terça-feira, 11 de julho de 2017

Perspectivas e Muitos, Mas Muitos Parênteses!





Olha, tá difícil, viu? Primeiro, fico sabendo que um colega de Rafael, com trinta e um anos, tem duas graduações e, depois, cometi a insanidade de lavar uma camisa branca com uma calça preta. Fazem ideia de como eu tô me sentindo?! HAHAHAHA minha mãe estaria tão "orgulhosa"... Consigo ouvir a voz dela: "Leeeeeeeeeeerdo!" (pela parte da calça, ok? Sobre a faculdade, ela culparia o computador, como a maioria das mães. Eu culpo... bem, qualquer outra coisa, me fugiu o raciocínio aqui).

Mas não é sobre isso que eu vim falar hoje, e sim, sobre perspectiva. Sempre morei em Barra Mansa, né? Nascido e criado lá naquele lugar. Quem me conhece, sabe da minha luta diária pra sair de lá, me libertar da maldição da Caverna do Dragão e sair voando rumo ao céu (hoje em dia eu sei como Ícaro e Dédalo se sentiram... o sol queima, né?), pra sentir a brisa fresca e suave da liberdade. E consegui. Me livrei da maldição. Da cidade. Um sonho de adolescente, quando eu dizia que JAMAIS voltaria para lá. Dos dezessete aos vinte e nove, o discurso foi o mesmo: "Quando eu sair daqui, não volto nunca mais!".

Hoje em dia eu trabalho num coral, como já mencionei aqui, e essa semana entramos de férias por duas semanas. Eu quero que vocês adivinhem qual foi a minha primeira opção de viagem. Vai, eu dou um tempo. Cinco segundos? Não? Ninguém? Tá, eu conto: BARRA MANSA! Sim, comprei a passagem já no início do mês e, desde que as férias foram anunciadas, final de maio e início de junho, eu já estava contando os dias e as horas pra voltar pra lá. Que coisa doida, né não?

Eu tenho pra mim que é tipo irmãos que se separam. Minha irmã e eu éramos terríveis juntos, do tipo Wolverine versus. Dentes de Sabre. Aí ela casou e saiu de casa. Desde então temos uma relação muito boa, tudo aquilo ficou pra trás.

Ver as coisas de um outro ângulo me ajudou a entender tanta coisa, mas tanta coisa, inclusive a mais chocante pra mim: eu fui o vilão a maior parte do tempo. Pra mim, e pior, pras pessoas ao meu redor (haha, até rimou). Toda aquela irritabilidade desenfreada fez mal a muita gente (e não, não estou falando de quem vocês podem estar pensando que eu estou), e olhando as coisas daqui de fora eu percebo que eu não fui nada além de repetitivo e irritante, agindo como um bebê chorão.

Eu sou uma bagunça ambulante, nunca escondi isso de ninguém, mas nossa, tanta coisa que eu podia ter feito e não fiz, por pirraça, ou por estar cego de raiva e desejo de sair dali, que eu fico pensando que sou uma bagunça ambulante MAIOR do que imaginava! Tá, tá bem, atualmente (a sua mente atua ou mente?) eu tenho ficado na linha, mas eu culpo a crise! Um hambúrguer tá quase o preço da vaca inteira. E viva! (mas eu recomendo o Jurerê Beach Burger, é uma delícia, e com um preço super bacana. O que? Ninguém me pagou pra dizer isso, eu juro!). Voltando. Isso também é um mal que eu ainda não consegui me livrar: o de colocar a culpa em segundos, terceiros, quartos, e assim por diante. Daqui a pouco vou me juntar à massa e começar a colocar a culpa no meu signo (#JusticeForCapricórnio!), o que é horrível, já que eu sou fruto das minhas escolhas, então a culpa é minha e quem tem que resolver o que tiver pra ser resolvido sou eu! 

O que me faz lembrar de um episódio naquela instituição religiosa, em que fiquei tão irritado por não querer ir a um seminário, e pedi pra que meu pai dissesse que eu não queria ir, que eu não podia, enfim, pra que ele me tirasse daquela. O que ele me disse? Bem...: "Olha, você já tem dezoito anos. Já pode chegar e dizer que não quer, que não vai, etc. Você já é adulto, não fica legal eu ficar resolvendo as coisas pra você, pedindo por você. Vai lá e diga que não quer.", sim desse jeito. Essa é uma das cenas que nunca saíram da minha cabeça, felizmente. 

E hoje, com trinta anos, longe de casa, lutando pela minha sobrevivência diária, sem mãe, com meu pai longe, com meus (primeiros) amigos longe, eu não vou dizer que não me arrependo, porque me arrependo sim, de muitas coisas que fiz, que falei, de algumas pessoas que beijei (haha rimou de novo. Tá, parei.), mas todo esse arrependimento me fez e me faz pensar que ainda dá tempo de ser melhor, de corrigir, de prevenir. Ainda dá tempo de impedir que o futuro imite o passado. E que eu sempre, sempre, vou poder voltar pra casa.

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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