quarta-feira, 31 de maio de 2017

A Tropa, Uma Peça de Gustavo Pinheiro





Depois de algum tempo sem conseguir conciliar as agendas, na última sexta-feira (19/05) fui assistir à peça A Tropa, no teatro SESI, na Rua Graça Aranha, Rio de Janeiro. O texto é de Gustavo Pinheiro, que durante anos foi meu colega de empresa, e ganhou a etapa carioca da 7ª edição do Concurso de Dramaturgia Seleção Brasil em Cena. E, longe de qualquer rasgação de seda, a peça é um inspirado ensaio sobre relações humanas e sociais, e uma bela reflexão sobre empatia.

Tendo apenas um ator de maior fama no elenco (Otávio Augusto), a peça dirigida por Cesar Augusto conta a história de quatro irmãos que se encontram com o pai (vivido por Otávio, primoroso) doente em um quarto de hospital. Os filhos são interpretados por Alexandre Menezes (Humberto), Edu Fernandes (Artur), Rafael Morpanini (Ernesto) e Daniel Marano (João Baptista), atores ainda pouco conhecidos, que encontraram no texto de Gustavo Pinheiro uma belíssima oportunidade de mostrar seus trabalhos em cena. Destaco, entre eles, Morpanini e Marano, com personagens mais cheios de nuances e muito bem defendidos pelos dois – embora Menezes e Fernandes não tenham deixado a desejar em momento algum.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Quando Ele Acordou





Mais uma noite horrível. Sonhos tão reais que Pedro acordava totalmente desnorteado. Já era normal tomar um comprimido de paracetamol ao acordar, para ter forças suficientes pra levantar da cama. Após conseguir se levantar, foi para o banho, deixou a água cair sobre os cabelos na altura dos ombros, sentindo escorrer pelo corpo, quente e reconfortante, como um abraço. Riu ao pensar nisso. "Parece frase de comercial de amaciante."

Se lavou, trocou de roupa, fazendo careta para o corpo magrelo. A calça jeans justa, com a camisa preta, de manga longa, e o tênis preto, ele saiu arrumando o coque, com a bolsa carteiro batendo na perna direita. Shape of you, do Ed Sheeran começou a tocar na playlist, e ele logo trocou, não aguentando mais ouvir essa música em tudo que era lista do Spotify. Colocou How Deep Is Your Love, do Bee Gees, e saiu em sua bicicleta, se sentindo na cena de algum filme antigo sobre um jovem perturbado e confuso. Fazia o caminho casa-trabalho observando os mesmos detalhes de todos os dias, sentindo a brisa fria de inverno na pele, o aroma das árvores em determinada parte do caminho, que lhe causava um espontâneo sorriso. Arriscou cantarolar um pedaço do refrão, desviou de uma poça, acenou para alguém que não conseguiu reconhecer, mas que acenava alegremente.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Um Pouco Sobre Amizade





Fico pensando sobre o que rege as amizades. O que leva alguém a ser amigo de outra pessoa, a se doar, a querer compartilhar sua existência – regada a felicidades e tristezas – com outro alguém que, se não fosse a nossa escolha, nunca faria parte da nossa vida.

Amizade é, e eu já falei disso, afinidade. É se ver no outro, estar à vontade naquele meio, fazer parte de algo. É um relacionamento mais genuíno, porque você é amigo simplesmente porque é amigo. Diferentemente do amor ou da paixão, não há tesão regendo esse sentimento que, regado ou não, tende a ser tão belo.

Dias desses, num almoço casual em dia de semana qualquer, acompanhado de minhas quatro fiéis escudeiras cuja amizade já se aproxima dos 15 anos, eu pensava sobre o assunto. E, ao pensar sobre isso, me dei conta de que como, quase sempre, os iguais realmente se reconhecem.

domingo, 28 de maio de 2017

O Crítico de Cinema




Meu nome é Lara, tenho 39 anos e tem uma coisa que eu detesto nessa vida, mais do que tudo: a onda de casal que invade seu grupo de amigos como uma praga devastando uma plantação inteira. Não, não é (só) amargura. Há muito tempo desencanei desse estigma de ser “vela” de casal. Pra ser sincera, eu até gosto. Eles ficam com pena por você estar sozinha, fazem suas vontades e até pagam a conta. “Imagina, você já teve que sair com o casal, essa é por nossa conta! A próxima você paga!”. A próxima nunca chega. Quem é vela nunca paga a conta. 

