terça-feira, 4 de abril de 2017

Não Sei Vocês, Mas Eu Tenho Medo, Viu?!





Voltei! Voltei! Voltei! Pronto, passou. E aí, tudo bem, gente? Que saudade que eu estava do Barba, de vocês, do bloqueio criativo... Tudo muito lindo. Antes de mais nada, quero agradecer à Carol Vidal, pelas belíssimas palavras postadas aqui todas as terças-feiras, em minha ausência. Você arrasa, gata, volte sempre que quiser, viu?! 

Agora sim, vamos lá. Pra quem tá achando que meu texto vai ser depressivo, por causa do título alá Regina Duarte, se enganou. É só que... bem, eu realmente tenho medo de como as coisas têm caminhado, sabe? Várias coisas me dão medo, mas três em especial me apavoram mais. De uns tempos pra cá eu tenho visto uma galera desesperada pra fazer parte de uma obra do Nicolas Sparks, ou John Green, ou whatever, num mundo totalmente romântico, onde, pra você ser feliz, precisa achar alguém que queira viver aventuras fantásticas, momentos clichês, com frases feitas, de total devoção a elas, como elas são a essas pessoas. O que, na maioria das vezes, não acontece. E quando não acontece, essas pessoas se desesperam, choram ao som de Anavitória, porque sua vida não é mais um episódio de Malhação e, com isso, as pessoas que optam por viverem na realidade, não prestam. O que? Ah, não me olhem, vocês sabem que é assim.

É um tal de "Festinha é pra quem tá solteiro, quem tá namorando não quer saber de festinha.". O QUE?! É ruim, hein! Eu sou festeiro pra caralho (só não saio muito por conta do meu péssimo momento financeiro, não que alguém tenha perguntado). E outra, que merda, hein? Um namoro à base de comida, Netflix e cinema? Porque sim, minha gente, pra muitas pessoas, um relacionamento ideal é aquele que ambos deixam de sair com amigos e familiares pra desfrutarem da companhia um do outro, todos os dias, até que o tédio os separe (ou uma pulada de cerca). É disso que essas pessoas se "alimentam" hoje em dia, da ilusão de que um relacionamento é lindo e maravilhoso assim, onde a única preocupação é saber qual série o casal vai fazer maratona. E então o casal vai fazer um sexo gostoso, daqueles que existem em vários GIFs no Tumblr, dormir agarradinhos, postar uma foto juntinhos no Instagram, bem romântica, jurando amor eterno. Ai... o que eu comi mais cedo quase voltou... 

Gente, casal que se diverte unido, permanece unido. E tem mais: Zeus me livre de impedir Rafael de se divertir só porque eu não tô afim no dia. Essa ideia de que o casal TEM e PRECISA estar perto pra estar junto ficou láááááááááá atrás com o Luan Santana, lembram? Pois é. Já pensou? Eu não tô a fim de sair, mas Rafael tá, e eu digo pra ele ficar em casa vendo filme comigo? Jamais. Mando ele ir, se divertir bastante, e me ligar SÓ em caso de urgência. "Ai, mas você não tem medo do seu namorado te trair?". Como diria RuPaul: GIIIIIRRRRL... Eu tenho medo é de polícia, ladrão, e da fatura do banco. O fato de ele ser meu namorado  não o torna propriedade minha, não o torna meu, como se fosse um bonequinho desses que vão em cima dos bolos de casamento, ou vêm num brinde do McDonald's. Se ele quiser ir se divertir, que vá! 

Tem outra, tem outra, espera, eu vou lembrar... é... Ah sim: "Relacionamento aberto NÃO É relacionamento!". Quem te disse? 

Eu fico um tanto chocado com esse tipo de declaração, principalmente no mundo gay, porque é tipo aquela máxima sobre casamento homoafetivo, sabem? Se não gosta de gay, então não se case com um. O mesmo é aplicado pra relacionamento aberto: Se não gosta, não acha legal, não sente que é a sua praia, então procure alguém que pense da mesma forma. Sério, evita muitas frustrações. Agora, querer julgar como os outros vivem? Tipo, nós gays somos julgados constantemente pelo nosso "estilo de vida", como os conservadores dizem. Somos julgados por héteros, evangélicos, héteros evangélicos, todo santo dia, por sermos quem somos, por pensarmos do jeito que pensamos. Quer dizer... não é o suficiente? Cada um é o mestre de seu próprio mar, e se cada um cuidar do seu, o encontro entre águas pode ser um evento fenomenal, senão, um completo desastre natural, então não venha querer mandar nas minhas águas, porque eu te afogo, com argumentos e com vários, mas váááááários GIFs da Gretchen, ok?! 

A última, porém não menos importante, é a romantização da vida. Tá certo que a gente tem que se comunicar, no trabalho, na faculdade, com os vizinhos, enfim, a gente cria vínculos, mas isso leva tempo. O que eu tenho visto é uma galera sedenta, desesperada pra contar sobre sua vida pra todo mundo. "Se abre, conta seus problemas deixa as pessoas te conhecerem.". Tipo... não, cara, me deixa aqui. 

A última coisa que você deve fazer é se abrir pra todo mundo, porque alguém vai tentar te sabotar. Inclusive, um tempo atrás, eu postei sobre isso no Twitter, dizendo que a vida não é esse mar de rosas, e muita gente me questionou se a vida seria viver desconfiado de tudo e de todos e pagar boletos. Não, não é bem assim, mas também não é essa felicidade toda. A vida não é um comercial da Coca-Cola, muito menos o É de Casa. Zeca Camargo não vai aparecer na sua casa te dando dicas de qual papel higiênico é melhor pro seu banheiro, nem a vizinha vai virar sua melhor amiga da noite pro dia. Tem um GIF de duas garotas que se esbarram numa escada, e uma delas volta, chama a outra e fala um texto enoooorme sobre querer começar de novo, porque nós somos como formigas. Eu até compartilhei dizendo "Não quero ser uma formiga", e até acho legal isso, mas porra, não é assim. Você não vai ser o antissocial, mas também não precisa de tanta abertura, porque já dizia a avó da vocalista daquele grupo, As Meninas: "Quem muito abaixa, mostra a bunda."

O que eu quero dizer com tudo isso, gente, é que a gente tem sim que fazer novas amizades, descobrir coisas novas, viver como achamos que devemos viver, mas com cautela. Tudo demais, estraga. Existe um limite pra tudo, pra romantização, pro amor, pra crítica, pra Grey's Anatomy, enfim... 

É o que eu tinha pra falar no meu retorno. Nos vemos na próxima terça! Fui!

Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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