domingo, 30 de abril de 2017

Os Vazios Continuam, Mesmo Preenchidos





Era um sábado como outro qualquer...

Era um sábado cinzento, que nada prometia. Talvez uma sessão de Netflix para deixá-lo um pouco mais colorido.

Era mais um sábado em matizes de cinza, ou, sem saber ainda, em 50 tons de cinza! 

Tudo estava gris. Neste sábado completavam-se duas semanas de choro pelos cantos, regados a músicas melodramáticas que hiperbolizavam a minha dor. Tentando entender a rejeição e o medo do outro de viver a dois.

Era um sábado de luto, de expurgo, de luta... Ainda tentando entender mais um fim. Mais um fracasso para o meu lattes.

Coração despedaçado, um mosaico que já não pulsa, que não sente nada. Socorro!!! Arnaldo Antunes me empreste suas penas! Preciso de um coração... Por favor, uma emoção pequena!

E não é que meu socorro foi atendido?

A música mudou... E aquele sábado ganhou outros tons de cinza.

Conheci um moreno alto, simpático e musculoso, talvez a solução para os meus problemas. Na faixa dos 40 anos, barbudo, personal trainer, six pack, todo sarado. Uma solução, no mínimo, interessante para preencher outros vazios. 

Depois de um jantar com amigos acolhedores, dispostos a passar a noite toda escutando as dores de um coração dilacerado, depois de doses etílicas de compostos fenólicos de quase uma garrafa inteira, depois de a cinderella virar abóbora... Resolvo ligar para o meu potencial “amante profissional”. Ainda embriagada e na impulsividade alcoólica o convido para ir à minha casa.

Meu amante toca a campainha e, ao abrir a porta, já sai me tascando um beijo daqueles de tirar o fôlego, não me dando tempo nem de raciocinar. E naquele calor, naquela euforia, naquela vontade de estar junto de alguém, quando vi já estava nua deitada ao sofá. Típico de uma ariana impulsiva, que vai lá, faz e depois pensa.

Deixei o álcool subir em doses mais altas e me vi sendo conduzida. Era momento de seguir as recomendações de Marta Suplicy: relaxar e gozar. Em um frenesi oral daquela boca barbuda sobre a minha buceta, os efeitos agudos do álcool já começavam a me deixar sóbria. Será mesmo este meu amante profissional? Tento relaxar e curtir aquele ósculo vaginal... 

Resolvo averiguar o dito cujo que está prestes a me penetrar. Com a mão dentro daquele jeans apertado começo a tatear e é quando percebo um membro XXL. Um pinto mais duro, maior e mais largo que uma vela de sete dias. 

Você agora pode estar pensando enquanto lê este texto: que sortuda! A garota estava tão triste e amargurada e lhe aparece um XXL para preencher os buracos do desamor!

Ah, meus caros leitora e leitor, sinto lhes informar, mas sou daquelas que prefere pintos “tamanho único”, tamanho “banana padrão”. Pintos “itus” cutucam o meu cérvix de uma maneira não muito agradável. Entram arregaçando e a sensação, além de desconfortável, é de que minha linda e anatômica buceta vai virar uma cratera (no sentido aumentativo de alargar espaços que não desejo) maior do que a que se abriu no canteiro de obras da estação Pinheiros do metrô! 

Voltando ao ato... 

Tento colocar aquele membro itu completamente em minha mão. Não, ela não se fecha (o que é bom), mas o diâmetro é tão grande que é impossível manejá-lo com tanta artimanha. Nestas horas descubro que sou uma iniciante em pintos vela de sete dias.

Enquanto me ajeito com a nova e colossal anatomia, ele se lambuza em minhas partes baixas e penso: não vou colocar este trambolho na minha boca nem fudendo. Vou ter ânsia de vômito. Quem mandou ele me chupar? Eu não tenho obrigação alguma de retribuir esse tsunami desenfreado e desritmado.

... Entro em pânico só de pensar! E ele ainda lá, num descompasso molhado entre as minhas pernas.

Neste momento, o álcool já havia sido exalado pelo suor da minha derme e a consciência começava a deixar meus sentidos em estado de alerta. Ficava tentando imaginar quantos minutos já estávamos naquele aquecimento (mais para esfriamento). 

Precisaria de no mínimo vinte minutos. Isso, exatos vinte minutos. Este é o tempo mínimo que uma buceta precisa para ficar lubrificada o suficiente para comportar paus extra grandes e assim causarem menos estragos.

E como um déjà-vu (esta é uma outra história, caro leitor) levo uma surra de pica XXL. 

Prazer? Nenhum! Dor? Todas as dores do mundo. Pois, neste momento, a dor, além de física se mistura com a dor dos vazios, mesmo em espaços preenchidos. A dor da rejeição, do coração partido. E não tem Christian Grey de pica grossa que torne meu sábado ainda mais cinza em seus 50 tons.

Sem efeito do álcool, mas anestesiada com a pica adentrada em minha vagina, começo a me sentir uma puta, uma filha da puta comigo mesma e com o meu corpo. Vontade absurda de parar aquele momento. 

Se não bastasse a sensação própria de violação pela qual havia me submetido, a camisinha resolve estourar. Ah, isso era meio óbvio, não é mesmo? Que látex resiste a tamanho e largura que queima mais que vela de 7 dias? 

E neste exato momento, rompem-se em mim todas as tristezas de um coração rejeitado ainda em luto. Já não estava ali conectada nem a ele e muito menos a mim!

Com o coito interrompido começo a chorar desenfreadamente. Ele, mais desesperado do que eu, fica ali achando que minhas lamúrias são por conta da porra que escorre pelas minhas entranhas.

Meu choro era de dor, dor da alma... Me perguntando se realmente para curar a dor de um coração, nada melhor do que uma outra pica... Talvez não tão grande e grossa. Talvez melhor mesmo fosse acender uma vela de 7 dias!

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Leandro Faria  
Carolina Ferreira é figura de linguagem de si mesma. É metáfora, metonímia, hipérbole. É tudo e é nada.
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