segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Friday Night Lights





É sexta-feira à noite enquanto escrevo essas linhas. O que é engraçado, pois se esse texto virar realmente a minha coluna da semana, ele vai ser lido apenas na segunda ou depois disso. Mas, divago. Da janela do meu quarto olho pro céu escuro e quase sem estrelas, mas consigo avistar a lua, linda, brilhando solitária no céu do Rio de Janeiro. À minha frente, um grande vão de arvores, rodeado de prédios. Aqui, deitado e solitário no meu quarto, apenas eu.

Apago as luzes, coloco músicas diversas a tocar aleatoriamente no Spotify e digito. Pensativo, solitário, me sentindo bem, apenas com as luzes de fora, do céu e as artificiais, a iluminar o ambiente.

Ando inquisidor (de mim mesmo) demais, contemplativo, pensativo. Hoje, de janelas abertas e com as luzes dessa sexta-feira à noite invadindo meu espaço, vejo que o silêncio do meu quarto é bom, que as vozes na minha cabeça são conselheiras, que o mundo pulsa e eu pulso junto. Apesar da música, quase posso ouvir o tum tum tum ininterrupto do meu coração. Coisa boa estar vivo, não é mesmo?

Há muito não tirava uma sexta-feira à noite pra mim. Só pra mim. Pra mais ninguém. Gosto da minha companhia, sempre gostei. Penso na época que morava com meus pais e que meu quarto era o meu mundo e eu era o único rei ali. Do tempo em que fiquei casado e que eu dividia a casa e o espaço com ele e meus gatos. Hoje, sinto falta dos meus pais, da certeza de bastar sair do meu espaço para encontrá-los sentados na sala ou papeando na cozinha; penso no fim do casamento e meu coração fica apertadinho ao lembrar dos bichanos. Entretanto, vejo que essa saudade é boa, porque eles não estão aqui, mas que eu cresci e evoluí. Mas que basta a saudade chegar que posso matá-la.

Lá fora, a vida acontece. Aqui dentro, eu penso. E, olhando pra essa tela fria de computador, sorrio. Porque hoje a sexta é minha e eu sou meu. Mas sei que numa segunda, quarta ou, quem sabe, outra sexta, você aí do outro lado lerá isso. E saberá que você não está sozinho. 

Eu aqui. Você aí. O mundo inteiro, cada um em seu canto. É a vida, pessoa! E é bonita, é bonita e é bonita…
“Mas eu preciso de outros sapatos,
De outras roupas, outros temperos
Para formar minhas ideias
E meus sentimentos.
Eu sou a soma de tudo que vejo
E minha casa é um espelho
Onde à noite eu me deito
E sonho com as coisas mais loucas
Sem saber porque…”
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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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