O grande problema, talvez o sintoma mais grave da praga, é quando os casais resolvem bancar o cupido. Instantaneamente a lista de contatos aparece diante de seus olhos, como uma realidade aumentada, e como num passe de mágica, rapazes que estiveram ali o tempo todo tornam-se perfeitos pra você. Numa dessa me armaram um blind date com Rodrigo. 

sábado, 27 de maio de 2017

A Eternidade das Canções e a Nossa Finitude






No banheiro, ligo meu Spotfy, entro no chuveiro e a seleção de músicas dos anos 80 e 90, me faz ter a noção exata da nossa triste finitude, ao mesmo tempo em que constato a eternidade de uma bela canção. Toca Nothing Compares To You, da Sinéad O'Connor, que sempre me arrepia, e aí eu choro um pouco. Minhas lágrimas se misturam com a água do chuveiro caindo sob a minha cabeça enquanto eu penso:

Caralho, eu tinha menos de 10 anos quando essa música foi lançada, em 1990, e a intensidade com a qual essa melodia mexia comigo, mesmo sem entender nada, nem sequer imaginar o que podia dizer a letra, é a mesma que sinto agora.

Então concluo que música não envelhece. O tempo passa pra nós. Envelhecemos, ficamos ultrapassados, mas aquela velha canção permanece, fica pra sempre, embalando histórias e mexendo com os corações de geração após geração.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Férias em Natal - Uma Odisséia de Aventuras - Parte 1





Após um prólogo, que publiquei aqui na semana retrasada, finalmente chegou a hora de relembrar como foram as minhas pequenas férias deste ano. Como havia dito, sempre procuro tentar vincular os passeios à trilhas sonoras. Acho que isso é uma forma de fazermos as lembranças se prolongarem, pois música, cheiros e sabores sempre são formas bastante eficazes de estimular a lembrança.

Este ano, lá fomos eu, o fiel escudeiro Julio; sua mãe Nanci, e a mascote Adélia, que mês que vem completa 15 aninhos. As duas estavam fazendo sua primeira viagem de avião. Portanto, foi uma viagem-família-comemoração. Eu amo viajar; mas também tem uma coisa que todos que me conhecem, já sabem: o terror em ter que entrar em um avião. É uma tortura contínua, não tem jeito. Ninguém me convence de que aquela geringonça de toneladas e toneladas é para estar no ar. Não entra na minha cabeça.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Política de Clichês




O momento político que o nosso país vive tem mais reviravoltas que qualquer série sobre o tema ou qualquer boa e velha novela mexicana. O clichê, de ser pego por um "grampo", pode soar como repetitivo demais dentro dessa "trama" contada, mas continua a se repetir, repetir e repetir.

O que mais me assusta nesse enredo todo é que só agora, para uma parcela de pessoas, a ficha está caindo. Estamos todos ferrados. Não existe um lado para correr. Todos os partidos políticos fizeram algo, lucraram em algum momento e estão juntos nessa.

Eu, você e nossos amigos de Facebook, que fazem textão pró e anti impeachment, estamos juntos nessa. Querendo ou não. Estamos vendo tudo ser jogado no ventilador e nada definitivo é feito. Nos indignamos, reclamamos com a pessoa ao lado no busão. Alguns até vão pra rua "se manifestar". Mas é só! Fazer pressão popular na rua ou nas redes sociais não adianta tanto, já que quem está usando as cartas do jogo são eles e não nos.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Coração Em Cativeiro





Sou um entusiasta dos relacionamentos duradouros. Acho que a longevidade de um amor está muito na sua capacidade de superar problemas, e não no de não ter problemas. Já vim aqui ao Barba Feita por diversas vezes defender que há que se ter perseverança e buscar soluções juntos (um dos meus primeiros textos a ter muitas visualizações foi justamente um que se chamava O Pra Sempre Sempre Acaba?).

