sábado, 22 de julho de 2017

Viva, Um Filme Para se Emocionar







Viva é um longa-metragem cubano, que estreou no Brasil em 01 de dezembro de 2016. Quis muito assistí-lo no cinema, mas não consegui. Recentemente disponível no catálogo da Netflix, assisti-o imediatamente, assim que o encontrei, e me encantei mais do que esperava.

O filme conta a história de Jesus, garoto de 18 anos, que vive na periferia de Havana e faz bicos como cabeleireiro para sobreviver. Órfão de mãe e abandonado pelo pai aos 3 anos de idade, Jesus conta com a ajuda e os cuidados da vizinha Nita e da travesti, dona de um decadente clube na cidade, a quem fornece perucas, tratada por Mama.

Sozinho na vida, Jesus busca seu lugar no mundo e, apesar de todas as adversidades que vive, não perde a doçura. Ao saber de um teste promovido por Mama para substituir uma das drag queens de seu clube, que foi expulsa após uma briga com outra, Jesus vê a chance de fazer algo que o fascina. A princípio reticente, Mama dá uma chance ao rapaz, que não se sai bem na primeira apresentação, mas implora a sua protetora uma segunda chance. Exigente, Mama ordena que Jesus ensaie à exaustão para não fazer feio, porque terá sua última chance de agradar a ela e ao público.

Jesus arrasa em sua segunda apresentação, mas a presença de seu desaparecido pai na plateia, 15 anos após ter sumido, coloca tudo em uma nova perspectiva para o garoto. Angel é um ex-lutador de boxe, que foi preso assim que deixou a família, por isso ficou tanto tempo sem dar notícias. No início sua convivência com o filho é tensa e conflituosa. Ele está desempregado, mas proíbe Jesus de continuar se apresentado como drag queen, e o dinheiro que ele ganha como cabeleireiro não é suficiente nem pra comida. Jesus então, se prostitui para sustentar também o pai.

Mas quando Mama o convida a deixar o pai largado à própria sorte e ir morar com ela para viver a vida que deseja, Jesus recusa-se a abandoná-lo. Carente de uma figura paterna, ele se apega ao grosseiro Angel, que aos poucos também vai amolecendo e conseguindo demonstrar o amor que nunca deu ao filho.

A construção gradativa e sem exageros desse afeto entre pai e filho, que a princípio se estranham a ponto de se agredirem fisicamente, é lindo de se ver, e a emoção chega ao seu ápice quando, depois de muito relutar, Angel assiste emocionado uma apresentação de Jesus como Viva. O filho dubla uma canção de amor em homenagem ao pai e o resultado é de arrepiar.

Dirigido pelo cineasta irlandês Paddy Breathnach, Viva foi premiado nos Estados Unidos, na Austrália e exibido no Festival de Sundance. Merecia também ter concorrido ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. No elenco, ótimos atores como Jorge Perugorria (Angel) e Luis Alberto Garcia (Mama). Mas o grande destaque é sem dúvida Héctor Medina, que dá vida a um Jesus tão real e sofrido, mas que nunca perde a ternura. É delicado e forte e de uma bondade e beleza tão transparente, que é impossível não se apaixonar por Jesus e por Viva como se fossem duas pessoas diferentes, tamanha a intensidade e verdade com que o ator interpreta ambos. São a mesma pessoa e possuem o mesmo caráter cândido e adorável, mas Viva é a voz poderosa que Jesus transmite apenas com o olhar triste e sonhador e as duas personas se complementam belamente.

Viva é pura sensibilidade e, apesar dos temas fortes, é de uma extrema delicadeza. Apenas assista, você não vai se arrepender!

Leia Também:
Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
FacebookTwitter


Nenhum comentário: