segunda-feira, 3 de julho de 2017

Não Era Amor... Era Só Frustração!





A companhia era agradável, o papo fluía e, curtindo aquele momento enquanto falávamos da vida e nossas aventuras, ele me perguntou à queima-roupa: e não se apaixonou por ninguém desde que se separou? 

Vrau! Eu parei, pensei, gaguejei e não soube muito bem o que responder. Usei o manjado: senta que lá vem história e contei um resumo daquele que foi o mais próximo de um relacionamento que tive desde que, em novembro, voltei ao maravilhoso mercado dos homens solteiros do Rio de Janeiro. Aquela história que me pareceu tão promissora e aconteceu linda e perfeita na minha cabeça para que num belo dia, puft, não existisse mais. 

Eu contei tudo, porque já falo bastante normalmente, então imagina quando sou eu tentando entender algo que estou verbalizando para terceiros? O início, os risos, a cumplicidade, até chegar naquele momento em que, de uma hora para outra restou apenas o nada. A minha vontade de entender o que se passava, de ter uma resposta, de fechar o ciclo. Meu comportamento quase obsessivo por um retorno que, quando veio, surgiu apenas protocolar e que serviu para me obrigar a enterrar de vez aquela história que foi sem nunca efetivamente ter sido. 

E então, aquele comentário casual, simples e certeiro do meu interlocutor que, ouvindo tudo à distância, sem ter se enfiado naquele mar de confusão em que estive por alguns meses, me atingiu como uma verdade absoluta:
Não era amor, não era paixão, não era nada. Era só frustração, você tentando ter controle sobre o incontrolável, sem entender o que estava acontecendo com você e não querendo abrir mão de algo que você nem mesmo teve de verdade.
E, novamente, Vrau! Eu, que sou uma pessoa direta e sem filtros, ouvi aquilo, assimilei e só pude concordar enquanto letras de música dançavam pelo meu cérebro depois de ouvir a conclusão simples daquele rapaz que eu quase não conhecia. It wasn't love, It was a perfect ilusion, Lady Gaga me dizia de um lado enquanto, em resposta, eu ouvia o Molejo praticamente debochando de mim: Não era amor, não era; era cilada, cilada, cilada... 

Continuamos conversando, aquele momento passou, mas fiquei com aquelas palavras ressoando em minha mente. Afinal, quantas vezes aquilo que nos aflige e toma proporções gigantescas não é nada além de nossa frustração em relação ao que esperávamos de algo que efetivamente não era? Somos nós que criamos os nossos castelos de areia para vê-los ruir ao primeiro bater das ondas do mar. 

Não adianta sermos espertos, calejados, termos todo um repertório de discursos e frases feitas para as situações que envolvem os outros. Quando somos nós ali no meio do furacão, parece que um raio emburrecedor nos atinge e esquecemos tudo aquilo que sabemos, ficamos cegos para o óbvio e nos deixamos levar pela frustração que tinge tudo que deveria ser claro e evidente, desnorteando-nos e trazendo caos e confusão.

Mas o bom - e eu não canso de repetir que tudo quase sempre tem um lado bom - é que isso passa e, olhado em retrospecto, é um enorme aprendizado observar que, mesmo jurando que não somos trouxas, a gente eventualmente é sim. Muito. Pra caralho. A beça.

E a culpa, de quem é??? De nós mesmos. Das das nossas frustrações. E até mesmo da vida, que nos derruba para que consigamos nos erguer, colocar o sorriso no rosto, o corpinho pra jogo e dizer: Next!

Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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