sexta-feira, 5 de maio de 2017

As Jujubas Chegaram em São Paulo!




Em setembro do ano passado, quando lancei o meu primeiro livro Troco a bituca por duas jujubas, nem esperava que as pessoas curtiriam tanto assim, pois em muitos contos existem particularidades, como uma autobiografia.  Afinal, quem se interessaria por aquelas memórias?  Lembrei do clássico Moby Dick, de Herman Melville: na primeira tiragem, ele só vendeu vinte cópias, vejam só!

Desde então, já foram realizados três eventos no Rio de Janeiro para divulgar o livro, sempre muito bacanas.  As jujubas venderam mais que a primeira edição de Moby Dick e eu estava feliz demais por isso.  Mas a coisa mais legal em uma noite de autógrafos, além de poder abraçar os amigos com tanta energia positiva, é vê-los levar uma parte sua para casa...   É engraçada essa sensação: estranha e ao mesmo tempo, de alívio e felicidade. 

Uma vez, o amigo Larry Antha - um dos ícones do movimento underground das bandas cariocas e vocalista da lendária Sex Noise – me disse que ao lançar um livro (ele já tem quatro) é como se estivéssemos saindo de uma sessão de exorcismo.  Quando publicamos, as coisas boas que nos trazem felicidade e até os demônios nos deixam.  A partir do momento que outra pessoa leva o seu livro, a história não é mais sua, mas sim, do mundo.  E é aí que começa o medo.  Nos livramos de fantasmas, mas outros aproveitam o espaço vago e residem dentro do escritor.  “Mas se as pessoas não gostarem?”

Nesta sexta, o Troco a bituca por duas jujubas será lançado em São Paulo, cidade onde o movimento cultural ferve o tempo inteiro.  E só por chegar até aqui, já acho que valeu à pena.  E esse lançamento, na terra da garoa, vai ser acompanhado pelo outro Barba: o querido amigo  Paulo Henrique Brazão, que vai estar apresentando aos paulistas o seu Perversão e o Desilusões, devaneios e outras sentimentalidades.  Certamente, a ansiedade e a angústia devem estar o atormentando nesse momento também.

No prólogo do livro, eu digo que escrever dói.  E que gostaria de traduzir o intraduzível de uma canção dos Cocteau Twins; um neologismo de Guimarães Rosa; o sofrimento das faíscas e lascas como aço espelhado de Clarice Lispector ou como tão bem Pablo Neruda simplificou, “poder começar com uma maiúscula e terminar com um ponto".

No fim da tarde de quinta feira, horas depois de ter desembarcado em São Paulo, recebi uma ligação.  Do outro lado da linha, a simpática Inês, a faz-tudo da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, que produz livros lindíssimos, feitos à mão, num processo que pode levar meses e meses...  Se você ainda não conhece, procure saber um pouco mais sobre eles na internet.  Ela me ligou para me dar a grata surpresa em dizer que estava com meu livro em suas mãos.  E que estava se emocionando demais com ele.  Citou a linguagem simples, a pungência de alguns contos, pela comédia de outros e pela belíssima capa.  E o que mais me surpreendeu foi saber que ela estava em sua cadeira preferida na sede da Confraria, em Brasília, lendo três livros.  E um deles, era de Guimarães Rosa.  Me telefonou para me agradecer e dizer que parou de ler momentaneamente o livro do mestre para pegar o Jujubas.  E que não conseguiu parar mais.

Sei que pode parecer uma coisa de ego insuflado, mas aquelas palavras me deixaram extremamente feliz.  A Dona Inês, que produz livros ao lado do marido Salles, o criador da Confraria, que já lançou tantos clássicos imortais, ali, se deliciando em sua cadeira preferida com memórias inspiradas em David Bowie e a cultura pop dos anos 1980 e 1990. 

Não pude deixar de lembrar do camaleão da música pop: sim, todos nós podemos ser heróis, mesmo que por um único dia.  

(ansioso por demais em rever os amigos paulistas)

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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