segunda-feira, 17 de abril de 2017

Sexo e Intimidade





Falávamos no almoço, minha amiga e eu, sobre sexo. Não sobre o ato em si, mas de como algumas pessoas gostam do ato e outras o abstraem totalmente de suas vidas. Mais precisamente, ela falava sobre a interessante “curva de maturidade” que o sexo atingia em seus relacionamentos: depois de um ápice, ela perdia interesse no sexo com a pessoa. O comum, arroz com feijão, a faz perder a vontade. E isso não acontece com os anos, mas sim num curto período de meses. E com a perda de interesse no sexo, a inevitável perda de interesse na pessoa também acontece.

E eu fiquei pensando nas minhas experiências. Durante muito tempo eu achei que fosse viciado em sexo, que gostasse mais que o normal do ato. Hoje, bem mais maduro e com alguma bagagem e experiência, posso afirmar que estava é me relacionando com as pessoas erradas, com necessidades diferentes das minhas no que dizia respeito às relações sexuais. Pois o que pode satisfazer uma pessoa, pode apenas começar a provocar a outra.

Tem gente que diz que tenho cara de safado. Não sei bem o que isso quer dizer, mas encaro como elogio. Sim, eu sei ser safado, gosto de ser safado e, modéstia à parte, tento fazer bem aquilo a que me predisponho. E minha curva de maturidade é um pouco diferente da minha amiga, pois acho que com intimidade e confiança, o sexo pode ficar cada vez melhor. Com o tempo, você passa a conhecer o (corpo do) outro e o que lhe dá prazer. Além disso, a meu ver, é mais fácil experimentar novas possibilidades. Por que o sexo tem que ser monótono só porque você está fazendo sempre com a mesma pessoa?

Mas sei também que a rotina pode ser uma merda. A convivência diária pode ser um extintor de incêndio no tesão de um casal que, se não buscar manter a chama da paixão acesa, pode acabar desgringolando todo o relacionamento. Com experiência própria, trabalhamos.

Para mim, no geral, sexo é diversão. Sei que a transa foi excelente quando, ao final, estão os dois esgotados e rindo, realizados por terem proporcionado um ao outro tamanha intimidade e prazer. Sexo aproxima. 

Ao mesmo tempo, não encaro sexo como obrigação. Quando o casal está junto e tem tesão um no outro, ele acontece naturalmente. Em minha opinião, o auge da cumplicidade é ficar excitado apenas por olhar o outro na rua, depois de um café no meio da tarde; é falar as maiores baixarias por mensagem e ficar ansioso por ver aquele sorriso maroto de quem planeja pôr em prática tudo que foi prometido durante o dia; é dormir abraçado, sabendo que, ao acordar, o outro vai estar ali, do lado, pronto para te desejar bom dia.

Sexo é dinâmica e cada casal desenvolve a sua. Só fico pensando em como algumas pessoas podem abrir mão de ter sexo bom e de qualidade apenas por falta de diálogo e intimidade, medo de dizer o que pensa e gosta, por ficar pensando no que o outro vai achar de suas fantasias.

Não sei se sou moderninho ou liberado. Sei é que sou feliz desse meu jeito desencanado.

Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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