segunda-feira, 31 de julho de 2017

Quando Constranger É o Verbo ao Invés de Educar





Uma situação bizarra que aconteceu em uma unidade da Universidade Cândido Mendes em Niterói/RJ vem chamando a atenção depois que um vídeo constrangedor foi veiculado nas redes sociais. Nele, dois jovens são execrados pelos seguranças da instituição, expostos a situação vexatória, depois de serem "pegos" em um dos banheiros da universidade.

Munidos da câmera de um celular, os seguranças ameaçam, constrangem, xingam e humilham os dois jovens do banheiro até o elevador da instituição que, a priori, deveria educar, não constranger e humilhar. É o típico caso de uma reação extrema que torna a ação dos seguranças (ou seja, da Universidade, já que eles a representam) odiosa e criminosa.

sábado, 29 de julho de 2017

A Trilha Sonora da Minha Vida em 10 Canções





Assisti no Vinilteca, um canal sobre vinis do YouTube que adoro e recomendo muitíssimo pra quem curte música boa de todos os estilos e épocas, uma tag que super curti. José Ono Junior e Guilherme Colpani, os apresentadores do canal, responderam cada um, quais eram as 10 músicas da vida deles. Tenho certeza de que foi uma tarefa hercúlea, devido ao vasto conhecimento musical de ambos e a enorme coleção com mais de 500 LPs que possuem, mas eles encararam o desafio, e foi super gostoso de assistir. Depois, a Tarsila, do canal Vra Tatá, copiou a ideia e, assistindo ao vídeo dela, me despertou a vontade de fazer minha própria tag também. Como não tenho mais canal no YouTube, a lista será feita aqui mesmo. Listas, aliás, estão quase virando tradição nessa coluna que vos escrevo, mas como sei que o povo gosta, vamos a mais uma.

Lembrando que não é qualquer lista, essa é bem especial. Creio que não seja nada fácil para qualquer pessoa definir as canções mais marcantes e importantes da vida em apenas 10 escolhas. São tantas canções, melodias, letras, vozes e interpretações que nos tocam e marcam fases distintas de amores, dores e alegrias. Mas sempre há aquelas que não silenciam nunca, basta ouvir o primeiro acorde e um jorro de lembranças e emoções mais diversas desperta incontrolavelmente. É dessas que irei comentar.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Ser ou Não Ser (Gay)? Eis a Questão





Em maio de 2015, o cantor pernambucano Johnny Hooker, em uma entrevista publicada no Jornal Extra, declarou que dispensava rótulos e que gostava de ser visto como um cantor popular. 
  “Nunca me senti um artista de nicho. Não gosto de ser rotulado de underground e acho tendencioso dizer que faço música gay. Não existe música gay, existe música de gente”
 Na época que surgiu, o cantor foi entitulado como “o novo Ney Matogrosso”.

Pouco mais de dois anos, quando Hooker concedia uma entrevista para divulgar o seu segundo álbum (e, obviamente, para causar uma polêmica para chamar atenção), o mesmo cantor torceu o nariz à declaração de Ney Matogrosso para a Folha de São Paulo, quando disse que não gosta de ser entitulado de gay. Matogrosso disse que não defende (apenas) gays, mas também a causa indígena e a negra. O músico pernambucano ainda afirmou que a frase “que gay o caralho, eu sou um ser humano” dita por Ney foi “desastrosa” para um país onde mais existe violência contra a comunidade LGBT e ainda acusou o ícone de ter “cristalizado”. Para colocar mais lenha na fogueira, Hooker ainda declarou que a única resposta possível é “que vai ter gay pra caralho sim, cada dia mais gay, cada dia um level a mais igual Pokemon”. Hooker “se incomodou” pelo fato da declaração ter vinda “de um artista cuja carreira em grande parcela se apoiou na bandeira da luta dessa comunidade, de seu próprio público”.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Aos Meus Avós




Hoje é o Dia dos Avós. Na verdade, a comemoração vem da data dedicada a Sant’Ana e São Joaquim, avós de Jesus Cristo, e acabou servindo para lembrar desses seres que, por tantas vezes, criam os próprios netos como filhos. Ou se permitem terem com eles uma relação menos austera do que tiveram com os seus próprios rebentos, agora numa idade mais avançada da vida. Minha avó Thereza, a única que tenho viva até hoje, sempre diz que avó é mãe duas vezes. O que importa é que amor de vó é amor de vó e ponto; diferente de tudo o que a gente sente por aí por outros parentes, até dos nossos próprios pais.

Tive a felicidade de conhecer meus quatro avós. De parte de mãe, Thereza e Francisco. De pai, Davina e Sebastião. Thereza e Francisco eram de Niterói. Viviam a poucas quadras de onde eu morava quando era pequeno. Lembro-me até hoje daquela época em que, quando ainda tinha os dois por aqui juntos, juntávamos boa parte dos tios e netos para um café da tarde, no qual tomávamos café com leite ou um Toddy (peguei enjoo de café com leite já nessa época... tenho na memória até hoje o dia em que chamei minha mãe num canto com uns quatro anos de idade para perguntar se minha avó ia ficar chateada se eu dissesse que não gostava de café com leite e preferia o Toddy) com uma bisnaga que meu avô trazia para repartirmos. Aquele pão tinha um sabor que pouco vejo hoje em dia. Talvez tenha gosto de nostalgia...

terça-feira, 25 de julho de 2017

O Velório





Pra felicidade de muitos e tristeza de quase ninguém, eu morri! Ah, meu corpinho... Tão lindo, meses e meses de trabalho árduo, dieta, ovo cozido, frango, batata doce, crossfit, funcional, musculação, futebol, e pra que? Pra morrer aos vinte e seis anos! Agora olha bem como isso tá, tudo inchado, sem graça, sem... Vida. 

Meu nome é Breno e esse é o meu velório. Ei, atenderam meu pedido de leito de morte e deixaram tocando Schwanengesang, D. 957: IV. Ständchen, de Schubert, no velório. Por que o espanto? Porque é difícil alguém dar ouvidos a alguma coisa que eu digo. Droga, ainda não me acostumei com isso, deixem eu corrigir. Era difícil alguém dar ouvidos a alguma coisa que eu dizia. Eu sempre fui o invisível da galera. O filho do meio. Aquele que escolheu cursar Educação Física, numa família com pai advogado, mãe arquiteta, filho-Mais-Novo-futuro-advogado, e o Primogênito quase se formando em Direito. 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

7 Desejos: Cuidado, O Que Você Quer Pode Tornar-se Realidade





Eu sempre gostei de filmes de terror. Lembro que, na infância, eu ficava louco para ver, ainda no Cinema em Casa (quem lembra?), os filmes do Freddy Krueger, mas tinha pesadelos por dias e meu pai ficava puto já que eu ficava pentelhando à noite com medo de dormir no meu quarto. O tempo passou, veio a adolescência e, lá no fim dos anos 90, os sucessos de Pânico e Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado reaguçaram a minha curiosidade e paixão para com o gênero. 

Depois disso, muita coisa foi feita e até mesmo o gênero terror passou por modificações e ondas. Tivemos o overdose de filmes inspirados no terror japonês; os slash movies, com muito sangue cenográfico respingando na tela; o terror conceitual, onde mais era insinuado que mostrado. Nesse ano mesmo tivemos o elogiado Corra! que, ao subverter o gênero, mostrou toda a força que ele ainda possui. 

sábado, 22 de julho de 2017

Viva, Um Filme Para se Emocionar







Viva é um longa-metragem cubano, que estreou no Brasil em 01 de dezembro de 2016. Quis muito assistí-lo no cinema, mas não consegui. Recentemente disponível no catálogo da Netflix, assisti-o imediatamente, assim que o encontrei, e me encantei mais do que esperava.

O filme conta a história de Jesus, garoto de 18 anos, que vive na periferia de Havana e faz bicos como cabeleireiro para sobreviver. Órfão de mãe e abandonado pelo pai aos 3 anos de idade, Jesus conta com a ajuda e os cuidados da vizinha Nita e da travesti, dona de um decadente clube na cidade, a quem fornece perucas, tratada por Mama.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Todo Adulto é Triste e Solitário




Teve um dia dessa semana que eu acordei triste. Não sabia o porquê. Só estava triste. Tinha até dormido cedo na noite anterior, algo que eu nunca faço e que só fazem ampliar minhas olheiras de panda. Mas, naquela manhã fria, eu acordei triste. Exausto, fui me arrastando para o chuveiro, liguei o registro até enfumaçar todo o banheiro e enquanto percebia o vapor escorrer pelos espelhos enquanto minha própria imagem embaçava, lembrei de uma entrevista que a escritora Clarice Lispector concedeu à TV Cultura em 1 de fevereiro de 1977 para o programa Panorama.

Clarice deu essa entrevista 10 meses antes de morrer, pouco tempo depois de ter lançado seu último romance, A Hora da Estrela. Na época, a escritora fora internada devido a um câncer de ovário que foi detectado tardiamente e a doença já tinha se espalhado por todo o seu corpo.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

"Eu Vejo C*** Rosa e Fico Doido!"





Sabe quando você vai pra balada e troca ideia com seu amigo e tudo faz muito sentido naquele momento? Pois é! O título desse texto é mais ou menos isso. Tudo bem que já havia bebido uma ou duas latinhas a mais de cerveja do que tinha planejado, mas lembro de pegar o celular e enviar para um grupo essa frase título.

Acho que o Leandro Faria, autor da frase - vocês não pensaram realmente que isso havia saído de mim, não é mesmo? - me desafiou a desenvolver um texto sobre esse tema. E se anotei a frase é porque aceitei o desafio.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

A Geração Que Se Autodestrói





Houve uma época em que as pessoas compravam rolos de filme para colocar em suas máquinas, fotografavam sem saber como a imagem havia ficado e depois esperavam (às vezes dias, a revelação) para ver o resultado. De vez em quando o filme se perdia por inteiro. Ou algumas fotos queimavam. Era um horror, sem dúvida. Até que chegaram as câmeras digitais e tivemos uma revolução na qualidade das imagens: agora era possível ver exatamente o que estava se captando e fazer vários exercícios de luz e ângulo, sem gastar as poses do filme.

Em pouco tempo, todos tinham no celular uma câmera de alta resolução. Onde estivermos, podemos produzir uma foto, de qualquer trivialidade, a qualquer momento. Surgiram Fotolog, Facebook, Instagram, Flickr, Pinterest... Até que chegou o Snapchat. Admito que nunca entendi muito bem a lógica do Snapchat (a não ser para enviar nudes...) justamente porque vim de uma geração em que fotografia era praticamente um bem familiar, e não algo meramente descartável. Não tenho e não consigo ter, mas vi que o Instagram e, agora até o Facebook, se renderam às imagens que se autodestroem em 10 segundos. E percebi que, muito mais do que ser uma nova proposta, o Snapchat era a consequência de uma geração que trata muitas coisas que antes tinham grande valor como efêmeras e descartáveis.

terça-feira, 18 de julho de 2017

O Casamento




Bem, bem, bem... Chegou o grande dia. O dia do meu casamento. As pessoas que estão me olhando, todas cheias de sorrisos, filmando, fotografando, ao invés de curtir o maldito momento, não fazem a MENOR ideia do que eu tive que fazer pra estar aqui na hora que foi determinada, ok?

Mas que grosseria a minha. Esperem, pausa pra uma foto. Pronto. Meu nome é Bruna, tenho trinta e dois anos e não, você não se enganou, cara pessoa que está aí do outro lado: eu estou caminhando em direção ao altar neste exato momento. Pois bem, pra estar aqui exatamente às oito e meia da noite, eu tive que começar a me arrumar às dez da manhã! Não me entendam mal, eu até gosto dessa coisa toda de “dia de princesa”, e passar um tempo no SPA e coisas assim, mas caramba... É o dia do meu casamento, devia ser mais tranquilo e não essa correria toda. Vai pra lá, arruma cabelo aqui, uma daminha ficou resfriada e não vai poder vir, o vestido não está ficando do jeito que devia ficar, como ficou das outras vezes, o cabelo resolveu que não quer ficar do jeito que foi planejado, sessão de fotos aqui, ali ,acolá... Caramba, eu só queria ficar com meu cabeleireiro e maquiador (que é a mesma pessoa), algumas madrinhas (não todas), alguns copos de suco ou champanhe... e só! Mas não, vamos causar o maior tumulto.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Nossas Pequenas Corrupções Diárias





