escolhia álbuns. Julguei estranho, porém interessante.

Sim! Ela me chamou tanto a atenção que não pude deixar de puxar assunto, fiquei feliz ao ver que ela respondeu a minha pergunta gaguejada: “O que está procurando?” Ela disse não saber ao certo, que passou ali pra passar um tempo, sem nada concreto em mente. Não sou conhecido por saber conduzir uma conversa dessas, ainda mais quando estou com mãos suadas e coração acelerado, acho que ela percebeu, pois foi ela que me convidou à irmos a cafeteria que ficava ao lado para conversarmos. Reparei que ela estava um pouco molhada, provavelmente devido a chuva, ofereci meu casaco, ela relutou mas acabou aceitando, ficou enorme, estranho, inadequado, perfeito… Indaguei-a do porquê de seus tênis estarem embarrados, ela disse ter escolhido os tênis errados para essa manhã, azarada que é pisou em um poça d'água no caminho entre a loja de CD’s e o ponto de ônibus do qual desembarcou. Aquilo soou poético. 

Ficamos lá por um bom tempo, falamos sobre música, livros, dias chuvosos, dias de sol, poesia, filmes, apartamentos, hobbies e coisas sem sentido. Ela disse ser estudante de engenharia e amar números, disse que números são intrigantes e, às vezes, difíceis de se entender, assim como ela. O sorriso que ela abriu em seguida me fez tremer, eu estava completamente fascinado por aquela jovem mulher com estilo único, que gostava de café com leite magro, bem quente, e tinha olhar, sorriso e personalidade tão impactantes quanto o nome: Walquiria.

De um jeito simples e tranquilo ela disse estar quase atrasada para a aula, foi ai que percebi que fiquei praticamente a manhã toda na companhia dela. Tudo bem, trabalho demais, posso me dar o luxo de aproveitar uma manhã daquela maneira, sem preocupações e sem pensar nas chamadas não atendidas no meu celular. Fiz questão de pagar a conta e ela aceitou sem fazer muito teatro, nos despedimos e ela iniciou sua caminhada em direção a universidade que ficava 10 quarteirões dali. Deixei um cartão meu com ela, não acreditei que ela me ligaria mas naquele momento senti necessidade de fazer isso, para me dar esperança, creio eu. E foi ao vê-la caminhar se distanciando de mim que percebi que não me sentia feliz daquele jeito havia muito tempo, perdi tempo demais trancado naquele escritório, tempo suficiente para desaprender uma série de coisas. O brilho que ela tinha nos olhos e a sinceridade no sorriso era porque ela vivia, vivia cada dia sem pressa, aproveitando os momentos simples, sendo feliz mesmo estando com os tênis errados na manha errada. Demorei alguns minutos para voltar ao normal, não consegui tirar do rosto o sorriso de bobo, e nem pudera, afinal, estava apaixonado. Sim! Eu me apaixonei, mas não por ela e sim pela vida, pela manhã de chuva, por tomar café com uma estranha formidável e pelo fato de, finalmente, estar voltando para mim mesmo…

E no final do dia me pego pensando novamente na garota de All Star branco embarrado que conheci naquela manhã.

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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