sábado, 15 de abril de 2017

Voltando ao Normal






A vida é uma montanha-russa, há momentos em que estamos no alto e outros, lá embaixo. É natural, normal, não se pode ficar o tempo todo por cima, muito menos por baixo. É como diz um ditado que gosto muito: Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe. A vida é assim, meio bipolar. Porém, quando estamos por baixo, por mais que saibamos que a má fase vai passar, é inevitável a angústia, a tristeza, o desânimo, a sensação de fracasso, impotência, as incertezas, a insegurança e o medo. Eu passei por todos esses estágios nos últimos meses.

Meu inferno astral começou há exatos oito meses, quando escrevi um texto intitulado Pés Cansados, Coração Leve. Nele eu descrevia, inspirado em uma música da Sandy, o início de uma fase que, eu sentia, não seria tão boa, mas fazia-se necessária. E realmente não foi nada boa, foi um tempo de silêncio, reflexão e reclusão compulsórios. Mas a coisa se agravou mesmo nos últimos dois meses, foi quando entrei naquela fase de separar o joio do trigo, sabe?

É aquele velho clichê muito verdadeiro, de que quando você tá na merda, as pessoas que te cercam e se dizem suas amigas, revelam o que realmente são pra você. Alguns te decepcionam, outros te surpreendem positivamente, e nessa levada você faz uma faxina nas suas relações interpessoais. Uns são defenestrados da sua vida para outros entrarem, e os que permanecem são motivo de orgulho, dá uma satisfação imensa ter acertado na escolha daquela pessoa pra sua vida.

Mas agora, os dias nebulosos estão se dissipando, já enxergo um céu azul clareando meus caminhos novamente. O lixo emocional que me intoxicou nos últimos meses está sendo devidamente reciclado, e sinto uma urgência absurda em recuperar a vida que ficou paralisada durante esse tempo.

Coisas simples, mas extremamente prazerosas e que faziam parte da minha rotina, foram deixadas de lado nesse período. Coisas importantes para mim, que preciso voltar a fazer para me sentir eu mesmo de novo. Uma delas é o prazer de escrever meus textos aqui. Parece que tudo perdeu um pouco da graça nas últimas semanas, mas escrevendo esse texto já me sinto mais empolgado, mais eu.

Também preciso continuar meus projetos: voltar para o meu romance, criar novos roteiros e argumentos, preparar um novo canal pro Youtube e escolher um novo curso para estudar. Há meses não leio um bom livro, e olha que tenho alguns títulos intocados e uma lista extensa para comprar. Quero de volta minhas sessões de cinema, como sinto falta de assistir um filme na telona. O último que vi foi Aquarius, em setembro passado, de lá pra cá perdi muita coisa. Teatro, nem se fala, que falta me faz, a última vez que fui, faz mais de um ano, acho que vou comprar um ingresso pra esse fim de semana, tem tanta coisa boa em cartaz, e teatro tão pertinho da minha casa. Desde janeiro estou sem Netflix, imaginem o nível de depressão, porque quando você tá mal, a Netflix te salva do desespero total, é uma boa companheira que te consola com doses cavalares de arte e fantasia, mas eu fiquei sem ela. E meu nível de tristeza e desânimo eram tão grandes, que eu sofri menos do que imaginava por abandonar minhas séries favoritas e perder lançamentos badalados como The O.ASanta Clarita Diet e, agora, 13 Reasons Why. Mas agora vem um novo desespero, como colocar em dia todas essas séries e mais as que ficaram pendentes quando deixei que cancelassem minha conta? Vai ser uma tarefa árdua, mas prazerosa.

E esse texto foi isso, só pra avisar que andei tombado por esses tempos, mas agora tô voltando a ser o que sempre fui, com o coração mais duro, uma armadura reforçada contra as ciladas da vida, mas sem perder a ternura, jamais.

Leia Também:
Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
FacebookTwitter


Nenhum comentário: