quinta-feira, 25 de maio de 2017

Política de Clichês




O momento político que o nosso país vive tem mais reviravoltas que qualquer série sobre o tema ou qualquer boa e velha novela mexicana. O clichê, de ser pego por um "grampo", pode soar como repetitivo demais dentro dessa "trama" contada, mas continua a se repetir, repetir e repetir.

O que mais me assusta nesse enredo todo é que só agora, para uma parcela de pessoas, a ficha está caindo. Estamos todos ferrados. Não existe um lado para correr. Todos os partidos políticos fizeram algo, lucraram em algum momento e estão juntos nessa.

Eu, você e nossos amigos de Facebook, que fazem textão pró e anti impeachment, estamos juntos nessa. Querendo ou não. Estamos vendo tudo ser jogado no ventilador e nada definitivo é feito. Nos indignamos, reclamamos com a pessoa ao lado no busão. Alguns até vão pra rua "se manifestar". Mas é só! Fazer pressão popular na rua ou nas redes sociais não adianta tanto, já que quem está usando as cartas do jogo são eles e não nos.

O que podemos fazer, todos sabem. Votar direito. Mas falar sobre eleições dá trabalho e cria inimizades. Desavenças por conta de partido X, Y ou Z. Praticamente como no futebol. Ou no reality show. Participantes, políticos e jogadores recebem nosso afeto e proteção. Mesmo se cometerem uma "falta" ou erro... perdoamos. Porque deles, nós gostamos. Então eles podem...

Mesmo com delação, gravação e provas concretas, muitos preferem manter a linha do pensamento: é menos pior que... E isso me assusta.

Com toda essa reviravolta dos últimos dias e clichês das últimas semanas, só consigo pensar que em breve os Jogos Vorazes vão existir e muito provavelmente estarei na arena competindo por minha vida. E será que do outro lado da mesa serei tido com um participante favorito? Será que serei perdoado por meus erros? Será que vencerei e vou sobreviver? Será?

Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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