Porém, há outro lado nessa realidade amorosa, que é quando um relacionamento se torna uma prisão. Quando alguém passa anos ao lado de outro alguém por pressões psicológicas, achaques e imposições. Quando somente um lado cede e vai cada vez mais se castrando, mutilando a sua personalidade, não em prol da relação, mas simplesmente em favor do outro. Tenho ficado assustado com os casos que tenho ouvido recentemente a respeito.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Murro em Ponta de Faca




A gente devia parar de dar murro em ponta de faca... Porque parece que, às vezes, sabemos o que fazer, o exato momento de incorporar a Elsa e cantar Let it Go, mas somos incapazes de fazê-lo. A vida nos apresenta duas opções e o que fazemos? Escolhemos o caminho equivocado e erramos feio, erramos rude.

A gente devia se permitir ser feliz. Não duvidar do que merecemos e do que nos é apresentado. Porque sim, algumas vezes coisas legais acontecem com pessoas legais e a gente não devia desconfiar ou ficar esperando pelo pior. 

A gente devia aprender a aproveitar o momento. Viver o agora, sem projetar o futuro, sem racionalizar, sem avaliar tudo a longo prazo, sofrendo por antecipação e, tantas vezes, deixando o agora passar sem nem percebermos o que ele nos oferece. Carpe diem

segunda-feira, 22 de maio de 2017

De Você Eu Só Quero Os Sorrisos




"É, Glauco, quando você disse que ia chegar cedo, não pensei que seria tão cedo assim", disse ela da janela, às sete da amanhã de domingo.

Assim como essa, outra lembrança divertida que tenho da minha mãe é a de quando estávamos indo pra Angra dos Reis numa das Grandes Evangelizações da igreja. Tocávamos nas ruas, entregávamos panfletos e, à noite, havia um grande evento. Bem, eu fui ver o mar pela primeira vez depois de velho, e nesse dia eu tinha meus quinze/dezesseis (acho). Num pedaço do trajeto era possível ver o mar, mas eu estava distraído conversando e tocando violão. Foi quando minha mãe, lá da frente do ônibus, gritou: "OLHA, GLAUCO, O MAR!", no que eu respondi: "MÃE!!!", e ela riu, toda boba.

Na primeira vez que fomos pro sítio de uma moça da igreja, eu passei por uma pequena ponte sobre um riacho e cortei a perna num vergalhão, nada muito grave, só sangrou bastante, e minha mãe, muito sincera, olhou pro machucado e disse: "Coitado do meu filho, quase não sai de casa, e quando sai, se machuca.".

domingo, 21 de maio de 2017

Cinco Musicais Inesquecíveis





Smack, smack, ahaza e dá aqui um abracinho, sweet darlings! Porque sim, estou de volta e eu sei que vocês me amam! Tô certo? Ai de quem dizer que não! Humpf

Convidado novamente como colunista convidado (e eu adoro ser convidado, ahaza), lembrei de uma das minhas paixões cinematográficas (uma das, porque sou todo trabalhado no amor livre e na multiplicidade, aloka!): os musicais! Acho tão lindos os filmes em que do nada as pessoas começam a cantarolar sobre seus sentimentos e ansiedades. Muitas vezes estou no ônibus, pensando na vida, e me vem uma vontade louca de começar a cantar sobre o que estou pensando. Mas me contenho, juro! Hihihi

Por isso, como hoje simplesmente me deu vontade, a coluna é um TOP que reúne uma lista com alguns dos meus musicais preferidos. Querem conhecer o meu gosto, sweets? É só continuar com a leitura. O que, é claro, vocês farão. #TenhoCerteza Mas, já aviso: não tem nem La La Land nem A Bela e a Fera

sábado, 20 de maio de 2017

Aquelas Coisas Todas





Aquelas sessões de cinema, e a gente sonhando...

