sábado, 29 de julho de 2017

A Trilha Sonora da Minha Vida em 10 Canções





Assisti no Vinilteca, um canal sobre vinis do YouTube que adoro e recomendo muitíssimo pra quem curte música boa de todos os estilos e épocas, uma tag que super curti. José Ono Junior e Guilherme Colpani, os apresentadores do canal, responderam cada um, quais eram as 10 músicas da vida deles. Tenho certeza de que foi uma tarefa hercúlea, devido ao vasto conhecimento musical de ambos e a enorme coleção com mais de 500 LPs que possuem, mas eles encararam o desafio, e foi super gostoso de assistir. Depois, a Tarsila, do canal Vra Tatá, copiou a ideia e, assistindo ao vídeo dela, me despertou a vontade de fazer minha própria tag também. Como não tenho mais canal no YouTube, a lista será feita aqui mesmo. Listas, aliás, estão quase virando tradição nessa coluna que vos escrevo, mas como sei que o povo gosta, vamos a mais uma.

Lembrando que não é qualquer lista, essa é bem especial. Creio que não seja nada fácil para qualquer pessoa definir as canções mais marcantes e importantes da vida em apenas 10 escolhas. São tantas canções, melodias, letras, vozes e interpretações que nos tocam e marcam fases distintas de amores, dores e alegrias. Mas sempre há aquelas que não silenciam nunca, basta ouvir o primeiro acorde e um jorro de lembranças e emoções mais diversas desperta incontrolavelmente. É dessas que irei comentar.

Algumas tags são bobinhas, eu conseguiria pensar em umas 50 mais interessantes, mas não mudei nada, deixei do mesmo jeito que as tags que vi nos canais. Vamos lá!

1. Uma música que define a sua vida:
Como foi quase impossível escolher apenas uma canção para cada tag, a maioria teve um empate técnico. Fiquei muito na dúvida entre duas que definiriam minha vida como um todo ou pelo menos grande parte dela. A letra de Belchior para Como Nossos Pais, emblemática e eternizada na voz e interpretação de Elis Regina, é um hino de gerações, e poderia definir minha vida assim como a de centenas de outros pelos mesmos motivos. Amo demais, sempre me arrepio quando ouço e nunca enjoo, mas por uma questão mais íntima e pessoal escolhi Fera Ferida, composição de Roberto Carlos, arrebatadora na interpretação de Maria Bethânia. Achava linda quando a ouvi pela primeira vez na abertura da novela homônima, escrita por Aguinaldo Silva, em 1993. Eu tinha 12 anos e não sabia que era de RC, e talvez nem achasse tão bonita na voz dele. Era a interpretação pulsante de Bethânia que me fascinava, e o encaixe na trama que ela proporcionava, me deixava alucinado, eu, já um mini noveleiro. Segui ouvindo Fera Ferida pela vida afora, mas foi somente em 2015, numa fase meio bad, que aquela letra me fez chorar copiosamente enquanto caminhava com meus fones de ouvidos despretensiosamente rumo ao meu trabalho, que me caiu a ficha de como a música gravada por Maria Bethânia para o álbum As Canções Que Você Fez Pra Mim, apenas com composições de Roberto, em 1993, descrevia todos os meus sentimentos à perfeição, não só naquele momento, mas na vida.

2. Uma música que seria toque do meu celular:
Já tive inúmeros celulares, mas apenas uma vez utilizei música como toque. Foi em 2009, escolhi Halo da Beyoncé, que foi uma das minhas músicas preferidas naquele ano, escutei à exaustão, e é muito linda, né?

3. Uma música que lembra um momento bom:
Tantas e tantas me lembram momentos bons, mas em 2010 me apaixonei por Heartbreak Warfare e nunca mais desapaixonei. Foi um ano que tinha tudo pra ser terrível, mas acabou sendo surpreendentemente bom, e dentre tantas trilhas incríveis daquela fase, o som do gatíssimo John Meyer me arrebatou de forma irreversível. Essa canção me diz tanta coisa, e até hoje fala comigo de um jeito profundo.

