domingo, 23 de abril de 2017

Vamos Falar Sobre Caridade?





Tem muita gente por aí que acha que, para fazer algo por alguém, tem que esperar ganhar na loteria. Eu sempre achei que caridade é um ato de amor que independe de ter dinheiro ou não. Sendo assim, o que mais vemos é gente pobre, sem nenhum tostão no bolso, ajudando umas às outras. O seja, pra começar basta querer; ser caridoso tem a ver com caráter e não com conta bancária.

Dito isso, vou citar aqui um exemplo de um amigo meu, cujo nome também é Sérgio, e abriga vários animais em sua casa. Em sua maioria, animais que estão velhos e doentes e que ninguém quer mais. Eis que ele emprega o dinheiro dele, seu tempo, muitas vezes pede doações sim e, talvez por ele pedir essas doações, vem sempre algum cretino achar que ele só vive reclamando da vida, que não faz nada pra mudar, que não devia estar perdendo tempo com esses animais, que ele está todo errado.

Para ajudar o Sérgio e seus animais, o mentecapto não move uma palha, mas para criticar sempre põe seu dedo podre e dissemina uma ode à crueldade. E, dessa forma, assistimos pipocar as mais diversas manifestações de desagravo. Pessoas nefastas que se acham no direito de julgar a vida alheia. Tsc, tsc.

Infelizmente, tenho observado que o caso do meu amigo que uso para ilustrar essa postagem não é, nem nunca será o único. É a vida dele, ele escolheu viver assim e está feliz, quem puder ajudar, ajude, mas quem não puder, por favor, pode ficar calado?

Como eu disse no começo, caridade é um ato de amor, mas daí vem aquela que diz, "mas eu já dei meus 10% na igreja e já fiz a minha parte". Deixa eu falar uma coisinha pra essa criatura. Enquanto você está aí andando de metrô ou ônibus lotado, passando horas pra chegar em casa e, quando chegar, tem que ir dormir super cansado porque no outro dia tem que levantar bem cedo pra fazer tudo de novo, seu pastor pegou sua grana e tá por aí andando de carro importado, no ar condicionado.

Ou seja, cara, você não é caridoso, é otário.

Caridade não é isso. Caridade é benevolência para com o próximo, pras pessoas que estão até mesmo bem ao seu lado. Se você acha que precisa sair de casa para ser caridoso, eu tenho uma novidade para você. Não precisa, não, meu querido. A caridade começa é dentro de casa mesmo, com nossos parentes que somos obrigados a conviver.

E não tem a ver com dinheiro, como eu disse no começo do post. Ouvir, estender a mão, abraçar, enxugar uma lágrima, essas pequenas coisas não custam nada.

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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