Aqueles romances, lidos no silêncio do quarto, trancado a sete chaves, entre soluços e suspiros, e a gente sonhando...

As horas da madrugada passadas na janela, idealizando fantasias, e a gente sonhando...

Aquelas refeições deliciosas, as bebidas saborosas embalando risadas, piadas, planos, e a gente sonhando...

sexta-feira, 19 de maio de 2017

"Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais..."





Os textos sobre as minhas férias já estavam prontinhos quando um terremoto em escala máxima na escala Richter abalou o Brasil. Portanto, não tinha como deixar de falar sobre esse assunto que está bombando do Oiapoque ao Chuí, recheado de corrupção desde que os portugueses chegaram por aqui.    Mas... é novidade esse tipo de coisa?

“Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro... transformam o país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro!  A tua piscina tá cheia de ratos... tuas ideias não correspondem aos fatos... o tempo não para... Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades... o tempo não para...” (“O tempo não para” - Cazuza – 1988)

Cazuza lançou O Tempo Não Para em 1988, há quase trinta anos atrás.  E certamente se ele tivesse a chance de voltar à viver, nem que fosse por um único dia, certamente ia dar aquela gargalhada peculiar acompanhada de uns pares de palavrões antes de dar uma tragada em seu cigarro, acompanhada de um generoso gole de uísque direto do gargalo... “Porra, caralho!  Todo mundo sempre soube dessa merda toda... Ou cês acham que eu era algum ser que fazia previsões?  Vão se fuder!”  

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Playlist Viciante? Eu tenho!





Sou o tipo de cara que escuta Spotify em casa, mas não na rua, assim não gasto meu plano de dados. Eita coisinha que anda cara e vai embora sem que a gente perceba muito bem pra onde. Tenho meu iPod velho de guerra e tô sempre criando uma playlist nova. Uma que é bem recorrente é a SINGLES. Tem de tudo ali. Da música recém lançada até aquela que já é "das antigas". Lista de música boa pra mim não tem "idade".

Então, no domingo, quando estava sincronizando música no meu iPod, acabei criando uma nova lista: SINGLES VÍCIO. E nela estão as músicas que ando ouvindo repetidamente. Seja no caminho pro trabalho, pra casa... indo para o mercado. São essas músicas que embalam meu caminho e me fazem sentir (às vezes) em um clipe.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Questão De Gosto





Essa semana, Taís Araújo fez o que muita gente às vezes tem vontade, mas fica sem graça: recusou a comida que sua anfitriã ofereceu. E olha que a anfitriã era a Ana Maria Braga e a transmissão do episódio foi em rede nacional. Alguns atribuíram a decisão a um preceito religioso (a conhecida “quizila” do Candomblé e vertentes afins), fato que teria já sido negado pela própria Taís. Ela tem aversão mesmo e ponto, segundo ela.

Mas quem nunca passou por uma situação dessas?

Eu sou o que muita gente considera “fresco” com comida. Já fui chamado assim diversas vezes, por ter meus gostos, minhas restrições e meus métodos. Uma das maiores crises quando eu era criança era acordar e sentir aquele cheiro de dobradinha sendo cozida exalando pela casa (sim, porque dobradinha empesteia qualquer ambiente, não importa o tamanho ou se há paredes no caminho...). Ou quando a minha mãe anunciava que ia fazer bife de fígado. Ou galinha ao molho pardo (eufemismo para “cozida no sangue”).

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O Rastro: Uma Tentativa de Terror Nacional




Apesar do sucesso de público que alguns filmes nacionais vem conquistando de alguns anos para cá, ainda é impossível dizer que o Brasil possui um cinema com produção em larga escala. Vivemos ondas de produções de nicho, com um ou outro exemplar que foge à essa regra surgindo eventualmente e, quando faz sucesso, dando vazão a um novo nicho de sucesso. Foi assim com os favela movies e, como vemos agora, com as comédias besteirol nacionais que chegam em profusão aos cinemas. Assim, ver um filme como O Rastro, que se vende como um terror genuinamente nacional, ganhar espaço nas telas pode significar que o gênero tem uma chance de arrebatar o nosso público. Mas, será?

