sexta-feira, 14 de julho de 2017

Ma, Oi?




Silvio Santos sempre foi um ídolo para mim. Meu avô o conheceu quando ainda era um camelô vendendo canetas na Praça Mauá e eu ficava fascinado quando ele rodeava os netos para contar os causos do homem que enriqueceu pela sua notória lábia. Passei toda minha infância assistindo o programa dele que durava um domingo inteiro. Começava com o Domingo no Parque e ia até o Show de Calouros. E no meio tinha o Qual é a Música, o Roletrando, o Namoro na TV, a Porta da Esperança... Enfim, um cardápio variado que atualmente provavelmente faria muito mais sucesso do que as bizarrices que temos visto ultimamente.

Não que naquela época também não existissem as bizarrices. Sim, elas existiam aos montes. Quem não lembra do Domingo no Parque daquelas crianças presas naqueles foguetes de costas para o público tendo que responder “siiiiiiim” ou “nãããããão” toda vez que a luz vermelha acendia? O Silvio sempre fazia questão de sacanear as pobres das crianças numa sequência de perguntas sem regras, onde quase sempre elas trocavam todos os prêmios já recebidos por um ridículo palito de picolé ou algo tão esdrúxulo quanto. 

As crianças faziam cara de choro, ficavam putas da vida e o dono do Baú, ainda sendo irônico, finalizava com aquele jingle do programa “agora é hora de alegria! Vamos sorrir e cantar! Do mundo não se leva nada! Vamos sorrir e cantar” (ou seja, a canção sempre era bastante apropriada...). Coladinho vinha o Qual é a Música, onde personagens trash como Gretchen, Silvio Brito, Agnaldo Timóteo e Ronnie Von eram figurinhas constantes. Ah e tinha o Pablo!!! Aquela figura bizarra de cabelo loiro estilo romeuzinho com a metade da cara pintada que dublava as músicas depois que o maestro Zezinho tocava as sete notas musicais como dicas para que as canções fossem descobertas.

Tão bizarro quanto era aquele Namoro na TV onde os casais se formavam em pleno palco depois que os grupos eram separados e ficavam se paquerando através de um binóculo (hahaha, sim, tinha a porra de uns binóculos no programa) e precisavam dançar coladinho ao som de uma música do Julio Iglesias. A música acabava e naqueles minutos de amassos constrangedores, era perguntado “é namoro ou amizade?” Mais trash, impossível.

Eu amava a Porta da Esperança, o Topa Tudo Por Dinheiro (e aquelas câmeras escondidas maravilhosas) e o Show de Calouros, com uma verdadeira fauna televisiva, onde se misturavam mágicos, cantores horrorosos e transformistas, que eram julgados por figuraças como Aracy de Almeida, Pedro De Lara, Elke Maravilha, Sônia Lima, Wagner Montes, Sérgio Mallandro e Flor.

E por falar nisso, Aracy, Pedro e Elke já partiram para outra dimensão. E o que é a Flor, gente? A Flor deve ser da mesma geração de Celso Portiolli, Carlinhos Aguiar e Luis Ricardo (que até Bozo foi). Somando as idades deles, certamente devem ter mais do que o Brasil depois da descoberta! 

Mas, infelizmente, o “dono do Baú” ta ficando bem gagá. Já era esperado, né? Hoje, vejo que o que já era trash, mas tinha toda uma “permissão do senso comum” para ser trash, está bizarro. Essa polêmica toda com aquela menininha que parecia a Shirley Temple e que cresceu já está fora do controle. Não dá mais para ver criancinhas chorarem e ficar por isso mesmo. Vivemos em um mundo tão cruel que gostaríamos de ver novamente aquele humor ingênuo, nem que fosse para rir da cara das pessoas se paquerando através de binóculos ridículos. Até a menininha sapeca que um dia mandou Silvio Santos enfiar um bambu naquele lugar, ainda era muito mais inocente do que vemos atualmente.

É, Silvio... ta na hora de dizer tchau.

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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2 comentários:

Marcia Pereira disse...

Me vi assistindo tudo isso no domingo...raras eram as opções e a minha mãe morria se trocasse de canal!

Marcia Marino disse...

Adoro o Sílvio Santos!!! Na minha época de adolescente assistia muito o programa dele...sempre achei o Sílvio o máximo...e continuo achando... Realmente, ele já está dando sinais de demência...85 ou 86 anos não é pra qualquer um... A família deveria ajuda_lo a sair aos poucos do cenário... Ele vai fazer muuiiitttaaa falta na tv brasileira... Em relação a pequenina e chatonilda Maysa (acho que é esse o nome dela)... Ela não existe sem a presença do Sílvio...ou seja, é uma menininha chata e muito mimada... Sem talento algum... Podia ter entrado no clima do programa e nas brincadeiras do Sílvio...sem problemas... Ela quis aparecer mais que o dono do Baú... Sílvio Santos, eu te amo ❤️!!