sábado, 26 de agosto de 2017

A Última






Eu posso pensar em dezenas de clichês pra dizer que esse é meu texto de despedida. Mas não uma despedida definitiva. Essa é apenas minha última coluna de sábado, como colunista fixo. Pois é, chegou a minha hora de dar tchau, e tentarei ser o menos dramático possível. Tenho uma forte tendência em transformar despedidas em atos solenes. E embora colocar um ponto final em minha última coluna semanal no Barba Feita seja significativo, também não é pra tanto.

Vamos aos cálculos. Foram mais de dois anos. 34 meses. 142 semanas. E 133 textos escritos por mim. Acho que não é pouca coisa, e me sinto feliz e satisfeito por uma ideia despretensiosa saída da cabeça do Leandro Faria ter dado tantos frutos textuais.

No princípio era o Pop de Botequim, um blog cultural sobre entretenimento áudio-visual e literário. Em julho de 2013 mandei um e-mail pro Leandro, comunicando que gostaria de colaborar com seu blog, que sempre tinha espaço para novos colaboradores, e assim me tornei um feliz resenhista de um blog bem pop. Um ano depois, desejando expandir os assuntos, Leandro idealizou o Barba Feita. Seriam seis colunistas homens e gays, que escreveriam sobre qualquer assunto sem freios nem amarras. Achei o máximo ser um dos nomes pensados pelo idealizador para fazer parte do projeto e escolhi os sábados para deixar minhas opiniões, desabafos e histórias registradas.

Estreamos oficialmente no dia 6 de Outubro de 2014, uma segunda-feira. Meu primeiro texto foi no dia 11/10. Éramos Leandro (segundas), Glauco (terças), Vinícius (quartas), Silvestre (quintas), Serginho (sextas) e eu. Aos domingos, sempre um colunista convidado. Vinícius foi o primeiro a sair e ser substituído pelo Paulo Henrique Brazão, nosso querido PH. Depois, Serginho, que deu lugar ao Marcos Araújo. Agora é a minha vez. Ainda tenho tanto pra contar, mas não consigo mais arcar com a obrigação de ter que tirar da cartola um assunto diferente toda a semana. Tenho uma lista de temas dos quais quero dissertar, mas nos últimos dois meses parava em frente a tela em branco e as palavras exatas para escrever sobre determinado assunto me abandonavam. É horrível você saber que tem o assunto, mas escapar-lhe a inspiração; é como ter o queijo, mas não ter a faca e vice-versa.

Essa mesma obrigação que me foi tão prazerosa e importante nos últimos dois anos, por me ensinar a ter disciplina e fazer um exercício de criatividade toda a semana (só Deus sabe o quanto eu tentei não ser repetitivo), começou a se tornar um fardo nas últimas semanas. Mas encerro minha participação no Barba Feita bem satisfeito com toda essa experiência. Agradeço de coração ao Leandro pela oportunidade de colocar pra fora minha veia escrevinhadora.

A escrita aproxima as pessoas, mesmo que tão diferentes, e nesse grupo sempre me achei a mais "diferentona". Ainda assim, foi muito bacana ser colega do Glauco, o músico de Barra Mansa, que se apaixonou e mudou pra Florianópolis; do PH, o jornalista fofo de Niterói, lindo, loiro, de olhos azuis, carinha de anjo, mas bem pervertidinho também; do Silvestre, um libriano que adora bancar o difícil; do Marcos, jornalista também, inteligentíssimo, vocalista (?) da banda Soft and Mirabels, apaixonado por música e principalmente por David Bowie, e um pedaço de homem (aloka); do Serginho, um publicitário ensandecido, talentoso, cinéfilo, que me arrancou muitas gargalhadas madrugadas afora com suas histórias; e do Leandro, né gente? O que dizer do Leandro. Não vou dizer é nada. Só pra deixar ele se roendo, porque ele é leonino como eu, e quem conhece sabe como leonino é. E se tem uma coisa que eu adoro é provocar o Leandro, então não vou rasgar seda pra ele, porque sei que ele adora. Mas provocações à parte, só tenho a agradecer ao senhor Leandro Faria Chaves, um carioca muito do safado, que tornou tudo isso possível.

Até mais coleguinhas! Até mais leitores! Foi muito bom fazer parte disso aqui. Até breve!

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Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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