Minha empresa, aquela que paga o meu salário para que eu possa com isso fazer as coisas que efetivamente me dão prazer nessa vida, não fornece o cafezinho dos funcionários. Um absurdo, eu sei. Acho que café, um copo d'água e, como diria a filósofa contemporânea Valeska Popozuda, um boquete, não se nega a ninguém. Por isso, para atender às nossas necessidades diárias de cafeína para aturar a rotina de sempre, nos organizamos em grupos e providenciamos o nosso café de todo dia. Uma contribuição mensal, alguém que se responsabilize pela compra dos insumos e nos revezamos no ato de preparar o café pela manhã e depois do almoço. Funciona bem para nós. E toda essa introdução para quê? Para dizer que minha amiga querida, a responsável pelas finanças do nosso café, foi furtada no nosso local de trabalho.

Isso mesmo. Apesar de todo o cuidado que se tem com dinheiro, ela sentiu-se mal numa sexta-feira, não foi trabalhar e, por isso, as gavetas dela ficaram destrancadas no fim de semana. Na segunda-feira, ao chegar no trabalho, cadê a carteira com os golpinhos do nosso café? Puft, sumiram! Alguém, que imaginamos ser do serviço de limpeza dos fins de semana, não só abriu a gaveta dela, como furtou a carteira mais os aproximadamente R$ 250 da nossa caixinha do café que estavam guardados nela. Bando de filhos da puta.

domingo, 16 de julho de 2017

Samba: Um Drama Francês Sincero e Tocante




Eu não conhecia o filme de 2014 até me deparar com ele no Telecine e, como o título me chamou a atenção e vi se tratar de uma produção francesa nem pensei duas vezes. Dirigido e escrito por Olivier Nakache e Éric Toledano — criadores de Os Intocáveis — narra os problemas enfrentados pelos imigrantes ilegais na França através da figura de Samba Cissé (Omar Sy), senegalês que vive há dez anos no país e espera conquistar a oportunidade de poder ser legalizado e assim trabalhar na cozinha de algum restaurante. Por causa de sua situação irregular, ele conhece Alice (Charlotte Gainsbourg), uma mulher que devido ao estressante trabalho enfrenta problemas psicológicos e por causa de um acidente com um colega agora é voluntária numa ONG que cuida das questões dos imigrantes ilegais.

sábado, 15 de julho de 2017

Meus 10 Ensaios de Nu Masculino Preferidos





Essa semana eu estava lembrando do final da minha adolescência, que terminou junto com os anos 90, e consequentemente me veio a cabeça aquela fase em que eu delirava com as capas das revistas gays ou daquela outra que se dizia voltada para o público feminino, mas quem curtia mesmo eram as manas. Eu não era colecionador, mas sempre dava um jeito de comprar as que me pareciam mais interessantes. Tudo secretamente, na moita, escondendo embaixo do colchão, morrendo de medo dos meus pais descobrirem minha pequena prática libidinosa. O pavor era tanto de ser descoberto, que depois de ver mil vezes e fazer otras cositas más, geralmente elas eram incendiadas, e junto com elas meus pecados também eram consumidos pela fogueira. Sim, eu era desses, que depois de me acabar com as fotos dos gostosões fazia a Madalena arrependida, mas era só aparecer outro gostoso na capa seguinte, que lá ia eu juntar moedas para me deliciar ou decepcionar. Era um tempo bom, onde o acesso a internet era mais restrito e o mercado editorial ainda bombava. A precursora Ana Fadigas (editora) arrasava na escolha das capas da G Magazine, que com o tempo se sofisticou, conseguiu modelos cada vez mais famosos e se tornou uma das mais importantes do Brasil no segmento.

A revista foi lançada timidamente em maio de 1997 com título de Bananalôca e teve em sua primeira capa o hoje famoso ator da Globo, queridinho de Walcyr Carrasco, Anderson di Rizzi, que na época tinha o nome artístico de Dânder e era só um modelo buscando a fama. Apenas em outubro daquele mesmo ano a publicação passou a se chamar G Magazine, e deu um salto de qualidade em agosto de 1998, com sua primeira grande capa com um famoso, o ex-galã Global e na época futuro ator pornô, Matheus Carrieri. Foi um sucesso, e a partir dali diversos famosos da música, do futebol e da TV toparam passar pelas páginas da revista. Ali, muitos sonhos foram realizados. Por essas e por outras lembranças gostosinhas dos nostálgicos tempos de minha adolescência, o Barba Feita hoje apresenta minhas 10 capas preferidas de revistas com nu masculino (com ou sem ereção, mas a maioria com, é claro).

