segunda-feira, 31 de julho de 2017

Quando Constranger É o Verbo ao Invés de Educar





Uma situação bizarra que aconteceu em uma unidade da Universidade Cândido Mendes em Niterói/RJ vem chamando a atenção depois que um vídeo constrangedor foi veiculado nas redes sociais. Nele, dois jovens são execrados pelos seguranças da instituição, expostos a situação vexatória, depois de serem "pegos" em um dos banheiros da universidade.

Munidos da câmera de um celular, os seguranças ameaçam, constrangem, xingam e humilham os dois jovens do banheiro até o elevador da instituição que, a priori, deveria educar, não constranger e humilhar. É o típico caso de uma reação extrema que torna a ação dos seguranças (ou seja, da Universidade, já que eles a representam) odiosa e criminosa.

O que vi algumas pessoas comentando depois de verem o vídeo, é que eles estavam errados, em uma ação de atentado violento ao pudor. Hum... Será? Não defendendo os rapazes, mas apesar de dentro da universidade, eles estavam em um lugar reservado, fechado e sem a intenção de serem vistos e expostos. Seria isso uma atentado ao pudor? Inclusive, apenas para esclarecer, esse "crime" nem mesmo existe mais em nosso código penal. Ou seja, mesmo errados, isso não dava aos seguranças o direito de serem tremendamente babacas, invadindo esse espaço, filmando-os e expondo-os na internet. Há uma clara série de violações ao direito dos rapazes, incluindo exposição, humilhação, coação e ameaças. Falta treinamento da universidade para as pessoas que a representam e, nesse caso, deveriam proteger as áreas comuns do local? Está mais do que óbvio que sim.

Agora, vamos inverter a situação. Se fosse um casal composto por um rapaz e uma moça, como seria a abordagem? Pensando em nossa sociedade machista, duvido que a exposição seria tão grande (mas sei que seria pior para a moça, que provavelmente seria taxada de "puta" e coisas do gênero, com o garanhão macho saindo com a imagem menos arranhada do episódio) e com tanta repercussão. O que vemos no vídeo é uma atitude clara de homofobia exacerbada pelo "direito" dos seguranças de se mostrarem como "machos" protetores (ou seria opressores?) da instituição.

A meu ver, o papel de uma instituição de ensino é o de educar. Cabia um tremendo esporro aos dois jovens? Certamente que sim. Agora, todo esse constrangimento e exposição vindo de uma universidade? Não mesmo!

Creio que o episódio seja mais um lembrete de que, apesar de parecer, as coisas ainda não são tão favoráveis aos gays quanto pode parecer. Vivemos em uma bolha e, por isso, tantas vezes achamos que o mundo está mudando e que podemos ser livres e exercer a nossa liberdade por aí. Não, não podemos. Afinal, se pisarmos na bola um pouquinho, podemos ser expostos, constrangidos e humilhados. Até mesmo por uma instituição cujo principal papel é o de educar.


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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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3 comentários:

The Crow disse...

aaaahhhhh!!!! faça-me o favor!!!! tinha que dar é uma taca violenta. Bando de pau no cú não quer estudar e fica enchendo o saco. Mais ridiculo ainda é quem defende este tipo de verme.

carlos augusto andrade disse...

PQP. A universidade virou motel??? Faça-me o favor. Pior, eles(as) nem estudantes da mesma são.

The Crow disse...

Mano, o escritor é um esquerdopata dos mais podres, homossexual fã de Tchê. Ai já viu né... escola e universidade é centro de formação da militância Ptista.