segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Trilha da Pedra Bonita e Seu Visual Arrebatador



Preciso confessar que sou um preguiçoso nato. Treino na academia, faço as minhas corridinhas, mas tudo isso é para o que chamo de "controle de danos". Eu amo comer besteira, eu bebo e, para equilibrar um pouco as coisas eu tento "pagar", mantendo-me em movimento, compensando os excessos. Afinal, eu não vou parar de comer e de beber, então os exercícios estão aí para melhorar um pouquinho as coisas. E que fique claro: eu não gosto de treinar ou de correr; mas a sensação de dever cumprido depois de fazer essas obrigações vale a pena se comparada ao esforço.

Dito isso, eu preciso dizer que tenho amigos aventureiros, que adoram mato, fazer trilhas e se embrenhar por caminhos desconhecidos. Uma das minhas melhores amigas, por exemplo, já foi ao Monte Roraima, numa experiência que eu classifico como loucura; ela, como uma das melhores coisas de sua vida. E, durante muito tempo, eu a via planejando trilhas e passeios aqui pelo Rio e nunca me interessei em acompanhá-la. Na minha lógica, para que subir morros para ver paisagens que eu poderia apreciar por fotos ou vídeos? Pensamento de preguiçoso, né? 

Lembro que alguns anos atrás, viajando para Ilha Grande, em Angra dos Reis, resolvi fazer a trilha de Dois Rios. Essa minha amiga estava junto, meu ex também, e, confesso, foi uma das piores experiências da minha vida. Havia chovido no dia anterior, havia lama na estrada e foram horas, repito, horas, de caminhada para chegarmos a uma praia que era sim bonita, mas onde eu poderia ter chegado de barco, por exemplo. Acho que essa aventura me traumatizou.

Mas eis que ouvindo uma conversa dela com outras duas amigas do trabalho combinando de fazer a trilha da Pedra Bonita, que se iniciava ali pelos lados de São Conrado, me animei com a experiência. Nem sei porque, mas achei que poderia ser divertido fugir um pouco do óbvio e me aventurar com elas em algo que eu normalmente não faria. E foi assim que num belo domingo de céu azul e sol brilhando no outono carioca nós estávamos prontos para ver o Rio de cima, em uma paisagem espetacular.

Sendo bem sincero: a trilha não é nenhum perrengue. É possível chegar até o início dela de carro ou ônibus, indo até a interseção da Estrada das Canoas com a Estrada da Pedra Bonita (nós pagamos R$ 30 de Cabify saindo do início da Zona Sul até lá). E é aí no começo da Estrada até o início da trilha o pedaço mais chatinho a ser feito a pé. É uma subidinha puxada, que pode ser feita de carro, mas que dependendo do dia e da hora, você só consegue andando, já que o estacionamento dá prioridade aos instrutores de asa delta ou para quem vai se aventurar nessa aventura de saltar lá de cima. Aliás, ficar observando o povo pular de asa delta ou de parapente é outra das atrações dessa trilha. Muito maneiro e admiro quem tem a coragem de se jogar.

Mas, uma vez iniciada a trilha em si, são aproximadamente 30 minutos de uma caminhada que não exige tanto quanto eu pensei. Tinham idosos e crianças fazendo o trajeto de boa e, apesar do cansaço natural, não senti nenhuma grande dificuldade, apenas uma dorzinha na panturrilha que me acompanhou no dia seguinte e pelo resto da semana. Ossos do ofício.

Para maiores detalhes, eu fiz uma pesquisa. Para se chegar ao topo da Pedra Bonita, que tem 693 metros de altura em relação ao nível do mar, percorremos uma distância de 1.150 metros, ou seja, pouco mais de um quilômetro. É uma trilha considerada de dificuldade moderada, mas dependendo do seu estado físico, é até bem fácil.

E, quando menos se espera, você chegou. E, gente, que presente é estar lá em cima. O visual é arrebatador, com uma vista que te deixa embasbacado: à esquerda, temos a Zona Sul, vindo de Ipanema, o morro Dois Irmãos e São Conrado; bem em frente, a Pedra da Gávea com toda a sua imponência; à direita, uma visão de grande parte da Barra da Tijuca. É simplesmente lindo, como a imagem panorâmica que abre o texto pode provar.

Lá em cima, enquanto você curte a vista, é possível também relaxar enquanto se encontra em contato direto com a natureza. À nossa volta, é comum vermos dezenas de pessoas apreciando o mesmo visual que você, tirando fotos, selfies e curtindo aquele momento. Havia até mesmo um grupo de pessoas fazendo ioga em tapetinhos espalhados por um platô, apesar da movimentação para lá e para cá dos outros trilheiros. Uma mistura ousada de pessoas e que apenas valoriza ainda mais a sua experiência lá em cima.

Mas, como apesar de todo relato ser válido, vou compartilhar algumas imagens do local para você, quem sabe, se animar a encarar essa aventura. E, acredite, são as palavras de um chato e preguiçoso que não é muito fã de esforço físico: vale a pena!

Lá embaixo, o finzinho da Zona Sul, com a praia de São Conrado e o morro Dois Irmãos. Naquele meio abaixo do morro e ao lado dos prédios, a Rocinha.

A Cabeça do Imperador (mais conhecida como Pedra da Gávea, mas falo sobre isso na próxima foto) e a Barra da Tijuca em sequência.
Eu e, me observando, a Cabeça do Imperador. Esse é o nome original da Pedra da Gávea. Diz a lenda que esse rosto é uma esfíngie de um Rei Fenício que tentou dominar o Rio na antiquidade. Será?
Meu grupo de amigos e "trilheiros" reunido praquela foto obrigatória com a Pedra da Gávea ao fundo.
Depois da aventura, o retorno. Porque pra baixo, todo santo ajuda.
O mais legal é que acho que fui picado pelo bichinho das trilhas. Já estamos combinando a próxima, porque a experiência realmente vale a pena!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

Evelyn Rocha disse...

Tbm queroooooo! Deve ser deslumbrante!