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Ma, Oi?




Silvio Santos sempre foi um ídolo para mim. Meu avô o conheceu quando ainda era um camelô vendendo canetas na Praça Mauá e eu ficava fascinado quando ele rodeava os netos para contar os causos do homem que enriqueceu pela sua notória lábia. Passei toda minha infância assistindo o programa dele que durava um domingo inteiro. Começava com o Domingo no Parque e ia até o Show de Calouros. E no meio tinha o Qual é a Música, o Roletrando, o Namoro na TV, a Porta da Esperança... Enfim, um cardápio variado que atualmente provavelmente faria muito mais sucesso do que as bizarrices que temos visto ultimamente.

Não que naquela época também não existissem as bizarrices. Sim, elas existiam aos montes. Quem não lembra do Domingo no Parque daquelas crianças presas naqueles foguetes de costas para o público tendo que responder “siiiiiiim” ou “nãããããão” toda vez que a luz vermelha acendia? O Silvio sempre fazia questão de sacanear as pobres das crianças numa sequência de perguntas sem regras, onde quase sempre elas trocavam todos os prêmios já recebidos por um ridículo palito de picolé ou algo tão esdrúxulo quanto. 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Você Vai Morrer!





Outro dia estava mexendo no meu celular e me deparei com alguns vídeos perdidos. Muitos recebidos através do WhatsApp, mas que não havia assistido ainda. A grande maioria nem sabia da existência. Mas em um deles vi algo, no mínimo, curioso. Uma mulher se aproximou de um cara e pediu uma frase motivacional. Após pensar dois segundos ele disse: "você vai morrer!". Assumo que minha reação de cara foi achar aquilo bem estranho e até ter achado aquilo desnecessário! Poxa! Ele dizer uma coisas dessas para uma desconhecida que só queria uma "frase" motivacional... Mas ele disse apenas a verdade!

Se tem uma coisa que todos nós podemos ter absoluta certeza nessa vida é que todos iremos morrer. Não sabemos quando e nem em qual circunstâncias. Mas todos nós iremos morrer. É um fato! Agora, o que fazemos no intervalo entre o momento que nascemos e aquele que morreremos... Fica tudo por nossa conta!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Meu Primeiro Beijo





No último sábado, 08/07, fui comemorar o aniversário da minha irmã na casa dela em Niterói e encontrei boa parte de seus amigos lá. Eis que no meio da festinha, lembrei-me que estava completando 16 anos exatamente naquele dia que eu dava o meu primeiro beijo; e a autora do feito estava lá presente. Sim, nobre leitor, eu me recordo da data. Sim, nobre leitor, eu tinha 17 anos. Sim, nobre leitor, I kissed a girl. Mas minha opinião foi diferente da Katy Perry.

Uma das coisas que não esqueço era a pressão que os meus amigos faziam naquela época para que eu deixasse de ser BV (para quem não se lembra das gírias escolares, “boca virgem”). Impressionante como um menor de idade era (e imagino que ainda seja, mesmo hoje em dia) cobrado e praticamente achacado para que desse esse passo, mesmo contra a sua vontade. Durante muitos anos, usei como fuga o fato de achar que era apaixonado por outra menina, que nunca me deu bola. Em nome desse sentimento que eu nutria platonicamente, não me sentia na obrigação de fazer com mais ninguém. Quando, na verdade, não deveria ser obrigado mesmo.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Perspectivas e Muitos, Mas Muitos Parênteses!





Olha, tá difícil, viu? Primeiro, fico sabendo que um colega de Rafael, com trinta e um anos, tem duas graduações e, depois, cometi a insanidade de lavar uma camisa branca com uma calça preta. Fazem ideia de como eu tô me sentindo?! HAHAHAHA minha mãe estaria tão "orgulhosa"... Consigo ouvir a voz dela: "Leeeeeeeeeeerdo!" (pela parte da calça, ok? Sobre a faculdade, ela culparia o computador, como a maioria das mães. Eu culpo... bem, qualquer outra coisa, me fugiu o raciocínio aqui).