O Barba Feita foi convidado para uma exibição especial do filme para veículos de mídia e eu conferi o longa antes da estreia, que acontece nessa quinta-feira, 18/05, em todo território nacional. E a sinopse de O Rastro é bastante empolgante para os fãs de terror que tem aqui a chance de acompanhar um exemplar do gênero feito para o público brasileiro: João Rocha (Rafael Cardoso) é um jovem e talentoso médico que, ao largar a prática da medicina, trabalha para o governo do Estado do Rio de Janeiro na supervisão da área de saúde. Uma de suas tarefas é fechar um hospital público decadente do estado, devido à falta de verba e por não ter condições de atender devidamente a população. Entretanto, durante a ação de fechamento do hospital, que é o local onde João fez residência, uma paciente criança desaparece no meio da noite, passando a assombrar João que embarca em uma jornada obscura e perigosa, que o levará ao limite da loucura e de seus próprios fantasmas.

domingo, 14 de maio de 2017

TOP 5: Eles Cresceram na Tela da TV






Smack, smack e daqueles bem estalados porque não gosto de economizar nos beijinhos, sweet darlings! Então, abram os braços, me envolvam com eles e dá aqui um beijão. Alooooka! Porque sou desses, melbem, que adoram carinho e amor! E tô feliz demais por estar de volta aqui no Barba Feita. Os meninos me chamam e eu venho, desfilando por essa passarela de glamour. Pleno, melbem!

Então eu pensei: o que levo para o Barba Feita nesse novo convite? Pensei, pensei e, pra animar o seu domingo de Dias das Mães, euzinho preferi fugir do óbvio e das homenagens e trazer uma listinha especial, fazendo um apanhado de alguns astros da televisão que nós, lindos e meros telespectadores, vimos desabrochar na telinha. Ou seja, pessoas que atualmente fazem sucesso e que vimos jovens e crescendo em frente às câmeras da televisão.

Vamos então relembrar esses nomes e rostinhos, sweets? Claro que vamos, porque eu sei que vocês sempre me acompanham e ahazam! Vamos nessa!

sábado, 13 de maio de 2017

A Rivalidade Gay no MasterChef Brasil







Pensei nesse texto há umas três semanas, quando percebi uma certa implicância do participante Douglas, o galeguinho topetudo do Rio Grande do Sul, com relação a Leonardo, o gordinho do interior de São Paulo, no reality culinário, MasterChef Brasil. Assim que notei a implicância gratuita, minhas anteninhas logo se acenderam. Pronto, estava estabelecida uma rivalidade há muito conhecida no meio LGBT. Uma rivalidade desnecessária e absolutamente vergonhosa, que muitas vezes passa despercebida pelos heterossexuais, muitos nem imaginam, mas é a coisa mais comum do mundo entre gays.

Douglas reproduz no programa a exata segregação que vivenciamos no dia a dia dentro da comunidade (detesto essa palavra, mas é o que somos mesmo, uma grande comunidade desunida por preconceitos toscos entre nós mesmos) LGBT. Aquela onde você se encaixa num padrão e menospreza tudo o que está fora dele.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

A Trilha Sonora das Férias - Um Prólogo





Em todas as minhas férias sempre dou um jeitinho de sumir do mapa.  Mesmo com o pavor que é minha marca registrada, entro em um avião e escolho um destino.  Férias só são férias se eu entrar num bichão desses de tantas toneladas e (re)descobrir o que o mundão nos oferece.  Nas próximas colunas estarei relatando um pouco do que foram as minhas férias que terminam nesta sexta-feira (sim, já estou com depressão pós-férias) e dando algumas dicas imperdíveis.

