quarta-feira, 14 de junho de 2017

A Tal "Idade de Cristo"




Esse é o meu primeiro texto desde que completei 33 anos. Meu aniversário foi domingo, 11, e até hoje ainda recebo parabéns de um ou outro amigo atrasildo. Admito que não estava tão animado esse ano: a data caía no fim de semana e eu não pensei em nada mais a não ser almoçar com a família. Acabei ganhando uma festa surpresa em casa capitaneada pelo meu companheiro e cheia de pessoas queridas. Amigos antigos e novos; família e afilhados. Um bocado de tudo. Gente que verdadeiramente me ama e se esforçou para manter a magia da surpresa.

Eu vinha refletindo sobre essa idade. A tão emblemática “idade de Cristo”. Pensava cá comigo: caramba, o currículo de Jesus era muito mais qualificado aos 33 anos do que o meu é... O cara foi o suficiente para inspirar diversas religiões, inclusive a dominante no mundo, com a idade que eu tenho hoje. Tudo bem que a Bíblia diz que ele era O Filho de Deus e tal... fez milagres, andou sobre as águas, transformou água em vinho (eu no máximo transformo vinho em urina, por vias naturais). Mas o que de edificante realmente construí até essa data foi uma questão importante de se pensar.

Foi quando li a mensagem de parabéns de uma amiga, vi que ela fez justamente a comparação contrária. Ela dizia que era incrível a quantidade de coisas que eu já tinha feito e tinha apenas 33 anos. Realmente, se eu for pensar que já escrevi dois livros e participei de um terceiro; trabalhei em um jornal na maior TV brasileira e estou há 10 anos na maior assessoria de imprensa do país; participei da fundação de uma instituição religiosa e a vi chegar aos 10 anos também, tendo agora uma matriz e duas filiais; assisti a uma final de Copa do Mundo ao vivo; tenho minha casa junto com o meu companheiro há oito anos, estando com ele juntos há quase 13. Consegui, nesses 33 anos, me cercar de gente querida; como as que fizeram questão da surpresa; como as que me inundaram com literalmente centenas de mensagens de parabéns, algumas inclusive ressaltando uma admiração que eu sequer tinha noção de que determinadas pessoas nutriam por mim.

Vi que realmente o que faz valer a vida e que de fato fez diferença nesses 33 anos foi a capacidade de agregar, de ter todo esse amor gratuito à minha volta. Muito mais do que os milagres de Jesus, o que o fez essa referência toda foi o amor. E isso não tem idade para saber a dimensão e importância. Mais do que isso: a necessidade, o sentido de boa parte da vida. 

Sim, chegar à “idade de Cristo” me fez refletir. E concluir coisas boas que não devem parar por aí. Obrigado a todos e a cada um que me desejou seus bons votos e emanou carinho nessa data tão importante. Essa é a verdadeira lógica de um aniversário: celebrar a vida junto daqueles que querem o seu bem.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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