Mas não é sobre isso que eu vim falar hoje, e sim, sobre perspectiva. Sempre morei em Barra Mansa, né? Nascido e criado lá naquele lugar. Quem me conhece, sabe da minha luta diária pra sair de lá, me libertar da maldição da Caverna do Dragão e sair voando rumo ao céu (hoje em dia eu sei como Ícaro e Dédalo se sentiram... o sol queima, né?), pra sentir a brisa fresca e suave da liberdade. E consegui. Me livrei da maldição. Da cidade. Um sonho de adolescente, quando eu dizia que JAMAIS voltaria para lá. Dos dezessete aos vinte e nove, o discurso foi o mesmo: "Quando eu sair daqui, não volto nunca mais!".

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Soundtrack: Um Drama Existencial no Ártico




Estrelado por um inspirado Selton Mello, Soundtrack é um filme que evoca emoções diversas de seu público. Apesar do título que remete à música, é um filme sobre silêncios - literais e figurados - e sobre a humanidade, ou melhor, aquilo que nos faz humanos. É um filme sobre a amplidão e sobre sentir-se pequeno, perdido na imensidão. É um filme sobre a solidão.

Chris, personagem de Selton Mello, é um fotográfo que partiu para uma estação científica no Ártico com um projeto inusitado: tirar fotos diversas de si mesmo, as chamadas selfies, sempre ouvindo músicas, para que em uma exposição futura as pessoas possam experimentar as suas mesmas sensações ao colocarem um fone de ouvido e apreciar suas fotografias. Mas, em uma estação com outras quatro pessoas empenhadas em seus projetos científicos, ele é o peixe fora d'água, que causa desconfiança; o artista errante e sem noção, que vai ao Ártico para perder tempo tirando selfies enquanto eles fazem o trabalho de verdade. É o embate e a convivência entre Chris e esses outros quatro personagens, Mark (o britânico Ralph Ineson), Cao (Seu Jorge), Huang (o dinamarquês, apesar dos olhos puxados e no filme vivendo um chinês, Thomas Chaanhing)  e Rafnar (o sueco Lukas Loughran) que dão a tônica do filme, que tem como paisagem um dos locais mais frios e inóspitos do planeta.

domingo, 9 de julho de 2017

Toda a Experiência da Metade de Uma Vida




É... cheguei aos 35 anos... Metade da expectativa de vida no meu país. Costumo dizer que uma das principais funções da morte é nos fazer pensar sobre a vida. Acho que a função dos aniversários também é esta, pelo menos pra mim. Quanta coisa já passou pelas nossas vidas, não é mesmo? Quanto riso e choro. Quanta alegria e sofrimento. Quantos lugares incríveis você já pôde conhecer? Oportunidades que teve. Experiências... Eu me casei num castelo, acredita?

Me declarei gay aos 17 anos, me descobri com HIV aos 26, participei de uma reunião na ONU na Suíça aos 32, tive uma infecção generalizada aos 33 e, aos 34, fui diagnosticado com uma doença autoimune que não me deixa comer nada que eu gosto, além de intolerância à lactose e à frutose... Sim! Existem pessoas que passam mal quando comem frutas.

E você já parou para pensar o quanto o universo é incrível com a gente? Se você acredita num deus, pense o quanto ele é fantástico! Como ele nos faz ter forças e vontade de continuar. Nos faz experimentar sensações e refletir sobre o que é bom de uma maneira que talvez não saberíamos, se não vivêssemos restrições e dificuldades.

sábado, 8 de julho de 2017

Não Espere Nada, Esteja Preparado e Faça Acontecer





"Esperou o momento perfeito, e morreu sem ter feito nada..."

A frase acima, que li no Instagram de Adriane Galisteu e compartilhei na minha página do Facebook, me caiu como uma luva. Muitas fichas tem me caído nas últimas semanas, a cabeça não para de fazer plim, plim, plim o tempo todo, e minha auto-crítica anda mordaz. Tenho vivido à espera dos momentos perfeitos, e chego à lastimável e frustrante constatação que tudo que fiz até aqui não serviu de nada. Dei os passos mais difíceis, mas paralisei nos momentos cruciais, na hora de dar a cara a tapa e mostrar ao que vim de verdade.