Mas hoje, a coluna é como uma espécie de prólogo.  Resolvi falar um pouquinho de algo que as pessoas não se ligam muito quando vão viajar e, garanto pra vocês que se vocês começarem a exercitar isso, terão férias inesquecíveis.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Como Terceiras Temporadas São Complicadas

...ou O 3ºAno de How To Get Away With Murder




Mais do que ver uma série que gosto muito melhorar episódio após episódio, adoro ver a evolução de personagem temporada após temporada. E é assim com HTGAWM! Sim, já falei dessa série por aqui! Caso ainda não tenha assistido, corre que tem duas temporadas deliciosas na Netflix.

Mas meu assunto é sobre o terceiro ano da série. Já disse por aqui também que sou roteirista. Então já li e estudei muito sobre roteiro, mas essa é uma arte que não dá pra se cansar de aprender. Eu mesmo aprendo muito ao... assistir séries. Lembro de uma frase que ouvi quando era bem novo: "O Remador descansa remando". Qualquer profissão artística acaba sendo assim. Quando vou ler um livro, assistir um filme/serie ou até quando decido sair na rua para "espairecer", estou sendo roteirista. Um esbarrão em um corredor, ver um casal brigando ou se conhecendo. O cotidiano pode nos inspirar. Assim como o trabalho de outras pessoas.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Sobre os Textos Injustiçados




Ontem estávamos nós, do Barba Feita, relembrando alguns dos textos mais lidos da nossa trajetória de dois anos e meio. O Leandro, nosso idealizador e chefinho, nos destacou ainda algumas colunas do passado que foram “ressuscitadas” nos últimos dias. Textos que estavam parados no tempo e que, de repente, [pluft!] voltam a ter umas 100 novas visualizações.

Sempre me questionei muito sobre o que faz um texto bombar aqui no Barba Feita. Analisei muito os meus próprios textos e há uma ou outra temática que a nossa audiência gosta mais e, com isso, acabam rendendo mais pageviews. Mas há as vezes em que esses mesmos assuntos não emplacam tanto.

Há outras oportunidades em que você acredita que escreveu um texto DAQUELES, que seus leitores vão amar, que as pessoas vão compartilhar e... nada. Quase não olham. Quase não notam. Você não tem um retorno sequer. Nenhum fenômeno. Uma enorme decepção. Mas um aprendizado também. Isso me instiga. E me faz buscar razões.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Logavulin 16 Years Old e o Hotel no Fim do Mundo





Menina do céu, eu consegui errar dois bolos, um atrás do outro... Mamãe deve estar tããããão "orgulhosa"... Foi mal, mãe, é que o fogão é novo, sabe como é... 

Enfim, e aí, gente! Hoje tem um conto escrito por, nada mais, nada menos, que Rafael, que, após muita encheção de saco minha, deixou eu postar, porque é um dos meus preferidos, justamente por ter me identificado com o protagonista, agora não me perguntem o motivo. Espero que vocês gostem, porque eu sou suspeito pra falar. 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Apps e Preconceitos

...ou Cuidar da Própria Vida Ninguém Quer, Né?




Estamos em 2017. O mundo, pelo menos na teoria, evoluiu e vivemos uma era tecnológica, com qualquer coisa disponível a um clique ou a um toque na tela do celular. E se podemos nos assustar com a possibilidade de um futuro (e muitas vezes, o nosso próprio presente) sombrio, com situações tantas vezes próximas às retratadas em Black Mirror, a tecnologia, na maioria das vezes, serve para aproximar e facilitar a nossa vida.

Eu, que nunca me imaginei dizendo ou escrevendo isso, sou old school. Quando tive pleno acesso à internet, eu já tinha meus 20 anos e, mesmo assim, me encantei com a infinidade de possibilidades. Jovem, gay, enrustido, vivendo em uma cidade do interior e em uma vida que me aprisionava, ter o mundo ali, na tela do meu computador recém comprado, em uma conexão discada que era a minha alegria depois da meia-noite, foi libertador. Para mim, que não entendia o que era ser gay, um mundo se descortinou com os cliques do meu mouse.

domingo, 7 de maio de 2017

Mas Não é Que Daria Uma Boa Série de TV?




