quarta-feira, 24 de maio de 2017

Coração Em Cativeiro





Sou um entusiasta dos relacionamentos duradouros. Acho que a longevidade de um amor está muito na sua capacidade de superar problemas, e não no de não ter problemas. Já vim aqui ao Barba Feita por diversas vezes defender que há que se ter perseverança e buscar soluções juntos (um dos meus primeiros textos a ter muitas visualizações foi justamente um que se chamava O Pra Sempre Sempre Acaba?).

Porém, há outro lado nessa realidade amorosa, que é quando um relacionamento se torna uma prisão. Quando alguém passa anos ao lado de outro alguém por pressões psicológicas, achaques e imposições. Quando somente um lado cede e vai cada vez mais se castrando, mutilando a sua personalidade, não em prol da relação, mas simplesmente em favor do outro. Tenho ficado assustado com os casos que tenho ouvido recentemente a respeito.

Como aprendemos no início da década de 1990 e em 2017 também com A Bela e a Fera, quem ama, liberta. Não adianta manter a pessoa e seus sentimentos em um cativeiro sem correntes ou grades físicas, pois isso não é, nem nunca será, sinônimo de amor. Algo que eu sempre busquei nos meus relacionamentos é um equilíbrio de condições em suas rédeas.

Algum tipo de dependência, ainda mais em um relacionamento longevo, é comum de se ter. Não imagino que alguém que passou anos ao lado de outra pessoa possa encerrar a relação e agir normalmente no dia seguinte, como um cliente que não foi bem atendido em um restaurante procura outro. Contudo, essa dependência, natural de relações interpessoais, não pode ser uma amarra.

Encontrar o equilíbrio entre o “felizes para sempre” e a “prisão do coração” (e muitas vezes, da cabeça) é um imenso desafio. Um coração livre sabe muito bem como viver e voltar sempre para o lado daquele que o faz bem.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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