Abandonei a vida cômoda ao lado da família e ralei pra caramba sozinho em uma cidade imensa, sem conforto, sem carinho e, às vezes, até sem coberta. E como uma gata borralheira, sentindo-me a princesa mais sofredora e batalhadora do conto de fadas, fiquei à espera da fada madrinha, que num passe de mágica, admirada e tocada pela minha comovente história de luta pelos sonhos, como grande recompensa me abriria todas as portas do castelo.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Bate-Bola é o Terrô!





Desde pequeno, eu sempre curti muito o carnaval, vocês sabem. As escolas de samba sempre povoaram meu inocente imaginário e eu passava a noite inteira assistindo os desfiles das agremiações pela televisão, em uma época em que as apresentações terminavam com o sol à pino, bem depois de meio-dia. As ruas tinham outra cor, outro clima, outro cheiro. Lembro que sempre ia com minhas tias comprar picolé na padaria da esquina e seguíamos um pouco mais adiante até o Largo da Penha, bem em frente ao Parque Shangai, para ver os grupos de crianças e adolescentes fantasiados, correndo pela rua dos Romeiros.

Muitas vezes estava ao lado de meus irmãos, que se borravam de medo dos temíveis bate-bolas, que, sempre em grupo, aterrorizavam as crianças. Não sei o porquê, mas nunca senti medo deles; muito pelo contrário... Eu tinha uma espécie de fascínio por aquelas fantasias coloridas e barulhentas com as longas capas bordadas e cheias de caquinhos de espelhos. À tardezinha, íamos para um clube em Bonsucesso para brincar e todos os anos me fantasiavam de havaiano, coisa que eu detestava, pois sempre fui meio gordinho e morria de vergonha das minhas dobrinhas, que eu escondia esticando aquele colar de plástico colorido. E aquele saiote? Jesus!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Ray Donovan, Uma Série Que Merece Ser Vista




Lembro que após assistir Braking Bad pensei que nenhuma outra série fosse capaz de me pegar da mesma maneira. E até o momento não foi. Mas ontem, ao assistir ao último episódio da quarta temporada de Ray Donovan - todos disponíveis na Netflix - senti uma "energia" similar entre as duas séries.

Se em uma Walter White decidiu entrar no mundo das drogas para deixar um dinheiro para sua família... Na outra temos Ray Donovan que tenta, a todo custo, proteger sua família... De sua própria família!

Para vocês entenderem o quão problemáticos eles são, vou contar certas particularidades que cercam a primeira temporada da série. Ray mandou o pai para cadeia. Sim! Mas antes de você ficar chocado com essa atitude do personagem, já alerto, Mickey Donovan não é flor que se cheire. Nem um pouco. Chega um certo momento que você entende a atitude tomada por Ray e até torce para que o personagem volte pra cadeia, mesmo que acabe mudando de ideia alguns segundos depois.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Quando a Experiência Fragiliza




Dentre as muitas tarefas ingratas da profissão de jornalista, talvez a maior delas seja lidar de forma tão banalizada com a morte. Lembro-me do primeiro momento em que tive que cobrir, na rua, o falecimento de uma pessoa. Eu tinha 19 anos. Ele era um menor de idade, que havia sido amarrado com as mãos para trás e executado à beira da BR-101, em São Gonçalo. Foi a primeira vez em que vi alguém assassinado na minha frente. Identidade ignorada. O fotógrafo e o motorista, mais acostumados que eu, trataram com grande indiferença. A editora-executiva da redação comemorava que tinha um presunto para ser uma possível manchete. Eu vesti o personagem da minha profissão e não me comovi na hora. À noite, foi um pouco angustiante recordar aquela cena.

Sempre busquei manter esse personagem e ter o “decoro” da minha função de repórter em qualquer situação, seguindo, inclusive, os passos dos mais antigos. Fui hostilizado na Alerj quando Rosinha Garotinho fez sua prestação de contas de Governadora e eu estava na TV Globo. Fui ameaçado em enterro de traficante. Corri de confusão em rebelião em presídio. Entrevistei o então prefeito César Maia dentro de um cemitério, em meio a um monte de morros no Catumbi, com as pessoas avisando: “os traficantes sabem que vocês estão aqui, só não aponta a câmera pra favela que não tem risco”. Mas havia situações em que, de uma forma ou outra, era impossível não se comover ou se abalar, ainda que silenciosamente.

terça-feira, 4 de julho de 2017

De Quantas Mentiras Você É Feito(a)?





