segunda-feira, 24 de abril de 2017

Mica, Minha Hóspede Felina





Quando me mudei em dezembro passado para o meu novo apartamento para morar sozinho, meu maior problema foi deixar os  meus gatos. Digo, sem nenhuma sombra de dúvida, que minha maior dor foi a separação dos bichinhos que aprendi a amar e, no caso de Dimitri e Juan Carlos, eu vi crescer. Apesar de saber que eles estão bem e sendo bem tratados como sempre e tendo a possibilidade de vê-los quando eu quero, não tenho mais o contato diário, a companhia e, até mesmo, os momentos de irritação que só eles conseguiam me proporcionar. 

Mas, a vida segue, né? E eu fui seguindo a minha, ocupado com a mudança, com o novo status, com os afazeres cotidianos que iam aparecendo. Quando a saudade apertava, era só visitá-los e vê-los para o sentimento minimizar e eu aguentar mais um tempinho sem o seu contato cotidiano. E eu pensei em adotar um filhote, é claro. Mas pesei o trabalho envolvido: meu apartamento é alugado e tem janelas imensas que ajudam e muito na circulação de ar e para aplacar o calor do Rio de Janeiro. Telar essas janelas seria problemático e caro, e eu deixei de pensar no assunto por um tempo.

E então surgiu o Rodrigo, um querido e quase vizinho. Sabe aquele tipo de conexão fácil, com afinidade onde a conversa flui e a pessoa torna-se amiga em um piscar de olhos? Nosso encontro foi desse tipo e, além de um novo amigo, acabei me apaixonando pela Mica, sua gata branca linda e carinhosa que me lembra muito os meus dois bichanos branquinhos, Dimitri e Juan Carlos

Meu primeiro contato com Mica foi dos mais legais. Ao entrar no apartamento, ela prontamente veio ver quem estava invadindo seu espaço, cheirou e rodeou minhas pernas, e voltou pra sua vida com cara de "ok, tudo bem, eu aceito você". E eu achei-a linda, tanto que a agarrei e apertei e até tirei uma foto para ostentar no Instagram junto com a minha nova amiga. Um amorzinho aquela bola de pelo que, é claro, fazia da vida do Rodrigo mais feliz.


Nesse mesmo dia, Rodrigo me contou que estava indo viajar e me perguntou se eu me importaria de cuidar da Mica por um tempo. Disse inclusive que eu poderia levá-la para o meu apartamento nesse meio tempo, o que eu prontamente concordei. E foi assim que, por duas semanas eu tive Mica convivendo comigo. E, gente, que maravilha ter uma lady em casa para alegrar os dias e me brindar com suas peculiaridades.

Quando cheguei com Mica em casa e abri a caixa de transporte, ela olhou desconfiada para tudo. Era um espaço novo, desconhecido e vocês sabem como gato é naturalmente curioso e ressabiado. Mas com Mica a curiosidade venceu a desconfiança. Ela saiu desfilando pelo apartamento, cheirando tudo, reconhecendo aquele território. E, enquanto eu achava um lugar para a sua caixa de areia e seus potes de ração e água, ela explorou a parte de trás do meu sofá, debaixo da mesa da sala, minha pequena varandinha, o meu quarto em todos os seus cantos e decidiu passar boa parte do tempo na beirada da janela do quarto fechada, olhando através do vidro para a vista de mata verde que tenho a partir do meu quarto. 

Eu, que estava vivendo sozinho desde dezembro, tive de me adaptar à algumas características de Mica que, segundo o Rodrigo, estou estragando. Nos primeiros dias, ela me acordava todos os dias pontualmente às 5:30 da manhã, hora que descobri que o Rodrigo acorda. Eu, que levanto às 7:15, surtei, né? Mas a danadinha aos poucos aprendeu o meu horário e acho que o Rodrigo vai penar para "reprogramar" o seu despertador agora que voltou de férias. Além disso, descobri que Mica adora assistir televisão comigo, em cima da minha barriga, deitada entre as minhas pernas ou achando um espaço entre o sofá e eu; e, quando quero mudar de posição, ela se levanta, olha bem pra minha cara e solta um "miau" com um tom de "de novo, sério?" me olhando na cara. É hilário!


Agora, com o retorno de Rodrigo e com ela de volta à sua casa, estou sentindo meu apartamento mais vazio. Suas brincadeiras de correr em volta dos móveis, seus miados pedindo atenção e até mesmo o trabalho de trocar a areia e manter seus potes de comida e água abastecidos estão me fazendo falta. E, com essa falta, bate forte a saudade de Wolfgang, Dimitri e Juan Carlos, os meus filhos originais. 

Por isso, pensando nesse tipo de amor que surge tão naturalmente em nós por esses serzinhos adoráveis, me pergunto como os humanos podem ser, tantas vezes, tão egoístas e levianos consigo próprios e, tenho certeza: não existe amor mais sincero e puro do que o que sentimos pelos animais. E é maravilhoso ver isso retribuído pela forma em que eles nos tratam. 

Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

Junior Barbosa disse...

E como não amar os cats. Não sei como consegue ficar longe dos seus rs. A minha fico longe 2 dias já sinto falta dela ronronando perto de mim.