terça-feira, 27 de junho de 2017

Orgulho




Apesar de o mês de Maio ser dedicado a todxs inseridxs na bandeira LGBTQ, o orgulho a qual me refiro no título é outro. É aquele orgulho que vem disfarçado de força de vontade, ou de pura teimosia, e também por não querer dar o braço a torcer e admitir pra todo mundo que você... Não queria dizer falhou, mas acho que é o que melhor descreve.

Não tá dando certo. Você sabe que não tá. Os sinais estão vindo de todos os lados, mas você resolve ignorá-los e, às vezes até os encara, mas num último momento, decide deixar pra lá, ir no Facebook/Instagram/Twitter e postar "Whatever it takes 'cause I love the adrenaline in my veins"

Aí você volta a dar murros em ponta de faca, porque suas mãos não sangraram o suficiente, certo? Insiste em bater naquela mesma nota e, a cada selfie tirada, o sorriso de felicidade se torna mais pesado, pois por trás dele vem um histórico de frustração, pânico, desespero, mas que não pode ser mostrado, afinal, admitir a derrota pra si mesmo pode ser fácil em alguns casos, mas admitir a derrota para os outros?! Não, jamais! E as curtidas e reações? E os desejos de boa sorte? Como fica isso? Como vai ficar a sua aparência perante as pessoas que torceram, acompanharam cada momento da sua jornada? O que elas vão dizer? Não, jamais! 

Não dá, a mão não sangrou o suficiente, o objetivo não foi alcançado e, mesmo sabendo que ele não será, você insiste, insiste, corta aqui, ali, puxa pra lá, pra cá, pra cima, pra baixo, vira do avesso, porque tem que haver um jeito! As pessoas à sua volta, as poucas que sabem o que realmente acontece, dizem pra você mudar de ideia, voltar e recomeçar, mas você insiste, e insiste, e insiste, mesmo sem ter um plano, mesmo sem conseguir enxergar nada a não ser branco, ou em alguns casos, uma total escuridão. 

Sem cartas na manga, sem novas estratégias, sem plano ALGUM, mas você tá lá, não tão firme, muito menos forte, porém, segue, sem dormir, sem comer direito, sem pensar em nada a não ser desistir, mas não desiste porque admitir a derrota pra si mesmo e para os outros dói, machuca tanto quanto os murros na ponta da faca.

Quando você menos imagina, se vê de pés e mãos atados, vendo tudo pegar fogo ao seu redor, num total desânimo, seu interior seco como uma taça empoeirada e engordurada que há muito tempo foi deixada como enfeite e não sente o toque do vinho, o sabor, o cheiro...

Quanto tempo você vai conseguir aguentar com todos esses machucados? Quanto de coragem te falta pra admitir pra você que não deu certo? Quanto mais você aguenta?

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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