Imre Madách, um dramaturgo húngaro, uma vez disse: "Ninguém prática o mal só pelo mal.". E eu acredito que ele se referia ao tal do "mal necessário".

Pessoas mentem quase que naturalmente, e quase sempre o intuito é o mesmo: salvar a própria pele. E depois que a primeira mentira é contada, não tem volta, outras mentiras vão surgir! E ver a nova história inventada surtir efeito, a sensação é tão, mas tão prazerosa, porque você tirou um peso doa ombros, porém, colocou outro maior e bem mais pesado. 

Oh não, não me entendam mal, não estou julgando quem conta suas mentirinhas. Eu mesmo já fiz um texto aqui sobre como contar uma boa mentira (e ainda finalizei dizendo que o melhor era dizer a verdade). O objetivo aqui é apenas antropológico, ou no bom português, levantar uma reflexão: quantas mentiras formam a pessoa que você é hoje? 

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Não Era Amor... Era Só Frustração!





A companhia era agradável, o papo fluía e, curtindo aquele momento enquanto falávamos da vida e nossas aventuras, ele me perguntou à queima-roupa: e não se apaixonou por ninguém desde que se separou? 

Vrau! Eu parei, pensei, gaguejei e não soube muito bem o que responder. Usei o manjado: senta que lá vem história e contei um resumo daquele que foi o mais próximo de um relacionamento que tive desde que, em novembro, voltei ao maravilhoso mercado dos homens solteiros do Rio de Janeiro. Aquela história que me pareceu tão promissora e aconteceu linda e perfeita na minha cabeça para que num belo dia, puft, não existisse mais. 

Eu contei tudo, porque já falo bastante normalmente, então imagina quando sou eu tentando entender algo que estou verbalizando para terceiros? O início, os risos, a cumplicidade, até chegar naquele momento em que, de uma hora para outra restou apenas o nada. A minha vontade de entender o que se passava, de ter uma resposta, de fechar o ciclo. Meu comportamento quase obsessivo por um retorno que, quando veio, surgiu apenas protocolar e que serviu para me obrigar a enterrar de vez aquela história que foi sem nunca efetivamente ter sido. 

sábado, 1 de julho de 2017

Aquele Balanço Trimestral





Já estamos em julho. É chegada a hora de mais um balanço trimestral com base nos textos que escrevi aqui, nos últimos três meses. No texto de 01 de abril, intitulado Sobre O Que Escrevi (Vivi e Senti) Nos últimos Três Meses, fiz um resumão do que rolou comigo entre janeiro, fevereiro e março, e posso reafirmar que foram meses bem complicados. Mas como tudo se ajeita com o tempo, as coisas foram melhorando. Mas na semana seguinte, acontecimentos desagradáveis, porém necessários e importantes, me abalaram emocionalmente, e tive que recorrer ao amigo Maurício Rosa para me socorrer com um texto naquela semana, porque eu estava sem condições. Então, no dia 08/04, tivemos a resenha do filme brasileiro com Denise Fraga e Domingos Montagner, De Onde Eu Te Vejo.

Em 15/04, já recuperando as forças e o viço meio perdidos nos três meses anteriores, voltei com o texto Voltando ao Normal. O tesão de escrever, buscar novos temas e ideias para minha coluna semanal, e o prazer de retornar a minha rotina de afazeres culturais, estavam brotando de novo em mim. O texto falava um pouco sobre isso. No sábado, 22/04, fiz uma resenha crítica sobre uma hamburgueria dita LGBT, após criar grande expectativa a respeito do estabelecimento, no texto Já Ouviu Falar na Castro Burger, a Primeira Hamburgueria LGBT de São Paulo?. E, no último sábado do mês, dia 29/04, fiz uma singela homenagem ao cineasta Jonathan Demme, falecido naquela semana, em 26/04. Triste com a morte do responsável por grandes obras como Filadélfia e O Silêncio dos Inocentes, necessitava relembrar sua trajetória cinematográfica. E assim foi com o texto R.I.P Jonathan Demme.