Os mórmons acreditam em ETs e que todos serão deuses e construirão mundos maravilhosos, bem melhores que este aqui. Até curti muito essa ideia, e essa turma acredita piamente em determinadas coisas que deixariam Ed Wood com inveja por não ter inventado tudo aquilo. 

Rola até um boato forte que eles também acreditam que um homem pode ter várias mulheres, mas aqueles mórmons gatos que talvez você já tenha visto andando por aí, pra cima e pra baixo, camisa branca, de calça escura, apertada e realçando a bunda, dizem que não. A verdade é que existe uma dissidência da igreja que aceita a prática da poligamia e que não tem nada a ver com essa outra que existe espalhada pelo mundo. E os mórmons fazem questão de deixar bem claro que essa outra sequer existe, mas existe sim e o pessoal até na Oprah já andou fazendo mimimi e passaram a perna nos mórmons porque até série de TV já tiveram (lembram de Big Love, com o Bill Paxton?), mas os mórmons dizem que como eles não podem ser polígamos agora, já que a lei não permite, serão em outra vida. 

sábado, 6 de maio de 2017

O Amor Devagar





Encontraram-se num charmoso café. Herbert pediu chá de jasmim imperial com um pedaço de bolo de doce de leite; Armando preferiu chocolate quente e uma fatia de torta de palmito. Era um agradável dia frio de outono. Enquanto comiam e se aqueciam com suas bebidas, a conversa fluía. Esperaram quase três anos por aquele reencontro desde que se viram pela última vez no casamento de algum parente de Herbert. Armando era namorado de uma prima sua, que o levou como acompanhante e poucos meses depois terminou o namoro.

Antes do segundo e último encontro no casamento, conheceram-se quatro meses antes, quando empolgada com a nova conquista, a prima apresentou Armando a Herbert em uma sessão de cinema. Herbert e Sophia eram confidentes, e ele sabia que a prima não era de namoros duradouros. Encarou Armando despretensiosamente, sem muitas expectativas por Sophia, que nunca havia ficado com ninguém por mais de três meses. Mas Armando era diferente dos outros, um cara encantador com quem descobriu inúmeras afinidades. Ficou feliz pela prima ao mesmo tempo em que sentiu uma pontada de inveja, era romântico e não tinha a sorte de encontrar um cara especial como ele. Também teve raiva, por acreditar que Sophia faria com Armando o mesmo que fez com todos os ex. Armando era alguém por quem Herbert se apaixonaria facilmente, por isso a inveja e a raiva da prima logo viraram tristeza.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

As Jujubas Chegaram em São Paulo!




Em setembro do ano passado, quando lancei o meu primeiro livro Troco a bituca por duas jujubas, nem esperava que as pessoas curtiriam tanto assim, pois em muitos contos existem particularidades, como uma autobiografia.  Afinal, quem se interessaria por aquelas memórias?  Lembrei do clássico Moby Dick, de Herman Melville: na primeira tiragem, ele só vendeu vinte cópias, vejam só!

Desde então, já foram realizados três eventos no Rio de Janeiro para divulgar o livro, sempre muito bacanas.  As jujubas venderam mais que a primeira edição de Moby Dick e eu estava feliz demais por isso.  Mas a coisa mais legal em uma noite de autógrafos, além de poder abraçar os amigos com tanta energia positiva, é vê-los levar uma parte sua para casa...   É engraçada essa sensação: estranha e ao mesmo tempo, de alívio e felicidade. 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Até Que Ponto Não Ser Feliz Significa Ser Adulto?!





Sair de casa. Não estar feliz no trabalho. Aguentar tudo por dinheiro. Vale a pena realmente? Não sei responder a essa pergunta. O que venho tentando fazer, ao longo dos últimos meses, é parar e analisar se estou sendo um "adolescente" reclamando da vida adulta. Ou um adulto que se vê infeliz com a realidade que vive no momento.