4. Uma música que me faz dançar na balada:
Dessa vez houve um empate triplo. Gosto muito de baladas flashback, então quando bate aquela vontade de descer até o chão, procuro sempre os mesmos estilos de festa, tem que tocar os anos 70, 80 e 90 pra que eu me divirta mesmo. Logicamente que também curto coisas atuais, Dog Days Are Over, da Florence And The Machine, nem é tão antiga assim, já faz parte dos anos 2000, e eu enlouqueço toda vez que toca na balada. A icônica Believe, de Cher, também me deixa impossível na pista. Mas quer me ver possuído mesmo, solta Dancin' Days, DJ. Com Lulu Santos ou As Frenéticas, me acabo como se não houvesse amanhã.

5. Uma música que sempre me faz chorar:
Essa talvez tenha sido a escolha mais difícil. Fiquei entre três opções novamente. Nada Será Como Antes, de Milton Nascimento, me deixa bem triste. 20 Anos Blues, entoada pela divina Elis Regina, acaba comigo. Mas Streets Of Philadelphia, do americano Bruce Springsteen, me mata sem dó.

6. Uma música que foi tema de algum relacionamento:
Nunca tive um relacionamento, mas foi cada paixão platônica que já vivi nessa minha cabecinha, que daria pra escrever uns dez romances daqueles estilo Sabrina, Júlia, Bianca, sabe? Brincadeiras à parte, amor não correspondido é um sofrimento, desnecessário, claro, mas quando se é imaturo e inexperiente o coração ignora esse detalhe. De qualquer forma, sempre que gostei de alguém foi intenso e genuíno, e obviamente minhas paixões platônicas sempre tiveram trilha sonora. Lembro muito de chorar ao som de Maria Bethânia entoando Você, de Roberto Carlos (do mesmo álbum com a gravação de Fera FeridaAs Canções Que Você Fez Pra Mim), quando me apaixonei por um surfista hétero, de 18 anos, aos 12. Mas escolhi um tema geral, que representa todos esses amores impossíveis. Mentiras, de Adriana Calcanhoto, é uma trilha eterna na minha vida. Dedico-a à todos os homens que não me amaram!

7. Uma música que eu tatuaria:
A princípio achei que essa seria mais difícil, mas foi só pensar um pouquinho e me surgiram algumas ótimas opções, como o hino eternizado pelo 4 Non Blonde, What's Up. O alento da magnífica letra de Paciência, do Lenine, também seria perfeita. Mas definitivamente, eu eternizaria True Colors, da Cindy Lauper, na minha pele, sem titubear.

8. Uma música que dá vontade de estar com quem se gosta:
Sabe aquele momento à dois gostosinho, quando se abre um vinho e coloca aquela trilha sensual e provocante pra curtir alguém especial? Pois então. Nessas horas penso sempre em duas músicas pra embalar esses momentos: Paixão, de Kleiton e Kledir, que tem uma letra super sensual, e Não Identificado, na voz de Daúde. A composição de Caetano Veloso, também já gravada por Gal Costa, tem um balanço delicioso com Daúde, e por esse motivo sai na frente da canção da dupla gaúcha.

9. Uma música que estou viciado agora:
Flutua, de Johnny Hooker com Liniker, é o meu vício do momento. Não consigo parar de ouvir.

10. Uma música que faz as pessoas lembrarem de mim:
Eu não tinha a mínima ideia de qual música fazia as pessoas lembrarem de mim. Consultei dois amigos próximos, apenas um respondeu de imediato, e eu adorei saber que Vaca Profana, o remetia imediatamente a mim sempre que a ouvia. Independente do duplo sentido que ele possa associar a mim, a letra de Caetano Veloso é maravilhosa e toda trabalhada no empoderamento, na voz de Gal Costa, então, um luxo. Amei!

E aí, se animou em responder essa tag também? Eu achei bem divertida!

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Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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