domingo, 16 de julho de 2017

Samba: Um Drama Francês Sincero e Tocante




Eu não conhecia o filme de 2014 até me deparar com ele no Telecine e, como o título me chamou a atenção e vi se tratar de uma produção francesa nem pensei duas vezes. Dirigido e escrito por Olivier Nakache e Éric Toledano — criadores de Os Intocáveis — narra os problemas enfrentados pelos imigrantes ilegais na França através da figura de Samba Cissé (Omar Sy), senegalês que vive há dez anos no país e espera conquistar a oportunidade de poder ser legalizado e assim trabalhar na cozinha de algum restaurante. Por causa de sua situação irregular, ele conhece Alice (Charlotte Gainsbourg), uma mulher que devido ao estressante trabalho enfrenta problemas psicológicos e por causa de um acidente com um colega agora é voluntária numa ONG que cuida das questões dos imigrantes ilegais.

Não é preciso pensar muito. Assim que se veem, percebe-se o encantamento e o filme explora a velha questão de seres opostos que acabam se apaixonando, contudo vai mais além ao usar como pano de fundo na história o problema dos imigrantes ilegais. Toca na ferida que hoje permanece cada dia mais aberta: pessoas que deixam seus países pobres e saem em busca de uma vida melhor no primeiro mundo. Samba, para sobreviver, arruma pequenos empregos e muitas vezes muda de nome para conseguir algo. Numa das mais lindas cenas do filme ele diz que tem medo de que assim esqueça o próprio nome, ao que Alice lhe responde dizendo que caso isso acontecesse ele poderia gritá-lo bem alto e todos pensariam que ele queria dançar.

O mais interessante no longa-metragem é que com essa narrativa ele poderia descambar para o melodrama, mas isto não acontece. Muito longe disso. O filme vai no ponto certo, pode fazer chorar em alguns momentos, seus diálogos são delicados, porém existem vários momentos engraçados, principalmente quando Samba faz amizade com Wilson (Tahar Rahim), um "brasileiro" charmoso que só pensa em mulheres, e juntos enfrentam a dura batalha de conseguir algum emprego, qualquer que seja.

Outra coisa bem legal é que a trilha sonora conta com nomes como Gilberto Gil e Jorge Ben Jor. O elenco é carismático e facilmente nos envolvemos com ele. Passa facilmente a mensagem sem precisar ser didático; expõe os problemas e deixa que façamos nós mesmos nossa mea culpa.

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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