sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Dormir Pra Quê, Se Há Um Mundo Lá Fora? Carpe Diem!





Todos me apontam como uma pessoa festeira. “Coisa de sagitariano”, dizem. Custei a admitir, mas preciso concordar. A grande maioria dos nascidos neste signo sempre estão rodeados de muita gente, saem de uma festa às 23, emendam em outra às 00:30 e ainda tem fôlego para chegar às 2 da manhã em mais uma como se ainda fosse a primeira. Fim de semana sempre é uma sucessão de infinitos eventos. 

Minha mãe, que era libriana, sempre dizia “dormir pra quê, se você vai ficar deitado por toda uma eternidade quando estiver debaixo da terra?” Pois é... No fundo, no fundo, acho que minha mãe devia ter seu ascendente em sagitário...

Mas, ultimamente, as sete horas que eram reservadas para o meu sono, não estão sendo mais suficientes. Durmo no metrô em pé mesmo. Já tenho até uma técnica para dar uma “apagada” sem cair. E aos domingos eu estou tão exausto pelo ritmo do trabalho na semana (e dos exageros da noite de sexta e sábado), que só penso em fechar os olhos o dia inteiro para recuperar as energias e estar revigorado para mais uma semana de labuta.

Eu acho lindo e maravilhoso aquelas pessoas que levantam às 5 da manhã num fim de semana para participar de uma corrida no Aterro e depois postar as medalhas no Facebook. Ok, acho bem legal mesmo, mas ainda não tenho essa disposição, apesar de sempre colocar a volta da academia nas minhas resoluções de ano novo.

No último domingo, mesmo cansado e contrariando a minha vontade de fechar as cortinas, puxar o cobertor e tirar uma soneca de umas quatro horas, resolvi, depois do almoço na casa da vó, “dar um rolé” pelo Centro do Rio para poder ver algumas exposições que em breve sairão de cartaz e que já estava tentando visitar um tempão e nunca conseguia. E, pela primeira vez, em meses de preguiça dominical, não me arrependi nem um pouco de fazer esse passeio.

A primeira parada foi na exposição Taking punk to the masses, no Museu Histórico Nacional sobre o Nirvana, banda originada na triste e chuvosa Seattle e que nos anos 1990 fez um estrondoso sucesso em todo o mundo, ajudado pela MTV e por hits certeiros (e barulhentos) como Smells like teen spirit, In Bloom, Lithium e Come as you are. Mesmo com uma curta trajetória – o Nirvana só gravou três discos “oficiais” entre 1989 e 1994 – venderam mais de 80 milhões de seus discos pelo planeta e até hoje não apareceu uma banda que pudesse ser tão revolucionária e incendiária quanto. Um baixo, uma bateria, uma guitarra com cordas invertidas e gritos suficientes para fazer rock de verdade. Infelizmente, a mídia transformou o vocalista Kurt Cobain em um porta-voz de uma geração (coisa que ele nunca quis ser). Kurt, que fez todo o movimento underground de fitas-demo e fanzines, iniciados com o movimento punk inglês nos anos 1980 se popularizassem, nunca quis a fama. Queria apenas gritar em cima de um palco, extravasar sua fúria através do seu som, quebrar guitarras e poder sair para se divertir com os amigos. Em abril de 1994, a voz e os gritos se calaram quando Kurt tirou sua própria vida com um tiro. A luta contra o vício da heroína, a depressão e a vontade de ser uma pessoa comum.

Até o dia 20, a mostra fica no RJ, seguindo depois para SP. Então, esta é a chance dos cariocas verem a reunião de mais de 200 peças entre instrumentos, vídeos, fotos, roupas e outros objetos pessoais dos integrantes, além de cartazes originais de shows, setlits, álbuns, fitas, depoimentos e até o manequim da capa de In Utero, que eles levavam para as turnês na época. Imperdível. 

Depois dei uma passada no Paço Imperial. Até o dia 20 também estará rolando por lá a exposição Bastidores da Criação – arte aplicada ao carnaval do badalado Leandro Vieira, carnavalesco da tradicionalíssima Mangueira. Na exposição, são mostrados a cronologia de como funciona a estrutura da organização de um desfile de escola de samba desde a sugestão do enredo até o desfile em si. Também estão expostos desenhos originais, croquis de fantasias, miniaturas e vários figurinos usados no desfile desse ano – inclusive aquela SENSACIONAL fantasia da ala das baianas, com aqueles saquinhos de São Cosme e São Damião; uma sacada genial do Leandro, que na minha opinião, é um carnavalesco que mistura elementos dos grandes mestres do carnaval carioca, como os detalhes barrocos e justaposições de tecidos de Rosa Magalhães; a estética clean de Renato Lage; e a ousadia e criatividade de Joaosinho Trinta. Mesmo para quem não curte tanto carnaval, a exposição é um grande achado.

Quando saí, não pude deixar de vislumbrar a beleza da Praça XV sem aquela coisa horrorosa que era estar escondida sob o viaduto da Perimetral. Deu até gosto ver aquele povo iluminado pelo entardecer, andando com suas bicicletas e fazendo suas manobras radicais com seus skates. Dali, dá pra ir andando até a Orla Conde, que vai da Praça XV até a Candelária, passando pelo Espaço Cultural da Marinha. Apesar de não ter entrado, sempre há exposições interessantes rolando pelo CCBB, Casa França-Brasil ou o Espaço Cultural dos Correios. E, andando mais um pouquinho, dá pra chegar ao imponente Museu do Amanhã e se impressionar novamente com a releitura moderna que se tornou a Praça Mauá, hoje, totalmente revitalizada com o Museu de Arte do Rio (MAR) e os novos armazéns grafitados no Pier Mauá.

E por falar em armazéns, finalizei a tarde de domingo na 7ª edição do Rio Gastronomia, evento que termina nesse domingo. Lá, pude provar umas comidinhas deliciosas, conferir umas aulas dos mais renomados chefs, assistir uns shows e sair saciado. Dá pra comer uns pratos da Roberta Sudbrack, Belmond do Copacabana Palace e da Casa do Sardo por precinhos bem acessíveis. Comi um nhoque recheado com queijo servido em um pão da roça do Chef Barão por 20 temers. Nos food trucks também você pode encontrar delícias como os aperitivos d´O Melhor Pastel do Mundo.

Ou seja, um lugar charmoso, com pessoas bonitas e atrações super bacanas.

Por isso, vença a preguiça. Sei que nesse friozinho, um cobertor e Netflix é gostoso, mas tem um mundão de coisas lá fora esperando por você. Dormir pra quê? Carpe diem: aproveitem o dia!

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

Yan Navarro disse...

Muito bom! É bem por aí. Vida é curta...