quinta-feira, 11 de maio de 2017

Como Terceiras Temporadas São Complicadas

...ou O 3ºAno de How To Get Away With Murder




Mais do que ver uma série que gosto muito melhorar episódio após episódio, adoro ver a evolução de personagem temporada após temporada. E é assim com HTGAWM! Sim, já falei dessa série por aqui! Caso ainda não tenha assistido, corre que tem duas temporadas deliciosas na Netflix.

Mas meu assunto é sobre o terceiro ano da série. Já disse por aqui também que sou roteirista. Então já li e estudei muito sobre roteiro, mas essa é uma arte que não dá pra se cansar de aprender. Eu mesmo aprendo muito ao... assistir séries. Lembro de uma frase que ouvi quando era bem novo: "O Remador descansa remando". Qualquer profissão artística acaba sendo assim. Quando vou ler um livro, assistir um filme/serie ou até quando decido sair na rua para "espairecer", estou sendo roteirista. Um esbarrão em um corredor, ver um casal brigando ou se conhecendo. O cotidiano pode nos inspirar. Assim como o trabalho de outras pessoas.

Shonda Rhimes me ensinou muito com 8 temporadas de Grey's Anatomy. A acertar e também quais pontos precisamos ficar atentos para não errar. Escrita não é uma ciência exata (irônico, não é mesmo?) como muitos imaginam. Você pode ler sobre, mas só quando senta pra tentar fazer é que percebe os desafios.

O terceiro ano de uma série é o maior deles. Quando chegamos em uma terceira temporada, nós já conhecemos os personagens. Motivações, os valores que guiam cada um deles. Normalmente, é aqui que as séries começam a errar... Posso citar alguns exemplos: a terceira temporada de Lost não sabia o que fazer e quem mais focar. Até Rodrigo Santoro foi parar na ilha, na tentativa de manter o interesse naqueles mistérios que não se explicavam. Se você é um pouco mais das antigas, deve lembrar que a terceira temporada de The O.C foi um fiasco! Ryan perdido, Marisa sem saber se era hetero, bi ou lésbica.... e aquele final de temporada que levou a série pro buraco junto! A terceira temporada de Grey's. A minha favorita, mas uma temporada complicada. Focou mais no "dark and twist inside" de todos os personagens, após o que aconteceu com Izzie e Dany no final da segunda temporada. O lado bom? Personagens começaram a crescer bastante por ali! Ah! Chegou gente nova também. Alguém de nome Callie Torres (a primeira aparição de Callie foi no episódio 19 da segunda temporada, mas foi só no ano seguinte que ela se tornou fixa no elenco). Até a terceira temporada de America Horror Story fez com que eu desistisse da série...


E HTGAWM não poderia ser diferente. A série quis mudar pra não ser tão óbvia, mas utilizando todos os seus elementos conhecidos. Tivemos flashbacks, flash fowards e "momento presente". O que consta na estrutura desde o episódio piloto! Mas nessa temporada tivemos os personagens amadurecendo e se descobrindo. Connor tentando ser adulto em um relacionamento com Oliver. Ash e Michaela tentando entender o que eles são juntos. Wes, Laurel e Meggy (Who?) em um quase triângulo amoroso. Bem, os personagens que amamos estão ali, evoluindo... da sua maneira.

Viola Davis conseguiu mostrar mais camadas, como se ainda fosse possível, de Annelise. Além de uma advogada implacável e professora leoa com seus alunos, Keating é humana e (finalmente) sofreu o pão que o diabo amassou e as inimigas assaram. Mas, como disse lá em cima, como roteirista a gente acaba "sacando" alguns movimentos de roteiro. Para a série poder seguir em frente, muita "bagunça", a.k.a assassinatos cometidos pelos personagens, nas duas primeiras temporadas, precisaria ser "pago" de alguma maneira. E morte se paga com morte. E algumas manipulações com cadeia. Quem viu a temporada sabe sobre o que estou falando.

Foi um ano que se focou mais em mostrar cada um deles evoluindo, amadurecendo e se comprometendo também. Acho que a maior falta que senti foi de ver Annelise na maior parte do tempo "detonando" algumas pessoas. Mas o pouco que teve foi bom. Foi muito bom!

Se o terceiro ano de uma série é complicado, não queira saber como é o quarto ano! Basicamente, sabemos como aquele "ambiente" que a trama se passa funciona. Somos íntimos dos personagens antigos, odiamos os novos e vamos ter nariz torto com toda e qualquer trama que relembre algo já feito na série. Se quiserem, posso dar mais exemplos das séries que tiveram um quarto ano problemático...

Mas, cá entre nós, espero ser surpreendido. Que a temporada tenha episódios brilhantes e que Annelise dê a volta por cima! Viola Davis precisa reinar e a série continuar me deixando chocados após um bom episódio.

Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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