Tento ser racional e pensar que nem todo mundo é feliz com o que trabalha. Às vezes, a função que se exerce não é, necessariamente, a dos seus sonhos. Já outras vezes, o ambiente acaba não sendo o melhor dos mundos. Isso acontece pra todo mundo em algum momento da vida. Eu mesmo já trabalhei em uma livraria em que eu adorava o lugar, meus colegas de trabalho, mas tinha uma "chefe" que... era o clichê dos clichês. Mas mesmo com ela ali, não me sentia triste por estar passando os meus dias com aquelas pessoas. Foi interessante o quanto durou.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Salvador e Muitas Paixões





Não sei se já falei isso aqui, mas eu AMO Salvador. A Bahia como um todo, mas Salvador tem meu coração de uma forma inexplicável. Ou melhor, talvez seja explicável sim. Além de ser uma cidade incrível, com praias lindas, monumentos, diversos pontos turísticos e uma história de quem foi primeira capital do Brasil, Salvador tem família (tanto minha quanto do meu companheiro, que acabou se tornando minha também) e amigos. Toda vez que vou à cidade, tento rever as amizades anteriores e acabo fazendo novas.

Nessas férias, resolvi passar um tempinho também em Sergipe. Conhecer Aracaju, cidade super simpática e bonitinha, e parte do interior, num pedaço do Rio São Francisco que é navegável e onde nos banhamos em meio aos cânions naturais. Uma sensação ímpar, principalmente quando a chuva desabou e tomamos banho de rio ao mesmo tempo. Nunca havia experimentado coisa igual na vida!

terça-feira, 2 de maio de 2017

Gênesis





No princípio havia a batida. Às vezes, forte, às vezes, suave, mas ela estava lá. Eu não sabia muito bem o que era. Quer dizer, eu sabia o que era, mas não sabia o que ela significava pra mim, nem porque significava tanto. Mas, de certa forma, aquela batida falava comigo. Independente do ritmo, ela estava lá, batendo. Ora tuntz, ora tum, ora bump, ora

Com o tempo, a batida começou a fazer mais do que falar comigo. Ela me abraçava, me envolvia e, no meu interior, independente do ritmo dela, eu me sentia parte daquilo. Parte daquele tuntz, tum, bump, pá, e tantas outras formas. No meio desse processo, a batida ganhou outras companhias na minha mente e no meu corpo: melodia, harmonia e tons. Eu sabia o que cada um fazia, mas não sabia explicar. Eles entravam no meu ouvido, abraçavam a minha alma e eu não conseguia me render. Não conseguia e não queria, afinal, tudo aquilo fazia a minha cabeça entrar em ordem e, ao mesmo tempo, me tiravam o controle dos meus próprios pensamentos e sentimentos. Determinado acorde ou melodia podia me dar uma incontrolável vontade de chorar, ou me fazer sorrir feito besta, e até mesmo me deixar pensativo, acalmando minha mente e me ajudando a encontrar a resposta dentre os milhões de pensamentos que corriam pela minha mente.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Como Achar Uma Sogra no Supermercado





Existem coisas que acontecem com a gente que, de tão surreais, nunca conseguimos esquecer. E minha vida é cheia de histórias assim, bizarras e igualmente divertidas. Como essa que peneirei do meu passado, lá do início de 2013. E, ao me lembrar dela, eu ri e decidi compartilhar por aqui hoje.

Era uma sexta-feira, dia caótico no Rio. Aniversário da cidade e, de presente, uma greve de ônibus para deixar o trânsito, que já era (e continua) lindo, ainda mais bonito. Pra melhorar, depois de um período de férias, eu estava retornando ao trabalho. Em plena sexta-feira, porque voltar numa segunda é para os fracos. Apesar da chatice, o dia chegou ao fim e, apesar de cansado por voltar a acordar cedo, mantive o ânimo e fui para a academia (que, tenho orgulho, ainda frequento com certa regularidade). Na volta para casa, uma passada estratégica no mercado para abastecer a geladeira para o fim de semana. Claro, depois das 18h de uma sexta, é óbvio que o mercado estaria cheio. Mas, ferrado por ferrado, ferrado e meio e tá bom!