quinta-feira, 29 de junho de 2017

Eu Voltei Para Grey's Anatomy





No início de 2012 dei um basta. Prometi que largaria Grey's Anatomy sem olhar para trás. Era uma decisão difícil, mas meu coração já estava cansado de sofrer e meu emocional não conseguia aguentar tantas peripécias de Shonda Rhimes.

Até que naquele ano comecei a assistir à nova temporada, mas me mantive fiel ao que prometi anteriormente e quando a "trama" deixada em aberto foi finalizada, eu me desliguei. Deixei de ler sobre, assistir episódios. Eu havia saído do universo de Seattle Greace. Pra sempre... Também não assistiria mais nenhuma série escrita por Shonda. Havíamos, naquele período, cortado relações. Bem. Eu havia cortado relações com ela... Eu é que estava sofrendo e tudo mais... Parte desse desapego explica não ter assistido Scandal e ter certa relutância com a série. Mas estava machucado, então, nada de julgamento, por favor.

O tempo passou, mais pessoas continuaram a morrer em Grey's Anatomy e veio How To Get Away With Murder. A série não é escrita por Shonda, esse foi o motivo que me fez assistí-la em primeiro lugar. Mas, apesar de não ser escrita, carrega em seu "DNA" a marca de Rhimes. Impossível não perceber sua influência na trama e em seus personagens...

Meu contato com sua obra aconteceu quando vi o filme de Britney Spears pela primeira (e única) vez. Não sabia e nem queria saber quem era responsável por aquela história. Hoje consigo identificar certas coisas feitas por Rhimes para passar algumas mensagens aos fãs da cantora.

Só que em 2007 (sim, dez funcking years ago), assisti uma série que possuía inúmeros fãs e era aclamada pela crítica na época - e já não era LOST -, Greys Anatomy. Lembro, inclusive, da minha sensação ao assistir o piloto. Literalmente fui até uma Saraiva e comprei a primeira temporada da série. No piloto me conectei com a história, aqueles personagens e sua trilha sonora. Shonda Rhimes falou comigo e não foi pouco.

Agora, dez anos depois, me propus a ver novamente o piloto. Começar a história do zero. Seria um risco, afinal, existem séries que não envelhecem bem. E, muitas vezes o que consideramos genial em uma primeira assistida, acaba não mantendo o mesmo charme quando damos algumas olhadas depois...

Mas não com Grey's. Se na época eu era um Silvestre com vinte e dois anos, agora sou um com trinta e um (quase trinta e dois). Não sou mais aquele "menino". E a série continuou falando comigo, mas não da mesma maneira. Consegui entender melhor Meredith, ser mais fã ainda de Cristina, sentir saudades de George e também me perguntar por que Shonda decidiu algumas escolhas duvidosas para o personagem. Vi Izzie antes de se tornar alguém irritante e Alex sendo um ser humano bruto, pronto para ser polido durante todas as temporadas que estão por vir.

Saber o que vai acontecer na vida desses personagens não tira o brilho. Faz com que me questione o que senti da primeira vez que vi e o que mudou depois de dez anos. O que mudou em mim depois desse tempo.

Grey's Anatomy é diferente de Friends, que todo mundo quer um revival. Mas é preciso aceitar que é uma época da vida que acontece uma única vez e quando se tenta reproduzir, acaba sendo só mais um saudosismo do que realmente bom. A série sobre as análises de Meredith sobre sua vida e o que aprende como interna de um hospital, acaba sendo um eco de questionamentos que existiram e continuarão a existir dentro de nós mesmos e, de tempos em tempos, como ondas, quando revisitados nos redescobrimos nele.

Com esse primeiro episódio consegui lembrar quem eu já fui, quem me tornei e quem ainda espero ser. Fico ansioso para saber como me sentirei com mais episódios, temporadas e acontecimentos que ainda estão por vir... Não que não saiba, mas sentimentos são uma caixinha de surpresa. E só me resta aguardar quais serão os próximos que virão...

Leia Também:
Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
FacebookTwitter

Nenhum comentário: